21 fevereiro 2010 às 06:00
Quanto Vale Ou é por Quilo?
Quanto Vale Ou é por Quilo? ****
Título de exportação: não tem.
Idioma: Português. Legendas: não tem. Gênero: Drama. Formato: Widescreen. Tempo: 110 min. Cor. Ano: 2005. País de origem: Brasil. Distribuidora: Europa. Censura sugerida: 14 anos. Censura original: 14 anos.
Diretor: Sergio Bianchi. Elenco: Claudia Mello, Zezé Motta, Milton Gonçalves, Caio Blat, Silvio Guindane, Herson Capri, Leona Cavalli, Ana Carbatti, Lázaro Ramos, Ana Lucia Torre, Caco Ciocler, Emilio de Melo, Miriam Pires, Umberto Magnani.
Sinopse: Episódios da história brasileira referentes à escravidão, nos tempos antigos e atuais.

Foto: Divulgação
Comentários: Sou grande admirador do trabalho do diretor Bianchi, que conseguiu criar um estilo e um espaço próprio. Parece-me que ele é atualmente o único cineasta contestador deste país, já que todos estão mais ou menos conformes com a situação ou comprometidos com ela. Mas Bianchi prossegue na sua luta, naturalmente enfrentando os problemas decorrentes de sua audácia (tais como ter este seu filme muito mal lançado, incompreendido pela crítica e ignorado pelos jornais). Embora seja dos seus melhores filmes de uma certa maneira, assusta as pessoas desacostumadas com tanta ferocidade (e me pareceu que desta vez ele utilizou menos o humor como arma, ainda que presente, mas não de modo aberto e constante). Mas sem dúvida é seu melhor filme, tanto como acabamento (a fotografia, a montagem são impecáveis), quanto como na condução de atores (fica visível como ele protegeu seu elenco, que, aliás, é um quem é quem do cinema brasileiro, reunindo amigos de fitas anteriores, junto com o indefectível Caco Ciocler, Herson Capri – nunca melhor – até Claudia Mello – uma atriz magnífica e pouco aproveitada em geral). Em geral, pareceu-me que Sergio usou muito bem os atores, mesmo quando eles não têm muitos recursos.
É verdade, porém, que o filme tem menos comunicação do que Cronicamente Inviável, até mesmo por causa da temática que é mais obscura e intelectualizada. As idas e vindas entre passado e presente, talvez tenham prejudicado o ritmo. O fato é que o resultado é menos divertido e contundente do que o filme anterior, ainda que este tenha um final (melhor dizendo, dois, porque depois dos primeiros letreiros, há uma alternativa) extremamente feroz e até mesmo discutível na figura do rapaz Silvio Guindane, que se torna um bandido e depois um corrupto, mas ainda é encarado como herói. Outro problema: o título é complicado e pouco comercial. Mas, definitivamente, é um filme para se assistir e discutir porque é isso mesmo que pretende: polêmica. A proposta é levantar as suspeitas sobre as Ongs, Organizações Não Governamentais que encontram maneiras de desviar verbas e aferir lucros mesmo quando estão com a desculpa de ajudar os pobres. Isso é mostrado por mio da ação de uma dessas Ongs, que estão ameaçadas de serem denunciadas por duas funcionárias negras que descobrem a corrupção. O roteiro faz um paralelo com fatos reais, tirados de arquivos, mostrando como no passado, durante a escravidão no século 18, era possível também explorar, de uma maneira ou outra, os mais frágeis, no caso a população negra, mesmo quando alforriada. Com eficiente recriação de época, é feito um paralelo entre as duas situações, que não são assim tão diferentes. Para a saúde do cinema nacional, é preciso que Sergio continue a filmar, que não mude, que continue contestador e implacável. Que bom que ele existe e tem tanto talento. Entrevistas, making-off, notas de produção.
Veja mais:
+ Mandela no cinema
+ Conheça a carreira de Michael Haneke
+ Todos os blogueiros do R7











