7 fevereiro 2010 às 12:47
Nova crítica de Guerra ao Terror

Quando vi Guerra ao Terror pela primeira vez, acho que em março de 2009, foi como o lançamento em DVD (tanto que a crítica saiu no guia de filmes, referente àquele ano).
Era apenas mais um filme de guerra, feito por uma diretora que eu curtia. O longa foi inspirado no pouco lembrado Estranhos Prazeres, com Ralph Fiennes, uma ficção científica que assisti sem particular interesse. Mas dei boa cotação e elogiei, até porque meu trabalho é chamar a atenção para os filmes de maior qualidade e que não haviam sido descobertos.
Depois disso, tudo mudou milagrosamente e Guerra ao Terror se tornou o favorito para o Oscar, mesmo enfrentando Avatar, o filme de maior bilheteria de todos os tempos (se já não é, o será em breve). Por isso fui revê-lo para uma reavaliação.
Saí achando a mesma coisa: é um bom filme de guerra, talvez o melhor feito até agora sobre o conflito no Iraque (vejam as notícias, e toda semana tem notícias de mais bombas e vítimas, e que não podem ser mostradas pela televisão, porque são censuradas, com a desculpa de que se trata de uma guerra e pode ajudar inimigos. Na verdade, porque não querem virar a opinião pública norte-americana contra essa guerra inútil e sem fim previsto).
As filmagens aconteceram na Jordânia, num calor infernal, com quatro equipes que usaram câmeras HD simultâneas, capturando muito material e dificultando a edição. Mas não é melhor que Avatar em nenhum sentido, nem mesmo no roteiro que é sempre o ponto fraco de James Cameron.
Aqui não se conta de fato uma história. São mais situações, começando com a cena do oficial, o Sargento Matt Thompson (participação especial do inglês Guy Pearce, de Amnésia e Atos que Desafiam a Morte), que tenta desmontar uma bomba em uma rua de Bagdá. Nisso, chega um daqueles heróis de cinema (interpretado por Jeremy Renner) individualista, pretensioso, chato, antipático com os colegas e péssimo para a família (não se importa com sua mulher e bebê). Mas que o filme faz posar de herói, porque é competente no que faz (e para mostrar que é humano, faz amizade com uma pré-adolescente local, que mais tarde servirá de homem-bomba, colocam um explosivo dentro do corpo dele!) Ou seja, William James (Renner) teria sido treinado especialmente para esse tipo de serviço, e acompanhamos algumas de suas aventuras, todas bem contadas, com algum suspense (mas ao final vai se prolongado com vários fechamentos, numa situação absurda)
Depois de uma grande explosão de casas, o herói sente o cheiro daquilo que foi feito de longe e adivinha tudo, sai correndo no meio da noite pelo bairro pobre atrás dos possíveis agressores, se esquecendo de que não é super herói, nem tem super poderes.
O roteiro pira, deixa de ser realista para dar uma sequência climática que vai levar a um conflito com o colega, que o destrata abertamente.
Será esse o retrato do soldado americano, que ainda se acha o bom, apesar de estarem se afundando na guerra e no deserto?
O filme insulta a guerra, diz que ela é um saco, talvez mais que isso, mostra que esse estilo de ocupação é uma furada e os soldados americanos são vítimas de uma situação sem saída (mas por outro lado é muito comum que eles, como voluntários, voltem para três ou quatro missões seguidas, preferindo lutar lá do que ficarem com suas famílias).
Não acho que a complexidade dos fatos políticos e militares seja sequer retratadas, nem tampouco arranha a psicologia do que leva um indivíduo a esse estágio, essa profissão, esse amor e ódio pela violência. E não acho que Renner merecia uma indicação ao Oscar, faz cara de mau, de sofrimento, de raiva, mas não é carismático, ou bonito, ou interessante. Tem uma cara esquisita que não é memorável.
Não é o tipo de filme que permita grandes lances, já que a câmera fica jogando, balançando, não permite uma interpretação mais matizada. Explicando melhor, não é a favor do ator.
Não estou dizendo que o filme é ruim, só superestimado. Ainda não descobri o que fez a crítica americana se apaixonar por ele e o que levou a essa alucinação coletiva de querer lhe dar prêmios. Não esqueçam que é divertido saber que foi Cameron quem convenceu a ex-mulher a fazer o filme, já que ela tinha dúvidas, e que hoje o define como o Platoon desta guerra, ou seja, o filme definitivo sobre o assunto.
Agora que a pirataria já o descobriu, Guerra ao Terror (um título vago, que se refere a jogo de armas utilizado para desmontar explosivos) terá seus admiradores.
Vamos ver o que o Oscar decide a respeito, no dia 7 de março.
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