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30 janeiro 2010 às 06:00

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Dicas de DVDs

Substitutos ** Surrogates

Áud: Ing , Esp, Port. Leg: Port, Esp, Ing. Ficção cientifica. Widescreen. 89 min. Cor. 2009. EUA. Disney Touchsonte. 14 anos.

Diretor: .Jonathan Mostow. Elenco: Bruce Willis, Radha Mitchell, Rosamund Pike, Boris Kodjoe, Ving Rhames, James Cromwell, James Frances Ginty, Jack Noseworthy.

Sinopse: Num futuro não muito distante, as pessoas arranjam robôs que os substituem no dia a dia, enquanto eles ficam em casa controlando-os. 

Comentários: Não é exatamente um ficção científica como eu pensei, mas uma adaptação de uma graphic novel, ou seja, de quadrinhos, o que não fica muito claro por seu visual conservador e tradicional. A ideia poderia ser interessante, mas é difícil de engolir, ainda mais em tão pouco tempo. Segundo uma introdução, num período de apenas 14 anos, os seres humanos resolveram ficar em casa deitados numa poltrona e serem substituídos por robôs tão aperfeiçoados, que poucos percebem a diferença. Como todo mundo conseguiu grana para manter uma parafernália cara como um robô e sua manutenção não se explica, aliás quem parar para pensar um pouquinho nos detalhes não consegue embarcar no filme. E como fazer para parar de pensar? 

Enfim, os robôs são todos bonitos e atraentes, mas parece que o filme não deseja que a gente se identifique com eles, já que nunca os mostra no que mais seria curioso, ou seja, fazendo sexo. Fica a dúvida: como seria o sexo entre eles? Se é que isso sucede. Imaginamos que sim, já que eles se drogam tomando doses de choque energético! A mensagem do filme é a crítica a nossa sociedade que agora idolatra a juventude, a beleza, faz tudo para consegui-la ao ponto de se fechar em casa  e viver uma vida virtual (no que no fundo quer dizer que todos tem medo da morte!).Não ficamos sabendo se há vida intelectual entre eles, se vão ao cinema, teatro, lêem... O filme se limita a mostrar os robôs como pessoas bonitas e jovens (muito maquiados e sempre que possível sofrendo um banho reparador de digitalização, o que os deixa sem idade. Inclusive nosso herói que é feito por Bruce Willis (ele não perde o biquinho mas ganhou uma peruca esquisita ao menos em sua versão robótica ). Willis é um policial humano que investiga o assassinato de um jovem, no final das contas é filho justamente do inventor disso tudo (feito por Cromwell). Foi morto por um assassino comprado que usou uma arma super moderna (que consegue matar o robô e no mesmo momento também fritar o seu lado humano, que o estava conduzindo em casa). O cientista não se conforma com isso e aos poucos vamos percebendo um plano muito elaborado, mas também muito simples. O filme é cheio de clichês (o vilão confessa ao final, há a correria para tentar desligar o sistema, para não entrar em mais detalhes), mas tem certo acabamento (não me conformei com os humanos que resistem aos robôs serem apresentados como uma turba de hippies imbecis sem eira nem beira morando em pardieiros e liderados por fanáticos religiosos). É curioso que o diretor Mostow seja o mesmo que lidou antes com o assunto já que dirigiu Exterminador do Futuro 3, o mais fraco da série, por sinal. Aqui se sai ainda pior.

Veja o vídeo com a trilha sonora do filme:

O Psicólogo **Shrink

Áud: Ing , Port. Leg: Port,  Ing. Drama. Widescreen. 104 min. Cor. 2009. EUA. Flashstar.16 anos.

Diretor: Jonas Pate. Elenco: Kevin Spacey, Mark Webber, Keke Palmer, Safron Burrows, Jack Huston, Pell James, Dallas Roberts, Laura Ramsey, Robert Loggia, Gore Vidal, Jesse Plemons,Robin Williams. .

Sinopse: Incapaz de aceitar uma tragédia na vida pessoal, um famoso analista de celebridades, torna-se dependente de drogas e cada vez incompetente para cuidar dos pacientes. 

Comentários: É estranho como Kevin Spacey vai perdendo o estrelato aceitando projetos independentes com papéis ingratos e antipáticos como aqui, no outro filme todo auto referenciado. Será que interessa a alguem saber como sofre um terapeuta que vive na comunidade dos ricos e famosos de Los Angeles, cuidando de milionários e artistas, mas ao mesmo tempo incompetente para cuidar de si mesmo. É um roteiro de Thomas Moffet que não chega a ser satírico e nem mesmo tem um senso de humor muito forte, mas o protagonista Dr. Henry Carter é autor de livros de auto ajuda, psicologia pop (numa entrevista com o famoso escritor Gore Vidal posando de jornalista ele chega a ter uma crise e rasga as páginas do livro). Spacey continua com seu habitual cinismo enquanto vai passando por vários casos (Loggia faz o pai dele que tenta uma intervenção para interná-lo, Dallas faz um super agente hipocondríaco, obsessivo compulsivo e sem crédito, Robin Williams interpreta um astro de cinema alcoólatra que acha que sofre  de vício sexual). Um dos poucos que se sobressaem é  Jack Huston (neto do diretor John Huston, que faz um astro do rock irlandês) e uma bela atriz Kate (Saffron, que trai o marido, mas descobre que já é uma garotinha). Mas não para por aí, tem um garoto afro americano (Keke) que acaba se unindo a um aspirante a roteirista (Webber) sem escrúpulos. Enfim, não é tipo de gente que você gostaria de encontrar. Enquanto Spacey faz a cara de sofrimento e desgosto. Quem se interessa por eles?

