post-icon

21 fevereiro 2010 às 06:00

comentarios-icon2 Comentários »

A Causa Secreta

A Causa Secreta ***

Aud: Port 2.0. Leg: Ing. Drama. Standard. 86 min. Cor. 1994.  Brasil. Versátil. 16 Anos.

Diretor: Sérgio Bianchi. Elenco: Renato Borghi, Ester Góes, Cláudia Mello, Rodrigo Santiago, Elisa Lucinda, Lígia Cortez, Alexandre Paternost, Luiz Ramalho.

 Sinopse: Grupo de teatro repleto de conflitos internos resolve sair às ruas para usar a realidade do país como laboratório.

causa secreta blog <i>A Causa Secreta</i>

Foto: Divulgação

Comentários: Este filme duro e difícil de Sérgio Bianchi causou polêmica no lançamento devido a uma curta sequência envolvendo a tortura de um rato. Mas, fiel aseu estilo implacavelmente crítico, Bianchi recheou o filme de horrores muito piores. Ele se inspirou livremente em um conto de outro crítico mordaz do Brasil, Machado de Assis, para mostrar, por meio de um grupo de teatro pretensamente engajado, um microcosmo do país, cujo espírito um dos personagens já verbaliza logo de cara: “o que fazer perante a dor alheia? O primeiro passo é não fazer nada...”.

Liderados por um diretor ausente e agressivo (Renato Borghi), que gasta mais tempo implorando por verbas públicas do que dirigindo, um grupo de atores heterogêneo e repleto de pequenos poderes e mesquinharias resolve ir às ruas em busca de material para a peça que estão montando. Mas as mazelas da sociedade brasileira testemunhada (hospitais públicos abandonados, crianças esmolando, portadores do vírus HIV dependendo de caridade) causam pouco impacto sobre o grupo, mais interessado em seu trabalho na peça, sexo, ou reclamar uns dos outros. A moça negra que sonha em abandonar os papéis de empregada (Elisa Lucinda), o astro da TV alheio e homossexual (Rodrigo Santiago), a atriz insegura (Cláudia Mello, premiada no Festival de Brasília), o esquerdista repleto de clichês vazios (Luiz Ramalho), a cenógrafa histérica e pretensiosa (Esther Góes). Como de hábito, a metralhadora de Bianchi não poupa ninguém, todos são igualmente patéticos, alienados, pequenos e incoerentes em suas atitudes nominalmente engajadas, mas infinitamente egoístas. E, como também é hábito no cinema do diretor, sempre de baixo orçamento, não dá para falar em entretenimento no que é outro libelo, uma verdadeira porrada contra os graves problemas sociais brasileiros e, em especial, contra a apatia e o desinteresse da população em resolvê-los. Como extras, há depoimentos em vídeo de Renato Borghi e do professor da USP Marcos Soares, mais fortuna crítica.

Veja mais:

+ Morre autor do livro Love Story
+ Asterix volta ao cinema com Laurent Tirard
+ Todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A