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21 fevereiro 2010 às 06:00

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Cronicamente Inviável

Cronicamente Inviável ****

Audio: Port 2.0. Legendas: Inglês.Drama/Sátira.Standard 103 min.

Cor .2000.Brasil.Agravo Prod.Europa/Versátil.Censura sugerida 18 anos

Diretor: Sérgio Bianchi

Elenco: Umberto Magnani, Betty Goffman, Dira Paes, Cecil Thiré, Dan Filip Stulbach, Zezeh Barbosa, Leonardo Vieira, Zezé Motta, Cosme dos Santos, Rodrigo Santiago, Ivonne Hoffman, Claudia Mello, Petrônio Gontijo, Roberto Bontempo.

Sinopse: Em forma de crônica bem humorada, irônica e amarga, várias histórias e personagens se cruzam em torno de um restaurante paulistano, envolvendo personagens vindos de lugares diferentes do Brasil, todos demonstrando a tese de que este é um país cronicamente inviável.

cronicamente inviavel blog1 <i>Cronicamente Inviável</i>

Foto: Divulgação

Comentários: Um dos raros filmes brasileiros recentes que tem alguma coisa a dizer. É uma fita muito bem humorada e contestadora, feita em estilo de crônica, ou seja, com um narrador ligando várias histórias paralelas, tirando conclusões, jogando fatos, fazendo provocações. O narrador seria um sociólogo importante, autor de livros (no final terá uma revelação sobre ele extremamente cáustica). Numa série de fatos aparentemente banais, ilustra-se a dificuldade de se viver no Brasil, de enfrentar nossa realidade, num país cada vez mais corrupto, mais podre, mais violento. Você vai rir, mas rir amargo, amarelo (murmurando “é assim mesmo”), porque a fita episódica é por vezes chocante. A primeira impressão é a de que o filme iria perturbar, por alguns momentos, os homossexuais quase explícitos, mas o curioso é que o resto é tão forte como imagem que isso acaba passando batido. O filme mostra como o dono do restaurante (Cecil Thiré) explora sexualmente seus garçons e um deles (o galã Leonardo Vieira, numa interpretação muito corajosa) instrui um colega, levando-o a uma boate gay onde os concorrentes se masturbam abertamente para parecerem mais bem dotados. E uma das frases mais terríveis é quando um conta para o outro que deve evitar certas coisas (impossível de repetir aqui). Enfim, no frigir dos ovos essa sequência crua acaba sendo a menos importante porque a moral da história é de que todos, de alguma forma, prostituem-se e se vendem num país cada vez mais cheio de contradições e loucuras. Algumas cenas não são fáceis de esquecer como a do garoto carioca, que tem seus tênis roubado por um pivete e depois briga com a mãe que tenta defender o garoto. É um momento tragicômico fantástico como outros igualmente patéticos: a família da empregada que se arruma toda para ir à festinha da família, a empregada que é encontrada com o amante na cama da patroa. Sérgio Bianchi consegue ser fiel a outros filmes seus (Maldita Coincidência, Romance) em que sempre teve problemas financeiros para terminá-los e nos quais sempre denunciou os absurdos de nossa terra e condição, mas nunca teve a força e a verve anarquista deste filme. Ou talvez seja simplesmente porque o mundo e o país pioraram tanto, que o discurso de Bianchi acabou sendo ainda mais oportuno. O filme serviu também para revelar Dan Stulbach. Traz filmografias, notas de produção, trailer, teaser. 24 capítulos.

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