Veja o vídeo com a trilha sonora do filme :

O Cais da Maldição  **** The Big Steal

Áud: Ing , Italia, Port. Leg: Port, Esp, Ing. Policial. Standard. 72 min. PB. 1949. EUA. Cinemax. Livre.

Diretor: Don Siegel. Elenco: Robert Mitchum, Jane Greer, William Bendix, Patric Knowles, Ramon Novarro, John Qualen, 

Sinopse: Acusado de ter roubado dinheiro do exército americano, Duke chega a cidade mexicana de Vera Cruz onde é perseguido por um oficial americano.

Comentários: O título em português é o original, mas nem por isso é correto. De cais, temos um apenas no começo quando chega um navio mas é apenas ponto de partida e sem a menor conseqüência. Uma bobagem que não chega a atrapalhar este hoje clássico film noir, dos melhores que a  RKO fez em seu apogeu; Aliás, cuidado com a capinha que revela de cara o final surpresa no resumo! Feito pelo famoso ex-montador Don Siegel (1912-91) como uma espécie de conseqüência do ainda mais clássico, Fuga do Passado/Out of the Past, de 1947, também com Mitchum e Greer. O astro, por sinal, foi preso durante as filmagens (por fumar maconha e chegou a cumprir pena, só que o dono do estúdio, Howard Hugues, gostava dele e o manteve no filme, que parou o esperando). Rápido, curto, direto e bem humorado (os diálogos são inteligentes e espertos, muito bem ditos pela dupla e mais ainda por Ramon Novarro, o Ben Hur do cinema mudo que rouba o filme já de meia idade, como um delegado da polícia local que está aprendendo a falar inglês e se revela o mais inteligente de todos). Claro que não é para levar a sério esta aventura de perseguição, em que Mitchum persegue um vigarista (Knowles, sósia de Errol Flynn) e por sua vez também é perseguido por um cara do governo (Bendix). Mas no meio de tudo isso, há uma americana ( a ótima Jane Greer) que Mitchum chama de Chiquita e que ajuda no espanhol (o filme foi rodado totalmente no México). Divirta-se.  

Viver Por Viver **** Vivre pour Vivre

Aud: Fra 5.1, 2.0. Leg: Port. Romance. Standard. 125 min. Cor. 1967.  França. Classicline. 14 Anos. Diretor: Claude Lelouch. Elenco: Yves Montand, Annie Girardot, Candice Bergen, Irène Tunc, Anouk Ferjac, Uta Taeger, Amidou.

Sinopse: Jornalista francês, engajado e mulherengo, tem dificuldades em administrar seus sentimentos pela esposa e pela amante americana.

Comentários: Logo após o sucesso mundial do multipremiado Um Homem, Uma Mulher (Un Homme et Une Femme, 1966), Lelouch fez este outro filme romântico, novamente meio amargo e com personagens infelizes e complicados, dentro de seu estilo repleto de câmera na mão, pouca trama, diálogos improvisados e  esparsos que em geral não são ouvidos, o tom é dado por uma efervescente trilha musical de Francis Lai, que inclui também um tema romântico que foi sucesso na época.  Um estilo muito particular. ainda hoje inovador e revolucionário , que hoje ainda surpreende (imagina-se então o espanto que causou na época, tendo sido absorvido pelo público que o tornou também um êxito). Também é muito curioso, como Lelouch sai filmando por várias partes do planeta, às vezes com intuito meramente turístico (uma luta de boxe com Anouk Aimée na plateia, Nova York no inverno, Amstersdã e suas belezas culturais) mas também em busca do exotismo, com uma caçada-safari na África. em Uganda (e duas longas seqüências de guerra mostrando o jornalista primeiro entrevistando um grupo de mercenários e mais tarde participando da Guerra do Vietnã( o filme foi feito no auge do conflito e de sua polêmica). Mesmo sem aprofundar dramaticamente e com ausência de diálogos ou motivações psicológicas, mostra um protagonista contraditório (e que não tenta ser nem um pouco agradável, é quase um canalha. Montand (1921-1991) faz um jornalista de TV combativo e engajado, especializado em matérias contra a guerra e a violência, que chega a se arriscar no Vietnã em busca de imagens de denúncia e impacto. Mas que ao mesmo tempo é mulherengo e engana, recorrendo a uma série de malabarismos e truques, a mulher que ainda ama muito, feita com simpatia e muita dignidade por Annie Girardot (de Rocco e seus Irmãos, melhor atriz em Mar del Plata). Até que uma amante americana, mais jovem e decidida (a jovem e linda Candice Bergen, em seu terceiro filme com apenas 21 anos, falando francês), o obriga a tomar posição. Sempre com a câmera na mão, operada pelo diretor, o filme é um pai do futuro videoclipe. E tem um final encantador.Que tal fazer finalmente justiça ao talento de Lelouch? Ganhou o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro (também foi indicado como trilha e canção, concorrendo ao Oscar na mesma categoria.

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