11 março 2010 às 10:30
Estreia – Ilha do Medo (Shutter Island)
Ilha do Medo - Shutter Island
Direção de Martin Scorsese. EUA 2010. Roteiro de Laeta Kalodridis, baseado em livro de Denis Lehane. Com Leonardo DiCaprio, Mark Fuffalo, Max Von Sydow, Bem Kingsley, Patricia Clarkson, Jack Earle Harley. Warner.
Graças a um trailer que o vendia como filme de terror, A Ilha do Medo acabou sendo o maior sucesso de bilheteria da carreira de Martin Scorsese, chegando perto dos US$ 100 mi de dólares até agora (cerca de R$ 177 mi).
Cheguei a encontrar gente que dizia que estava com medo de se assustar demais com o filme, julgando simplesmente pelo trailer montado pelo estúdio, que dava uma impressão errada. Mas, assim atraiu também os jovens adolescentes fãs do gênero.
O que resultou em uma semana de estreia espetacular, com mais de US$ 60 milhões de dólares de renda (cerca de R$ 106,2 mi) e menos decepção do que eu previa.
Eu vi o filme em um domingo à noite, com sala cheia e ansiosa, que o assistiu respeitosamente, escondendo qualquer rancor. Afinal não há exatamente sustos, nem momentos de pavor, apenas um clima de thriller, de desconforto e apreensão.
Achei Ilha do Medo muito bem realizado com todo o estilo e competência do diretor, que é um dos últimos a se importar, recriando o tom de film noir em pequenos detalhes, reflexos de luz nos chapéus, movimentos de carrinho com a câmera, utilização de uma trilha musical antiquada e retumbante (mas que, por vezes, compensa o suspense que falta na cena). Valeria a pena ver de novo só para prestar mais atenção a esta verdadeira aula de cinema.
Por outro lado, por mais que Scorsese se esforce, não tem como esconder os defeitos mais óbvios. O roteiro, de um dos co-produtores de Avatar, conta uma história passada em 1954, quando dois delegados federais (DiCaprio e Ruffalo, ambos bem) enfrentam tempestade para chegar a uma prisão, que fica isolada numa ilha e que funciona também como sanatório para doentes mentais.

Eles vão atrás de uma fugitiva que teria escapado do local e poderia ter se refugiado nos recifes. Nadar seria impossível e há apenas uma balsa por dia para o lugar. Logicamente os doutores são europeus, sinistros e feitos pelos ilustres Max Von Sydow, dos filmes de Bergman e Ghandi Ben Kingsley.
Vou tentar ser o mais discreto possível, mas o fato é que, depois de uns quarenta minutos, quando certas informações são passadas, já começamos a desconfiar da resolução, que para qualquer veterano dos filmes de suspense recentes, não será difícil matar.
Além de haver um excesso de flashbacks de cenas com DiCaprio liderando campos de concentração, no fim da Segunda Guerra, essa justificativa psicológica acaba sendo pesada e nem sempre necessária, além de não levar a nada concreto.

Eu lutei para não acreditar nessa resolução tão evidente, mas há um ponto em que fica óbvio demais, ou seja, é o adeus final à surpresa. Não menciono as referências para não ser estraga prazeres. Não adianta o DiCaprio se esforçar tanto, nem a narrativa ser estilosa, se a história não segura. Acredito que o boca a boca do filme vai ser negativo por causa disso.
Este final você já viu antes e muitas vezes. E como sempre, a gente fica se perguntando: será que ninguém lê roteiros e vê que acaba sendo muito barulho por muito pouco? De qualquer forma, faço a ressalva: Scorsese é ainda hoje um dos poucos diretores que parece ter prazer em fazer um filme requintado e à moda clássica.
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