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28 janeiro 2010 às 06:17

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Estreia: O Fim da Escuridão

O Fim da Escuridão (Edge of Darkness) EUA, 09.

Direção de Martin Campbell.Com Mel Gibson, RayWinstone, Danny Huston, Bojana Novakovic, Shawn Roberts, Jay O sanders, Deny O´Hara. Imagem. 117 min.

Este é o retorno (simultâneo com os Estados Unidos) de Mel Gibson como ator central pela primeira vez em 8 anos, desde Sinais, depois de alguns maus passos que comprometeram sua carreira (ao ser preso embriagado, e assim revelar sua condição de alcoólatra, ele abriu a boca com insultos aos judeus, onde confirmou sua condição de católico fanático, daqueles que levam a Bíblia ao pé da letra). Depois disso se separou da esposa de muitos anos (28) deixando seus muitos filhos sozinhos. Começou a aparecer com garotas mais novas e cada vez mais exóticas. Além disso, está com 54 anos de idade (para mim, acho que ele engana a idade e aparenta mais) e perdeu a jovialidade dos tempos da Austrália e Mad Max.

Ou seja, fazer essa produção de 80 milhões de dólares (nos EUA, da Warner) é um risco só conseguido porque nesse meio tempo Mel continuou a ser produtor bem sucedido (a firma dele se chama Icon e fez o mega sucesso A Paixão de Cristo e também Apocalypto, por sinal dois filmes muito violentos). A pergunta é : será que o público antigo vai aceitá-lo de volta apesar de ter–lhe caído a mascara da face e ter se tornado um senhor de idade, com o rosto muito vincado?

Acho improvável  apesar da primeira vista parecer um daqueles dramas de vingança que ele costumava estrelar. Só que na verdade é um drama político de denúncia dos abusos do governo, que a gente diria que é pura paranoia se não fossem tão críveis e comuns. Ou seja, não acredito que as pessoas, nos tempos que correm, tenham paciência para saber que existem organizações americanas produzindo bombas atômicas para venderem para outros países e que para conseguir isso corrompem policiais, matam mocinhas, subornam políticos e são literalmente capazes de tudo para justificarem seus ganhos ilícitos.

Não vai me dizer que está chocado em descobrir  que há corrupção em todos os níveis? Mesmo porque todas as séries policiais ficam repetindo isso e foram inúmeros filmes que já embarcaram nessa denúncia, com nenhum aparente resultado prático.

Aqui, Mel faz um detetive veterano de homicídios de Boston, uma cidade notoriamente famosa por sua corrupção, que milagrosamente não tem qualquer inimigo! Descobre isso quando a filha vem lhe visitar e é assassinada na porta de sua casa, aparentemente no lugar dele. O motivo poderia ser vingança e logicamente ele começa a investigar, batendo em todas as portas até chegar aos cabeças (aliás sem muita novidade e poucas cenas de ação). Só teve realmente uma cena forte em que uma amiga da morte vai lhe revelar alguma coisa e algo acontece que me deu um susto, pulando na cadeira). Mas fora isso, o diretor (veterano de James Bond) tem um gosto por interpretações exageradas, de dar vergonha (os atores, que fazem o namorado dela, a amiga e outros coadjuvantes, estão representando muito). Mas não Gibson, que parece discreto e tampouco o ótimo inglês Ray Winstone, que faz um personagem misterioso e mal justificado que o ajuda na confusão (um papel que ele herdou de Robert DeNiro que chegou a iniciar a filmagem).

Ou seja, o filme não é ruim, mas tampouco não empolga ou se defende como mera aventura. É a versão americana de uma minissérie da teve inglesa BBC (já antiga de 1985, com Bob Peck mas que foi feita justamente pelo mesmo diretor Campbell) atualizada por William Monahan (bostoniano), que ajudou Scorsese em Os Infiltrados. Também houve mudanças na trilha musical (a original era de John Corigliano), mas houve cenas que foram refeitas acentuando mais o tom de thriller e passou para Howard Shore). Ainda assim, o filme tem um ritmo lento, poderia ser mais rápido e intenso.

Veja mais:

+ Acompanhe a sinopse do filme O Fim da Escuridão
+ Veja fotos de Mel Gibson em O Fim da Escuridão
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