23 março 2010 às 06:05
De volta de Curitiba
Depois da gravação do “TNT Mais Filme”, sábado de manhã, corri para Curitiba, onde está acontecendo o Festival de Teatro (sem dúvida, o maior e melhor do Brasil). Curitiba é uma cidade querida e uma das poucas que a gente visita sempre que tem oportunidade (ano passado, levei para o Festival a montagem de O amante de Lady Chatterley, que foi muito bem).
Também queria estar presente no domingo de manhã para o lançamento do livro “Os Reis dos Musicais”, que Tânia Carvalho fez para a Coleção Aplauso da Imprensa Oficial, sobre Cláudio Botelho e Charles Moeller (já lançado no Rio, mas ainda não aconteceu a noite de autógrafos em São Paulo).
Foi pretexto, claro, para ver o show do Cláudio, “Versão Brasileira”, que fez boa temporada no Rio (e em breve, virá para São Paulo, onde a dupla apresenta o musical “O Despertar da Primavera”).
Com Claudio Botelho, em frente à prefeitura: dois tímidos
O coquetel de lançamento foi às 11 da manhã de domingo na antiga prefeitura da cidade, restaurada (para essas coisas, os paranenses são impecáveis, o palácio está uma beleza!) e correu tudo legal. Fiquei muito feliz em ver o Mario Bortolotto em plena forma, depois dos infelizes acontecimentos (na verdade, na hora só nos cumprimentamos, maldita timidez!).
Que prazer em saber que Mario Bortolotto está de volta e em ótima forma! Eu observo aqui ele assinar seu livro.
Também estava o Ivam Cabral, do Satyros, e seu ótimo projeto de lançar novos dramaturgos, o excelente livro de Oswaldo Mendes sobre Plínio Marcos e o poderoso livro do Ornitorrinco (já comentei ambos aqui). Consegui algumas fotos, que passo para vocês. A de grupo certamente é a mais notável.
Cacá Rosset, Oswaldo Mendes (do livro do Plínio Marcos), o diretor do Festival Leandro Knopsholz, Christiane Tricerri (do Ornitorrinco), Mario Bortolotto, eu, Tania Carvalho, Botelho, Ivam Cabral, Luciano Mazza
Versão Brasileira, o show
Poucas vezes, gostei tanto de um show de um único interprete quanto deste solo de Cláudio Botelho, onde ele não nega a marca da dupla (com Charles Moeller): o profissionalismo, o bom gosto, a sensibilidade, a falta de concessões. Sabem do que gostam, sabem o que fazem. E para quem gosta de musicais é um presente, um deleite.
Costumo ser muito chato em shows, porque uma das coisas que reclamo é que acho que intérprete deve passar as intenções de uma determinada canção, passar as emoções, e não exibir seus dotes vocais, fazendo gorjeios e exageros. Vender a canção seria o termo mais usado. Pois ninguém faz isso melhor que Botelho, que demonstra isso também em alguns números em inglês (como na canção que afirma ser sua favorita, “Losing my Mind” de Sondheim, que por sinal, hoje comemora seus 80 anos e mereceu menção especial). Cada nuance, cada detalhe é devidamente acentuado e sempre com o inglês bem pronunciado, para ajudar mesmo o ouvinte brasileiro.
Como vocês devem saber, Cláudio é o grande tradutor de praticamente todos os grandes musicais montados no Brasil, de “My Fair Lady” à “Fantasma da Ópera”. Alguns são mencionados apenas, dado ao grande número deles, outros tem mais destaque, alternando canções bem humoradas (como “Money, Money” e o ponto alto que é “Eu sei que você é Gay”, de “Avenida Q”). Com três músicos em cena (no Rio, era em arena, em Curitiba foi palco italiano, mas não houve problemas, tudo funcionou perfeitamente - inclusive a discreta e eficiente projeção em torno de um Lua cheia). Espere! Estou sendo injusto, o certo seria acrescentar “excelentes” músicos (teclado, sopro e guitarra). O espetáculo é uma conversa de Cláudio com a plateia (que estava lotada e reagiu com entusiasmo, ainda mais se considerando que em Curitiba, não foram encenados a maior parte desses musicais que ficaram confinados a São Paulo e, às vezes, ao Rio, que só recentemente aderiram a moda).
Acho bom também fazer um parêntesis: queria contar que eu conheço o Botelho desde quando ele apresentou seu primeiro show em cima de musicais no Rio, sobre Gerswhin, junto com a Claudia Neto (que agora brilha no papel principal de “O Rei e Eu”, ela é o Eu!). Soube pelo Ney Latorraca que o Nanini estava dirigindo esse show e que era muito legal (os dois faziam Irma Vap e éramos muito próximos). Eu tinha acabado de entrar para a TVA Showtime e começávamos a produzir matérias para colocar no ar dessa primeira teve por assinatura.
Uma das primeiras que eu fiz no Rio foi justamente com eles, entrevista e gravação do show quase inteiro . Naquele momento, já vi que eles tinham talento e torcia para que o caminho que estavam abrindo desse certo. E foi o que aconteceu. Curiosamente só agora me aproximei mais de Cláudio e Charles (que eu conhecia um pouco por ser de Santos como eu e santista é sempre unido!) quando tive a ideia do livro e fui convidá-los.
O livro é um sucesso assim como eles, que implantaram um padrão de qualidade para brasileiros montando musicais (os do teatro Abril são importados ipsis literis e montados por estrangeiros, ou seja, são cópias mais ou menos fiéis), a dupla recria. E se pode dizer sem susto que nosso “O Despertar da Primavera” é muito melhor, mais inventivo, mais bem sucedido do que o original americano. Tem ainda outras qualidades que reputo fundamentais (por exemplo, são honestos e bom caráter). Mas o que me identifico é o amor que tem pelo gênero. O que a gente sente o tempo todo no espetáculo. Outros já tiveram essa paixão, mas não tem o know how da dupla.
Há algum tempo, Cláudio estava fora de cena (acho que desde Company, um dos grandes de Sondheim) e sua gana fica visível em tudo que faz em cena. Absolutamente preciso, inclusive nas improvisações (O bis foi no domingo o hino do show business americano “There´s no business like Show business”). Também se deu ao luxo de dar um trailer das próximas atrações que irão realizar nos próximos meses: “Um Violinista no Telhado”, “Gypsy” (que está em pleno ensaio), “Annie” , “Nine” , “Hair” e um com canções de Roberto Carlos. Fui até brindado com uma menção (Rubinho!) na hora de “Nine” (porque Cláudio e eu somos dos que gostam do show e Fellini).
Foram hora e quinze, hora e vinte de puro prazer (ah, o show já está gravado em DVD e eu comprei uma cópia. Suponho que seja vendido nos teatros que tem shows deles, aliás, como o próprio livro).
Veja mais:
+ Começam as obras do Teatro Cultura Artística
+ Luciano Szafir comenta o Festival de Teatro de Curitiba
+ Todos os blogs do R7










