14 março 2010 às 06:00
Os melhores finais surpresa do cinema
O sucesso de Ilha do Medo, atualmente em cartaz nos cinemas, é justificado não apenas porque se trata de filme de horror (ainda que disfarçado de thriller), mas, principalmente, porque tem um final surpresa, que para a maioria das pessoas é inesperado.
Esse recurso é relativamente velho no cinema e já marcou muitos sucessos. Resolvemos mostrar para vocês aqueles que achamos que foram os finais inesperados mais comentados e discutidos da história do cinema, ao menos nos últimos anos.
Todos tiveram incrível repercussão e foram muito comentados na época (e até hoje). Esta lista não é nem pretende ser definitiva.
É apenas uma lembrança de momentos marcantes (não exclusivamente de suspense ou terror). E aceitamos sugestões para uma continuação ou outra lista.
Vamos fazer a lista de 15 destaques, do mais velho ao mais novo, sempre que possível ilustrando-as. Sem ordem de grandeza, mas destacando os 15 melhores finais. Ah, no texto eu não revelo qual era a surpresa! Mas os vídeos têm spoilers, mostram o final! Assistam às cenas por sua conta e risco (todos estão disponíveis em DVD no Brasil). Agradeço a colaboração dos gêmeos Marcos e André.
1. Rebecca, a Mulher Inesquecível (Rebecca, 1940)
O primeiro filme americano de Alfred Hitchcock, um suspense romântico baseado em livro de Daphne Du Maurier. Um êxito absoluto, que levou Oscar de Melhor Filme e transformou Joan Fontaine em estrela. Mas o papel mais marcante foi a sinistra governanta Mrs. Danvers. A surpresa sobre a identidade de Rebecca (não a heroína, mas a ex-esposa do nobre inglês Max de Winter/Laurence Olivier) é revelada ao final. E foi um escândalo!
2. À Meia Luz (Gas Light, 1944). Direção de George Cukor.
O teatro forneceu grandes finais surpresas (outros destaques foram Sleuth/Jogo Mortal, 1972, com Olivier e Michael Caine e Armadilha Mortal/Death Trap, novamente com Caine, e Um Clarão nas Trevas/Wait Until Dark, com Audrey Hepburn). Mas este é a origem de quase todos eles. Um texto antigo de Patrick Hamilton, que teve varias versões no cinema. Mas este deu Oscar para Ingrid Bergman, como a esposa de Charles Boyer que está ficando louca e ouvindo vozes e vendo luzes se apagando. O final foi muitas vezes depois copiado.
3. As Diabólicas (Les Diaboliques, 1955)
O cinema francês também gosta de surpresas. Foi Henri George Clouzot quem fez esta versão definitiva do livro de Boileau /Narcejac (muitas vezes imitada e mal refeita nos EUA, com Sharon Stone). Esposa (a brasileira Vera Amado Clouzot, mulher do diretor) e amante (Simone Signoret) de diretor de escola resolvem matá-lo. Várias surpresas no meio e no fim.
4. Testemunha de Acusação (Witness for the Prosecution, 1957)
O melhor texto teatral de Agatha Christie, que resiste bem até hoje nesta versão dirigida pelo grande Billy Wilder. Charles Laughton está ótimo como advogado, Tyrone Power (seu ultimo filme) é o homem que esta sendo julgado mas é Marlene Dietrich que tem o melhor momento de sua carreira. A surpresa final é um “coup de teatre” (golpe teatral) que ainda não envelheceu.
5. A Teia de Renda Negra (Midnight Lace, 1960) de David Miller
Doris Day (que ainda está viva) não era apenas uma esplêndida cantora, mas também uma boa atriz, como demonstrou neste suspense rodado em Londres, onde ela é mulher rica ameaçada por atentados. Foi enorme êxito na época, mas depois desapareceu. O final surpresa, porém, virou surpresa, já que dizem que era esse o título do filme em Portugal. Piadinha, claro.
6. O Sol por Testemunha (Plein Soleil, 1960). Direção de René Clement
Primeira versão da história de Patrícia Highsmith sobre seu personagem Tom Ripley, desta vez com Alain Delon no papel do belo vigarista que assume o lugar de milionário. Solar e instigante, ficou marcado por um discreto e surpreendente final.
7. Psicose (Psycho, 1960)
Outro final que teve inúmeras imitações e destruiu a carreira de Anthony Perkins, desde então marcado pela imagem do personagem de Norman Bates. O filme de Hitchcock provoca vários sustos durante seu transcorrer mas, no final, as pessoas saíam discutindo, na dúvida se haviam entendido ou não o que se sucedeu.
8. O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968)
Um dos melhores filmes de ficção científica de sua época. Muito bem realizado (Oscar de Maquiagem), tem ideias originais, mas tudo só fica bem explicado numa notável seqüência quase muda ao final. Mesmo assim, os portugueses - e isso não é piada - lhe deram o título nos cinemas de O Homem que Veio do Futuro!
9. O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968)
O filme que deu status ao Diabo no cinema, numa adaptação brilhante de Roman Polanski do livro de Ira Levin. Outro filme que só se explica pelas cenas finais que, na época, provocaram sensação
10. Traídos pelo Desejo (The Crying Game, 1992)
No Brasil nem tanto, mas nos EUA foi um escândalo ao revelar a identidade de um dos personagens. Não exatamente no fim (eu sei que estou, aqui, estendendo um pouco o sentido da palavra), mas perto dele, e de forma que leva tudo a uma conclusão trágica. Direção de Neil Jordan, com um esquisito Jaye Davidson, que depois sumiu.
11. Instinto Selvagem (Basic Instinct, 1992)
O suspense que transformou Sharon Stone em símbolo sexual. Dirigido pelo holandês Paul Verhoeven com notável liberalidade, fala de um policial (Michael Douglas) que investiga um crime que uma escritora chamada Catherine Tremmel pode ou não ter cometido. O final deixa ainda mais dúvidas (aliás, esqueça a continuação patética).
12. Os Suspeitos (The Usual Suspects, 1995)
Revelação do jovem diretor Bryan Singer num filme, premiado com os Oscars de Roteiro e Coadjvuante (Kevin Spacey). Uma trama complicada de assalto e traição que ainda me deixou cheio de dúvida sobre quem seria mesmo Keyzer Soze!
13. Clube da Luta (Fight Club, 1999)
Tenho problemas com o filme porque um maluco saiu atirando num cinema em São Paulo durante uma sessão e matou uma amiga minha. Não sei até que ponto não foi o filme que fez disparar sua loucura. De qualquer forma, o trabalho do diretor David Fincher é notável, quando o tímido Edward Norton se envolve com Brad Pitt. Um pouco antes do final já dá para sacar quem é quem.
14. O Sexto Sentido (Sixth Sense, 1999)
Um final tão forte e tão convincente que até nos deu a impressão de que diretor M. Night Shyamalan tinha jeito para o gênero (vimos que não quando fez o ridículo Sinais, em que ETs que têm medo da água vêm logo para a Planeta Água, a Terra)! Mas o menino Haley Joel Osment provocou arrepios com a frase “Eu vejo gente morta”.
15. Os Outros (The Others, 2001)
Já não era tão novo, mas ainda surpreendeu a revelação final deste filme de fantasma produzido por Tom Cruise para sua então mulher Nicole Kidman, concebido e dirigido por Alejandro Amenábar.
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