27 março 2010 às 06:15
Lançamentos em DVD
A Saga Crepúsculo: Lua Nova **
The Twilight Saga: New Moon
Áud: Ing, Port. Leg: Port, Ing. Romance. Widescreen. 130 min. Cor. 2009. EUA. Paris Filmes. 12 anos.
Diretor: Chris Weitz . Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Ashley Greene, Dakota Fanning, Billy Burke, Michael Sheen
Sinopse: texto normal.
Comentários: Ao contrário do que todo mundo tentava provar, esta continuação não é muito melhor do que a primeira. A impressão é que não melhoraram de propósito: este segundo capítulo é quase tão ruim quanto o primeiro. Tem pouca ação, é interminável e com vários finais. Os efeitos especiais não melhoraram (os lobisomens são falsos e mal feitos). Não adiantou trocar de diretor: este Chris Weitz (Compasso de Ouro, Um Certo Garoto) é frio, não sabe criar tensão, atmosfera, emoção ou sequer romance. Para não dizer que tudo é pior, realmente a maquiagem de Edward (Pattinson) está ligeiramente menos falsa (em compensação, resolveram cobrir o rosto dele, de vez em quando, com uma camada de brilhos de estrelinhas que são absolutamente inadequadas).
A mocinha Kristen Stewart é um fenômeno de passividade. Em qualquer circunstância, a qualquer momento, ela tem a mesma expressão de coisa alguma. Os olhos são parados, a cara pálida (aliás, comentada várias vezes no filme) - declarando amor ou morrendo ferida, tem sempre a mesma cara de ausência. Verdade que o roteiro não ajuda nada. Não vamos nem lembrar do diálogo risível, mas nos fixar na tentativa frustrada de criar um triângulo amoroso - o que nunca sucede, porque o novo casal, Bella e Jacob, nem sequer conseguem se beijar direito. Obviamente então, o rapaz não é páreo para o vampiro.
Neste caso, a sumida que Edward dá logo no começo da historia só tem sentido porque a autora assim o ordenou, para prolongar a história. Ele continua a fazer aparições esporádicas na forma de anjo da guarda/ou fantasma, enquanto a moça desenvolve uma perigosa tendência autodestrutiva (outra coisa ruim, o filme traz mal exemplos para menores de idade, já que ela se vicia em adrenalina, arriscando a vida sem necessidade e se metendo também em riscos com motoqueiros- que não a estupram porque cortam a cena e novamente decidem o contrário). Dá a impressão de que o roteirista (uma mulher, Melissa Rosenberg, a mesma do anterior e do próximo, Eclipse) se enganou de filme e fez uma cena de comédia tipo American Pie, com Bella indo ao cinema com o Jacob e outro rapaz (que passa mal quando vê filme de ação!). Nada a ver com o espírito do filme.
Nem tudo, porém, é desastroso. Robert Pattinson tem um certo charme europeu que parece lhe ajudar, mas falta intensidade na cena de despedida do casal, que é muito frágil. Depois, só Bella mesmo não saca que Jacob virou lobisomem (o menino Taylor do filme anterior tomou tanto anabolizante que ficou deformado, parecido com o Incrível Hulk. O rapaz, ao menos, ainda tem certa juventude e espontaneidade, que compensam sua aparência mais assustadora que sedutora).
De vez em quando o filme melhora por instantes, porque surge um ator de verdade, no deserto geral. Por exemplo, o vampiro de dreadlocks, Laurent (Edi Gategi), que dá vida aos poucos momentos em que aparece. Mesmo Dakota Fanning, que tem errado muito, não se sai mal em suas poucas cenas como Jane. Não entendo o excelente Michael Sheen (A Rainha) novamente fazendo vampiro depois daquele horrível Underworld 3. Mas um bom intérprete sempre dá um “up”, apesar de prejudicado pelo figurino ruim e a direção de arte inominável (aquele gentarada encapuzada de vermelho, em plena “Volterra” medieval onde, de repente, pegam um elevador moderno e verde!). Não vou nem mencionar o fato de esquecerem que Bella machucou o rosto na cena anterior (bateu na pedra) e a trilha musical de canções insistentes (nenhuma delas é valorizada, mas ainda assim me pareceu das melhores coisas desta continuação).
Tem pouco destaque, pouco mais que uma sequência a depois indicada ao Oscar, Anna Kendrick, que faz a melhor amiga da heroína. Sai em DVD e Blu Ray. A versão simples tem como bônus clipe sobre o próximo capitulo, Eclipse. A edição dupla traz como extras: sinopse, ficha técnica, trailers, A Jornada Continua, Meet me on the Equinox, vídeoclipe de Death Cabie for a Cutie, Satellite Heart de Anya Marina, Nos Bastidores do ensaio de I Belong to You, por De Muse, Spotlight videoclipde Mutemath, comentário em áudio, clipe sobre Eclipse.
Corra que Tem Loucos por aí! *
American Carol, An
Áud: Ing , Port. Leg: Port, Ing. Comédia. Widescreen. 84 min. Cor. 2008. EUA. Europa. 14 anos.
Diretor: David Zucker . Elenco: Leslie Nielsen, Trace Adkins, Robert Davi, Kelsey Gramer, Jon Voight, Geofrey Areno, Kevin Farley, Dennis Hopper, James Woods, Gary Coleman, Paris Hilton, Kevin Sorbo.
