20 fevereiro 2010 às 06:00
Coluna de DVD – Novos clássicos para levar para casa
Paisagem na Neblina *****
Topio Stin Omichli
Áud: Grego. Leg: Port. Drama. Widescreen. 133 min. Cor. 1988. Grécia. Lume. 10 anos.
Diretor: Theo Angelopoulos . Elenco: Michalis Zeke, Tania Palaiolougou, Stratos Tzortzogiou.
Sinopse: Casal de irmãos parte em um trem da Grécia para a Alemanha, onde supostamente vive o pai que nunca conheceram. Durante a viagem, as crianças passam por uma série de problemas e tragédias.
Comentários: Provavelmente, a obra-prima do grande diretor grego (difícil dizer, entre tantos grandes filmes). Ganhou prêmio do Fórum em Berlim, Leão de Prata e mais seis prêmios em Veneza e melhor filme do European Film Award. Sempre narrado com seu estilo habitual - de movimentos lentos de câmera que vão estabelecendo o ritmo da história -, é um filme de estrada, feito com muita sutileza, mesmo quando a situação é brutal. Completaria o que ele chamou de “Trilogia do Silêncio”. Lembra um pouco Aventura, de Antonioni, filmes de Wim Wenders, Bresson, mas é uma história muito triste, cheia de angústia e desesperança.
Os heróis são Voula de 11 anos, e seu irmão Alexander, de 5, que viajam clandestinos num trem, atrás de um pai que não existe e foi inventado pela mãe. Elas aprendem sobre trabalho, dinheiro, violência, amor. Mas nunca perdem a compostura, o silêncio, nem mesmo quando encontram um chofer de caminhão que estupra Voula na traseira de seu caminhão, e um motoqueiro gay que os ajuda. E sempre a paixão que o diretor tem pelos atores ambulantes (aqui, numa praia deserta, eles relembram a Guerra Mundial e a Guerra Civil). Com belas imagens e alguns símbolos, é um filme inesquecível. Filmografia.
Pasqualino Sete Belezas ***
Pasqualino Settebellezze
Aud: Ita 2.0. Leg: Port. Drama. Widescreen 1.66:1. 116 min. Cor. 1975. Itália. Cult Classic. 18 Anos. Diretora: Lina Wertmüller. Elenco: Giancarlo Giannini, Fernando Rey, Shirley Stoler, Piero Di Iorio, Elena Fiori, Enzo Vitale, Roberto Herlitzka.
Sinopse: Durante a segunda Guerra, o italiano Pasqualino deserta, é capturado pelos nazistas e confinado em um campo de concentração onde, covarde e fraco, faz de tudo para sobreviver.
Comentários: Durante os anos 70, os críticos americanos (sabe-se lá por que) se apaixonaram por este filme e, por tabela pela obra de Lina Wertmüller, que foi assistente de Fellini (e isso fica evidente em muitas imagens e influências). Chegaram ao ponto de lhe darem a honra de ser a primeira mulher indicada ao Oscar de direção.
Hoje, todo mundo concorda que foi uma alucinação coletiva, mas que, apesar de tudo, Lina tinha realmente certo talento e personalidade, que se refletiu em particular neste trabalho.
Este drama ficou durante anos vetado pela censura brasileira, e o Oscar daquele ano foi para John G. Avildsen por Rocky, o Lutador. Aqui, ela demonstra o seu melhor: a direção inspirada de atores, o cuidado estético, a disposição para mexer com temas difíceis e controversos. Ainda que com gosto pelo exagero, o mórbido, o grotesco.
Pasqualino, cruelmente apelidado “Sete Belezas” por causa de suas sete irmãs feias, é atirado em um campo de concentração nazista, após desertar do exército. Em longos flashbacks, conhecemos seu triste passado: um assassinato involuntário, o aprisionamento, sua transferência para um hospício e a adesão ao exército como forma de não enlouquecer. Ele usa a fraqueza e a covardia como maneiras de sobreviver no campo - o que inclui se recusar a ouvir seus companheiros politizados e tentar seduzir a obesa oficial nazista que o insulta e despreza.
O personagem poderia ser puramente desprezível, se não fosse interpretado com apuro pelo ator favorito da diretora, Giancarlo Giannini (indicado ao Oscar), numa chave melancólica, que parece esconder um grande conflito interno em suas atitudes patéticas e pusilânimes. Lina usa o grotesco cômico para mostrar como é fácil deixar de lado a integridade e a humanidade com a desculpa de viver mais um dia, ainda que sem horizontes e razão. E como a sociedade, muitas vezes, dá tanto estímulo para isso quanto uma brutal prisão nazista. Foi indicado ainda aos Oscars de roteiro original e filme estrangeiro. A direção de arte e cenografia é do marido dela, Enrico Job. Como extra, galeria de fotos.
O Amor ***
Szerelem
Áud: Hungaro. Leg: Port. Drama. Widescreen. 88 min. Cor. 1971. Hungria. Lume. Livre.
Diretor: Karoly Makk . Elenco: Lili Darvas, Ivan Darvas, Mari Torocsik.
Sinopse: Uma velha está morrendo sob os cuidados da sua nora e uma empregada, sonhando com o retorno do filho.
Comentários: Até agora inédito no Brasil, este é um filme delicado, sensível e cheio de detalhes. Um drama em que o diretor tenta driblar a censura comunista da época. Tudo é revelado com muito cuidado, aos poucos, deixando apenas para a parte final a revelação de quem é o filho, onde está, o que faz. O diretor tem um olhar, uma forma narrativa muito especial, e o filme é o canto do cisne de uma célebre atriz húngara que também trabalhou em Hollywood, desde o começo dos anos 50: Lili Darvas (1906-74) e que foi esposa do famoso escritor Ferenc Molnar. E o ator que faz o papel de seu filho é Ivan Darvas (1925-2007), que apesar do nome, não é parente. Um belo e discreto filme. Filmografia.
O Mestre da Música ****
Le Maître de la Musique
Áud: Francês . Leg: Port. Drama musical. Widescreen.95 min. Cor. 1988. Bélgica. Cult Classic. Livre.
Diretor: Gérard Corbiau. Elenco:José Van Damm, Anne Roussel (dublada nas canções por Dinah Bryant), Philippe Volter (dublado por Jerome Pruett), Sylvie Fennec, Patrick Bauchau, Johan Leysen.
Sinopse: Veterano barítono que se aposenta e aceita como aluna uma moça talentosa. Mas esta também encontra um jovem vigarista com ótima voz e que a convence a estudar canto.
Comentários: Este foi o Amadeus daquele ano no Brasil. Um cult movie que ganhou o prêmio especial do júri, no Festival do Rio, e depois foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro (estranhamente, seu diretor não foi adiante). Era estreante e desconhecido na época, sabendo mexer com a emoção da plateia - até mesmo daqueles que não se interessam por música erudita.
Muito romântico, o filme vai suave até o final, quando ocorre um concurso musical e o casal tem que se apresentar contra os protegidos de um príncipe. Tem até uma conclusão que pode fazer chorar. Uma autêntica surpresa, que estava esquecida. Fotos do filme.
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