2 fevereiro 2010 às 13:57
Indicações ao Oscar: Avatar versus Guerra ao Terror!
Vai ser mesmo um embate entre um ex-casal e dois estilos de cinema: o independente de Guerra ao Terror e o “blockbuster” Avatar, o primeiro feito por Kathryn Bigelow e o segundo por seu ex-marido e também mentor, James Cameron.
Mas só vamos saber o resultado no dia 7 de março, quando será entregue a estatueta (transmissão direta pela TNT, com meus comentários), no que promete ser uma noite de suspense. Ou nem tanto? Agora pensando bem, parece que outros indicados estão mais ou menos resolvidos.
Acho muito difícil alguém impedir a premiação de melhor ator para Jeff Bridges - no papel de sua vida, em Coração Louco -, para Christoph Waltz por Bastardos Inglórios e Monique por Preciosa, como coadjuvantes. São indiscutíveis e imbatíveis.
Será que houve esquecimento na lista dos indicados? O mais grave é o de Nine, que sofreu uma campanha contra muito forte, mas conseguiu prêmios técnicos (direção de arte, figurino, canção – que é cantada por Marion Cotillard, a Piaf, que foi injustiçada e esquecida como coadjuvante, quando é o coração do filme). Ao menos Penélope Cruz foi lembrada.
Daniel Day Lewis merecia ser lembrado também, mas em seu lugar, está o jovem de Guerra ao Terror, Jeremy Renner (o que não é mal, pois sempre é bom promover gente nova e com talento, como o moço).

Sherlock Holmes também ganhou indicações em direção de arte e trilha (merecido), mas nada por Robert Downey Jr. A Serious Man, dos Irmãos Coen (com seu trabalho esquisito e estranho), talvez por ser muito judeu, ficou entre os dez finalistas de melhor filme. Deixaram de fora Julianne Moore por Direito de Amar (apenas cinco minutos de tela), mas, ao menos, se lembraram de Colin Firth, que este ótimo.
E como já era esperado, ficou fora Peter Jackson e seu Lovely Bones (a não ser com o criminoso do filme, Stanley Tucci, que acho que merecia mais por Julie e Julia) e Jamie Foxx por O Solista. A novidade mesmo foi a presença de Blind Side/Um Sonho Impossível entre os dez finalistas, impulsionado por seu êxito de bilheteria, a presença de Sandra Bullock e o fato de ser daqueles filmes edificantes que a Academia sempre gostou. Ou seja, Sandra é uma presença forte e é possível que leve o Oscar, afinal, é a estrela do momento, o retorno do ano. A volta por cima como Hollywood adora.
Essa história de dez finalistas está dando certo? Na verdade, os que se podem levar a sério são os que foram validados pela indicação de diretor: ou seja, Avatar, Guerra, Preciosa, Amor sem Escalas e Bastardos. Os outros são gentilezas (sabendo-se que Up leva o de animação e ficou na lista para se mostrarem simpáticos ao gênero). Curiosamente Distrito 9, produzido por Peter Jackson - que o brasileiro não entendeu - está entre eles (mas não Star Trek , que forçaria a barra). Educação toma o lugar habitual do filme britânico do ano (embora eu prefira The Last Station e Helen Mirren). O que se pode dizer a favor dessa lista é que, ao menos, não é uma vergonha, não comprometeu. O que já é muito!
Os filmes estrangeiros trazem este ano representantes do Peru e da Argentina! Onde estamos? Pois é, a Argentina com o diretor de O Pai da Noiva num policial bom e Peru com A Teta Assustada (que não é tudo isso). Mas quem vai levar é mesmo A Fita Branca, aquela alemã pretensiosa e chata, a que todo grito bate cabeça. Pobres moços... E quando o Brasil vai aprender a mandar representantes melhores e produzir filmes mais competitivos?
Algumas coisas legais: adorei a lista de canções, que tem duas ótimas de A Princesa e o Sapo, outra adorável francesa de Faubourg 36, a country para o Jeff Bridges que ganhou o Globo de Ouro e Take it All, de Nine. Achei curioso um filme italiano concorrendo como maquiagem (Il Divo). E entre as animações, um totalmente estranho e inesperado: certo The Secret of the Kells, que é da Irlanda, Franca e Bélgica e ninguém previu. Sobre o documentário, espero que seja The Cove, mesmo sobre morte de golfinhos (entre outros, ainda a serem descobertos).
Ou seja, não me parece uma lista ruim. E sem querer o título nacional de Blind Side, Um Sonho Impossível acabou sendo premonitório.
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