Sinopse: Num churrasco de 4 de Julho, o vovô conta para as crianças a história de Michael Malone que, assim como Michael Moore, odeia os Estados Unidos e quer abolir esse feriado do calendário. Ele também odeia “Um Conto de Natal”, de Dickens. E por isso, é visitado pelos fantasmas do passado, presente e futuro.
Comentários: E loucos ficaram os realizadores! É muito chocante descobrir que David Zucker, que foi o ilustre parceiro de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu!, tenha se virado para a “Direita” americana e realizado esta chanchada sem graça, tentando destruir o diretor Michael Moore e um pouco menos o ator George Clooney. É um choque menor do que descobrir que alguém virou nazista, mas indesculpável, porque o filme não tem quase risadas.
O humor é grosso, bobo e os ataques são do estilo (ele é traidor do país e assim por diante). O pior cego é aquele que não quer enxergar e mais triste ainda quando é um humorista. Os atores também pecam por embarcar nesta canoa furada, mas tem pouco a fazer - inclusive o hoje bem idoso Leslie Nielsen, que narra a história para crianças. Kelsey faz o General Patton. Evite a todo custo.
Coco antes de Chanel ***
Coco Avant Chanel
Áud: Francês, Port. Leg: Port, Esp, Ing. Romance. Widescreen. 110 min. Cor. 2009. França. Warner. 14 anos.
Diretor: Anne Fontaine. Elenco: Audrey Tautou, Benoit Poelvoorde, Alesssandro Nivola, Marie Gillain, Emmanuelle Devos.
Sinopse: Os anos de formação de Coco Chanel e seu primeiro grande amor.
Comentários: Aos poucos, os filmes sobre moda vão ocupando um espaço grande no cinema atual. Este aqui é parte de um modismo que tomou conta do ambiente, fazendo com que tivéssemos a peça com Marília Pêra aqui em São Paulo (e depois indo até para a França), um telefilme biográfico com Shirley MacLaine (fraco, a não ser por ela), um outro filme que fala de Coco e Igor Stravinsky (2009), ainda inédito aqui e com dois desconhecidos, Madds Mikkelsen e Anna Mouglais.
Este fez boa carreira em todo o mundo e chegou a ser indicado ao Oscar de figurinos. Sem esquecer que no final dos anos 1970, Katherine Hepburn viveu Coco na Broadway, num musical de relativo êxito.
Em parte pela presença da famosa Audrey Tautou, de O Código DaVinci, que até se enfeiou para o personagem. Na verdade, nunca pensei que Coco fosse tão mal humorada, tão chatinha quanto o filme mostra. Devia ser muito interessante para as pessoas a tolerarem.
No filme, ela é abandonada pelo pai que a deixa num orfanato e nunca mais aparece. Junto, uma irmã menos problemática (a bela Marie Gillian) e com quem canta a música Coco, que lhe renderia então o apelido.
Atrevida e mal criada, ela aparece na casa de um nobre Étienne Balsan (o humorista belga Benoit Pooelvorde, especialmente convincente), onde se instala (como sua ocasional amante). Ele será a pessoa chave para instruí-la na alta sociedade e quem irá lhe apresentar o amor de sua vida, o inglês Arthur Boy Capel (feito pelo americano Alessandro Nivola, se virando bem com o diálogo em francês ). Aos poucos, ela vai desabrochando e revelando o talento para o design de roupas que irá revolucionar a moda (optando pela simplicidade) e que a mantém até hoje como um ícone. Dirigido por uma mulher, Anne Fontaine, acostumada a temas mais polêmicos (A Garota de Mônaco), o filme é elegante, chique, fotografado em castelos e praias (Deauville) e basicamente uma história de amor endereçada ao público feminino. E cumpre sua função. Sem menos ou mais. Extras: Comentários da diretora , Especial TV Internacional, Making of, A Origem do Projeto, Olhar de Coco, Um Destino Extraordinário, Etienne Balsan, Boy Capel, Reconstrução Histórica,Anne Fontaine.
Quinze Dias de vida ***
Last Holiday
Áud: Ing.Leg: Port, Esp, Ing. Comédia. Widescreen. 88min. PB. 1950. Inglaterra. Paragon/Continental. Livre.
Diretor: Henry Cass. Elenco: Alec Guinness, Beatrice Campbell, Kay Walsh, Gregoire Aslan, Jean Colin, Bernard Lee, Sid James.
Sinopse: Um tímido vendedor de máquinas agrícolas recebe a notícia de que tem pouco tempo a viver. Resolve então sair de férias e aproveitar a vida e acaba descobrindo que é uma pessoa mais interessante do que se achava.
Comentários: Uma pequena obra-prima da comédia britânica, escrita pelo famoso dramaturgo J.B. Priestley (O Tempo e os Conway, Há um Inspetor lá Fora) e que depois foi refilmada como As Férias de minha Vida (2006), com Queen Latifah. Mas só a idéia central é igual, por sinal várias vezes imitada. É um dos melhores papéis de comédia de Guinness (1914-2000), que faz o herói com a dose certa de pedantismo. Mas, sem dúvida, a grande surpresa é um final inesperado e amargo. Bem diferente do gênero. Vale descobrir.
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