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28 janeiro 2010 às 06:30

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Estreia: Invictus

Invictus (Idem) EUA, 09.

Direção de Clint Eastwood. Com Morgan Freeman, Matt Damon, Tony Kgorope, Patrick  Mofokeng, Matt Stern, Julian Lewis Jones. Warner. 134 min. PG-13.

Dos filmes recentes de Clint Eastwood este é o que menos gostei. Tem um certo ar de Lula, Filho do Brasil, cheira a chapa branca, a sermão encomendado, a discurso fora de hora. Se ele tivesse sido feito há 10 anos, mais perto dos fatos teria sido mais corajoso. Ou então, quando ainda estava em pleno vigor o vergonhoso apartheid sul –africano (o sistema que dividia brancos e negros). Poucos filmes tiveram a coragem e grana de criticar esse absurdo, falar mal agora não é vantagem. De qualquer forma, o filme tem momentos discutíveis como, por exemplo, no meio da história, interrompe tudo para acompanhar o time nacional de rúgbi (liderado por um muito loiro e muito forte Matt Damon, como o campeão François Pienar) e embarca numa viagem pelas belezas de Capetown, a cidade mais moderna e turística com passagem pela prisão onde Nelson Mandela esteve (chegando ao cúmulo de mostrar flashbacks simultâneos, ou seja, no mesmo quadro dele fazendo trabalhos forçados ou lendo poemas no catre da prisão!).

Há para o brasileiro um pouco problema muito mais grave: fala de um esporte que conhecemos pouco, que é o rúgbi, uma variante de futebol americano com shorts mais curtos, onde os moços ficam fugindo com a bola só para serem agredidos e jogados no chão, com todo mundo fazendo um monte por cima dele! E Clint não percebeu que em casos assim, costuma-se colocar um locutor do esporte, esclarecendo e explicando o que está sucedendo. Ou seja, a gente dança completamente nos detalhes dos jogos, que seriam fundamentais para entender a trama.

Esta é a história dos primeiros dias do governo Nelson Mandela, que sai da prisão e é eleito presidente da África do Sul, sentando-se num verdadeiro barril de pólvora já que anos de ódio estavam para explodir numa guerra civil. O filme revela sua arma secreta, a união do povo branco e negro, que se odiavam, e foi justamente o campeonato mundial de rúgbi em 1995 que aconteceu naquele país. Mandela intuiu que era a bandeira que precisavam para transformar a África do Sul numa única nação.

Feito para engrandecer não apenas o biografado, mas principalmente o efeito salutar do esporte,  o filme evita defeitos de Mandela, não desenvolve problemas, passando discreto pelas dificuldades dele com a ex- mulher (até mesmo Dammon não justifica indicações a prêmios, a não ser porque oxigenou os cabelos, engordou e ficou bombado, tem poucas cenas e a faz atônito, como se perguntasse o que faz no meio daquilo tudo?). Morgan Freeman logicamente usa de sua autoridade natural para um filme que me pareceu tão premeditado, convencional. Muita gente se admira que na obra de Clint a vingança seja sempre um tema fundamental, e aqui justamente é uma história sobre como evitar a vingança e prevalecer a conciliação e o perdão. Por isso que tudo é grave, benevolente, caso raro de um filme sobre esporte que mistura também política.

O filme chegou com certa força na temporada dos prêmios, mas foi caindo de moda e hoje parece ter alguma chance ao Oscar apenas como ator (Freeman, embora no fundo faça apenas uma variante de si mesmo) e coadj (Damon)

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