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4 março 2010 às 06:01

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Estreia – Direito de Amar

Direito de Amar (A Single Man)

direito de amar rubens Estreia   <i>Direito de Amar</i>

EUA. 2009. Direção e  roteiro de Tom Ford, baseado no livro de Christopher Isherwood, Cabaret . Co-roteiro de David Scearce. Com Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Ginnifer Goodwin, Jon Kortajarena, Paulette Lamori.

Ninguém podia prever que, logo em sua estreia, o filme teria na direção um homem da moda, sem experiência anterior no cinema (a não ser que você conte a aparição em Zoolander ou os figurinos que fez para Quantum of Solace) fosse sair-se tão bem. Ainda mais num projeto tão pessoal que foi o próprio Ford quem investiu dinheiro para realizá-lo, coisa raríssima no cinema. Para ajudá-lo na produção, pediu a ajuda de Chris Weitz (Lua Nova), que pela primeira vez trabalhou sem a ajuda do irmão Paul Weitz, o permitindo rodar em apenas 21 dias!

Com todas essas restrições, não dava mesmo para imaginar a qualidade desta bela adaptação de um livro de Christopher Isherwood (1904-1986), de 1964, um escritor abertamente gay. Só que fica tudo concentrado num único dia, que condensa todos os eventos mais importantes na vida deste homem solteiro, um professor universitário que descobre que o rapaz com quem vive junto há muito tempo, Jim (feito pelo inglês Matthew Goode, revelado por Woody Allen, em Match Point), morreu num acidente de carro na neve, quando está visitando parentes (que não aprovavam a relação). De repente, este homem tão comum fica devastado, sem razão para continuar a viver. A ação se passa em 1962, o ano da crise de mísseis com Cuba, e ele ensina Huxley para alunos entediados. Existe uma única amiga que pode escutá-lo, um inglesa expatriada como ele (Julianne Moore, que foi esquecida no Oscar, mas tem uma ponta especial e marcante). Ele cruza com um garoto de programa, Jon, mas a figura que o impressiona é um aluno esperto, que parece estar flertando com ele (o papel é do Nicholas Hoult, que era o astro de Um Grande Garoto, cresceu e tem olhos enormes, azuis e hipnóticos. Já é astro na TV inglesa, e com certeza este filme vai alavancar sua carreira, está também em Fúria de Titãs). Esse personagem sem querer revelar demais, tem uma função parecida com a de Tadzio, em Morte em Veneza.

Seria de se esperar que esse filme fosse de bom gosto, pois retrata a história de um homem que passou a vida inteira dedicada a isso, mas ele soube orquestrar um resultado acima da média na trilha musical harmoniosa e angustiante e na bela fotografia. E principalmente na excelente condução do elenco. Conheço Colin Firth desde sua estreia no cinema (estava em Cannes) e ele sempre teve essa cara de confiável e bom sujeito, que o tem mantido fazendo papel de galã de confiança. Mas ele nunca revelou um lado tão humano, tão sensível, deixando seu rosto demonstrar todas as emoções de um homem que cansou de viver, não tem mais razão para continuar sozinho. Ele merece a indicação ao Oscar (e outros prêmios) e na verdade está melhor do que Jeff Bridges, que deverá ser o vencedor. Mesmo o filme merecia mais. Este é um projeto muito difícil que ele conduz com muito talento e dignidade.

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