21 fevereiro 2010 às 06:00
Romance
Romance ****
Aud: Port 2.0. Leg: Ing. Drama. Widescreen 1.66:1. 98 min. Cor. 1988. Brasil. Versátil. 16 Anos.
Diretor: Sérgio Bianchi. Elenco: Imara Reis, Isa Kopelmann, Rodrigo Santiago, Cristina Mutarelli, Sérgio Mamberti, Hugo Della Santa, Beatriz Segall, Elke Maravilha, Maria Alice Vergueiro, Ruth Escobar.
Sinopse: Em busca da verdade sobre a morte de um intelectual radical e denunciador de falcatruas políticas, jornalista se vê ameaçada e perdida.

Foto: Divulgação
Comentários: O estilo muito pessoal de Sérgio Bianchi, misturando dramaturgia, alegoria e fortes denúncias em estilo semidocumental, sedimentaria-se nessa produção conturbada que ele começou a rodar em 1986 com Fernanda Torres, como sempre com pouco dinheiro, e só foi terminar dois anos depois, com Imara Reis no lugar da atriz original. Ela faz muito bem o personagem central, uma jornalista que, no estilo Cidadão Kane, tenta entender a personalidade e a morte estranha de um intelectual de esquerda (Santiago), ocorrida justamente quando ele estava para publicar um livro que desvendaria um caso de corrupção política, inclusive dando nomes, e que também sumiu. Aos poucos, ela vai vendo que há toda uma estrutura de poder e interesses encobrindo os fatos, e vê o radicalismo das atitudes e ideias do morto abalando não apenas a ela, mas também a companheira dele (Isa Kopelmann) e um rapaz homossexual, seu amigo e confidente (Hugo Della Santa). Um pouco mais linear do que os filmes posteriores de Bianchi, com dramaturgia mais convencional (o roteiro é do consagrado Caio Fernando Abreu), acaba sendo um dos melhores trabalhos do diretor, graças também ao excelente trabalho das duas atrizes centrais, ambas premiadas (junto com Bianchi) no Festival de Brasília. A edição caprichada traz ainda, além de depoimentos de Imara e Bianchi, fortuna crítica e o curta-metragem Divina Previdência (10 min, 1983), o celebrado documentário em média-metragem Mato Eles? (34 min, 1982). Muito premiado, é uma brutal, mas bem-humorada e sarcástica denúncia sobre o genocídio indígena no Brasil, focada em uma reserva do Paraná, onde os índios trabalham em uma serraria montada justamente pela FUNAI, servindo como mão de obra barata para devastar suas próprias terras. Como viraria depois marca registrada do diretor, ele pontua os depoimentos com cifras na tela, mostrando os valores desviados em questão, e separa o filme em blocos, que aqui são divididos por telas, com hilárias questões de múltipla escolha.
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