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11 fevereiro 2010 às 06:00

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Estreia – A Fita Branca (Das Weisse Band)

Tenho um amigo (por sinal famoso) que sempre diz que crítico só gosta de filme chato. Cada vez mais acho que ele tem razão. Se não, como explicar o sucesso deste pretensioso filme, que estreia nesta sexta (12)?

Parece certo que A Fita Branca ganhará o Oscar de Filme Estrangeiro, embora essa categoria costume apresentar surpresas de última hora.

As primeiras exibições deste filme, aqui na Mostra Internacional (ganhou a Palma de Ouro em Cannes, em 2009), coincidiu com sua estreia em Nova York e com as entrevistas do seu autor, Michael Haneke, recusando-se a explicar a história, ou mesmo confirmar dúvidas e dar dicas. Faz aquela linha de que cada um deve inventar uma teoria e entender o que deseja, o que irá provocar polêmicas entre aqueles dispostos a enfrentar este filme intrigante, em preto e branco, com 144 minutos e nenhum alívio cômico.

A história é narrada pelo professor de uma cidadezinha chamada Eichwald, uma aldeia do interior da Alemanha, pouco antes da Primeira Guerra Mundial. Ele faz uma ligeira menção de que o que sucedeu lá teria algo a ver com os futuros acontecimentos históricos (quer dizer, o nazismo), o que tem provocado especulação (já que isso não fica muito claro).

A trama me lembrou um pouco O Corvo, de Clouzot (que por sinal saiu recentemente em DVD, aqui no Brasil), com seu clima de aldeia do interior, onde se levantam suspeitas e ocorrem crimes bizarros. Aqui, há uma família rica e nobre exploradora de camponeses que lutam para sobreviver. Os filhos destes frequentam a escola e são controlados pelos pais de uma maneira brutal (alguém que não gostou do filme o definiu como “uma óbvia e pueril tentativa de explicar o fascismo”). Há também um pregador protestante igualmente intolerante com a família.

Tudo começa quando o médico local cai literalmente do cavalo depois que tropeça em um arame colocado ali propositalmente. Quem é o culpado? Como não é um filme de mistério tradicional, você não deve ter muita esperança em descobrir os fatos! Logo depois, a mulher de um camponês morre caindo no celeiro, porque a madeira estava podre e os dois filhos do Barão ficam revoltados e querendo vingança (um deles destrói a horta do patrão). A única coisa positiva é o romance de um professor com uma criada que foi demitida.

a fita branca rubens Estreia   <i>A Fita Branca</i> (<i>Das Weisse Band</i>)

Quando chega o inverno, as atrocidades continuam (um dos filhos doentes mentais da governanta – e amante do médico viúvo - aparece torturado e quase cego) até o atentado em Sarajevo e o começo da Guerra. Mas não espere muitas explicações ou desenlaces, fica tudo por isso mesmo (uma dica seria o subtítulo do filme em alemão, que é Uma História de Crianças Alemãs).

Como sempre, Haneke gosta da câmera estática, da ausência de trilha musical. Tudo foi rodado em cores e copiado depois em preto e branco (efeitos digitais apagaram detalhes modernos e até acentuaram traços de certas figuras).

Parece que a leitura mais óbvia seria de que aquilo tudo mostraria O Ovo da Serpente (como fez Bergman, no filme homônimo), ou seja, a sociedade alemã revelando o germe da doença que depois floresceria como a social democracia, o nazismo. Eu acho que é forçar a barra, e muito. Mas é a única explicação que tem sido dada ao filme, e está todo mundo aceitando como verdadeira.

Crítico gosta de final aberto que as pessoas saem discutindo, espectador normal nem tanto. Nem eu.

Saiba mais sobre a carreira de Michael Haneke:

Diretor e roteirista alemão, nascido em 23 de março, de 1942, em Munich, Bavaria, que conseguiu sucesso em Cannes, com três prêmios para seu A Professora de Piano (melhor atriz para Isabelle, melhor ator para Benoît Magimel e Especial do Júri). Foi criado em Wiener Neustadt e por isso tem nacionalidade austríaca), estudou filosofia, psicologia e teatro em Viena. Seus pais são atores: Fritz Haneke e Beatrix Degenschild. De 1967 a 1970, trabalhou para TV alemã, passando depois a dirigir para cinema. Também é diretor de teatro e encenou peças por toda a Europa. Mas fez besteira refilmando Violência Gratuita, em versão americana. A Fita Branca ganhou a Palma de Ouro e o prêmio da crítica em Cannes, em 2009.

Seus trabalhos:

1974 – After Liverpool (Hildegard Schmahl, Dieter Kirchlechner. TV).

1976 –Drei Wege Zum See (Bernard Wicki, Ursula Schult. TV). Sperrmüll (Suzanne Geyer, Ernest Fürbunger. TV).

1979 – Lemminge, Teil 1 Arkadien (Regina Sattler, Christian Ingomar. TV). Lemminge, Teil 2 Verletzungen (Monika Bleibtreu, Elfriede Irrall. TV).

1983 – Variation (Udo Samel, Eva Linder. TV).

1984 – Wer War Edgar Allan? (Rolf Hoppe, Paulus Manker. TV).

1985 – Fraulein (Lou Castel, Angelica Domröse. TV).

1989 – Die Siebente Kontinent (Udo Samel, Dieter Berner).

1991 – Nachruf Für Einen Mörder (TV).

1992 Benny´s Video (Angela Winkler, Arno Frisch).

1993 – Die Rebellion (Judit Pogány, Branko Samarovski. TV).

1994 – 71 Fragmente einer Chronologie dez Zufalls (Lukas Miko, Gabriel Urdes).

1995 – Lumiére e Cia. (Lumiére et Compagnie. Epis.). Wolfzeit (Susanne Lothart, Udo Samel).

1997 – Violência Gratuita (Funny Games. Ulrich Mühe, Susanne Lothar). Le Château ou das Schlob (Ulrich Mühe, Susanne Lothar. TV).

2000 – Código Desconhecido (Code Inconnu ou Code Inconnu: Récit complet de divers voyages. Juliette Binoche, Tghierry Neuvic).

2001 A Professora de Piano (La Pianiste. Isabelle Huppert, Benoît Magimel).

2003 – O Tempo do Lobo (Le Temps du Loup. Isabelle Huppert, Béatrice Dalle).

2005 – Caché (Idem. Daniel Auteuil, Juliette Binoche).

2007 –Violência Gratuita (Funny Games U.S. (Naomi Watts, Tim Roth).

2009 –A Fita Branca ( Das Weibe Band . Ulrich Tukur, Susanne Lothar)

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