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29 março 2010 às 08:54

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Um sábado teatral

Estranho Casal

Tirei o sábado para ficar em dia com o teatro. Era o último fim de semana de o Estranho  Casal, no Teatro Folha. Mas como é sucesso, começado no Rio de Janeiro, eles passam agora para o Teatro Renaissance.

Fiquei contente de ver como um bom texto de comédia consegue resistir tantos anos depois de sua estreia na Broadway, em 1965, com Walter Matthau e Art Carney, sendo filmada em 1968, com Matthau e Jack Lemmon prosseguindo assim uma parceria que duraria até o fim da vida de ambos, incluindo uma continuação muito ruim em 1998.

Houve ainda uma série de TV que durou de 1970/75 com Jack Klugman e Tony Randall, mal conhecida por aqui. Lembro-me de ter visto uma versão brasileira com Lima Duarte e Juca de Oliveira e que também foi feita uma versão feminina, autorizada pelo autor, ou seja, com os personagens centrais mulheres.

Tinha dúvidas sobre a sobrevivência do texto nesta época onde as pessoas pensam que comédia de teatro tem que ser no estilo Zorra Total. Pura chanchada! E pura baixaria. Mas Simon tem playwriting, tem estrutura dramática e isso resiste a tudo, sem falar em suas boas piadas que sempre comentam a situação.

Ajudado pela direção controlada e eficiente de Celso Nunes (de vez em quando há uma derrapada como quando um ator fala em transar e tem que demonstrar isso se esfregando no sofá. Isso é pura definição de chanchar!). Mas felizmente isso é raro. O humor está em cima dos atores, dos ótimos tipos de coadjuvantes que eles encontraram, tanto os amigos quanto as vizinhas.

 carmo dalla vechia1 Um sábado teatral

No início, tive dificuldade em ver personagens para mim tão marcados por outros atores, como Matthau e Lemmon, feitos por outros mais jovens. Mas acaba não importando. Carmo Dalla Vechia, que conhecia mal, de filmes e de passagem em novela, se defende bem. A mesma coisa com Edson Fieschi que  herda o papel do chato Felix. E a tradução de Gilberto Braga flui e funciona. Ou seja, a montagem é bem agradável e merece o sucesso.

Stand up

Fiquei no próprio Folha para a sessão da meia-noite, com um espetáculo de stand up. O teatro tem essa tradição de humor faz tempo e eu mesmo participei duas vezes do divertido Nunca se Sábado, um show sazonal que coloca em confronto equipes diferentes de grupos humorísticos.

Mas aqui falamos de stand up, aquele tipo de humor que não existia por aqui, e de repente está invadindo o país, sendo destaque também agora no Festival de Curitiba.

Vocês sabem do que se trata. Um palco vazio, um microfone e alguém fazendo graça. Não são exatamente tipos e personagens como acontece no Terça Insana. São pessoas, não necessariamente atores (se bem que ajuda), que contam casos para a plateia, cada um à sua maneira.

No Folha, às sextas e sábados, à meia noite, se revezam humoristas diferentes e pode haver surpresas. Acreditem que neste sábado um rapaz do interior, parece que Itanhaém, fez um pedido de casamento em pleno palco para a moça que subiu da plateia sem ter a menor ideia de que isso iria ocorrer! Para deleite da plateia e dela, que ficou sem fala.

Embora lembre filme americano, foi um bônus interessante a esta noite que me provocou boas risadas. Cada um de seu jeito. Bruno Motta, que já é veterano do gênero foi o apresentador geral, sempre com domínio da plateia, sem nunca perder a pose ou cair na apelação.

brunomotta Um sábado teatral

Aliás, me deixa fazer um parênteses. Tenho reclamado muito da falta do humor do brasileiro, que já não sabe mais rir como antigamente de suas mazelas e, de repente, vendo esses jovens colocando a cara para bater e se saindo bem fiquei muito impressionado.

Quem sabe esse possa ser um caminho? Ou será que estamos sendo ajudados agora por figuras tão altamente criticáveis quanto a Dilma (será que alguém consegue tirar o Lula do altar?).

Acho que para viver, humor é tão fundamental quanto oxigênio. Ainda mais numa cidade como esta onde vivemos. Enfim, a noite apresentou um novato de São Caetano, o promissor Patrick Maia, uma moça Mehl Marrer (que curiosamente foi a mais atrevida em temática e palavras), o Maurício Meirelles (o que tem mais cancha e pode segurar o público o tempo que quiser como o mais próximo do esquema americano de humor) e o Ben Ludmer, que conheci em Curitiba e que tem um tipo muito original: ele usa o fato de ser gordinho, meio John Candy, de ser mágico, de brincar com sua sexualidade.

Mas cada um do seu jeito é ótimo e o espetáculo foi muito legal de assistir (Marcela Leal e o Marcio Ribeiro, estavam ausentes nesse dia). Desculpe Bruno, mas não vi o que falar mal de vocês, como sugeriu... Mas pode deixar que eu um dia eu encontro.

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