11 abril 2010 às 20:45
James Cameron em São Paulo, Avatar em DVD
Pouco tempo depois de ter vindo ao Brasil, no Amazonas, James Cameron retornou ao Brasil por sua própria iniciativa, desta vez a São Paulo, como parte do projeto dele e da distribuidora Fox de plantar um milhão de árvores no mundo inteiro (a maior parte, 250 mil, será no Brasil, e a primeira delas foi plantada simbolicamente no Parque Ibirapuera por ele e sua convidada especial, a estrela Sigourney Weaver). Domingo à tarde, eles deram uma entrevista coletiva no Hotel Grande Hyatt, acompanhados pelo produtor Jon Landau e outro ator de Avatar, Joel David More (que fazia o assistente de Sigourney). A mulher de Cameron, a atriz Suzy Amis, assistiu a tudo da plateia. Amanhã, todos eles voltarão ao Amazonas, onde devem permanecer até quinta-feira.
Na verdade, a desculpa para voltar foi a oportunidade de lançar no Brasil o DVD e o Blu-Ray de Avatar, que prometem ser recordistas (já foram pré-vendidos 35 mil Blu-Rays e 30 mil DVDs, números expressivos diante da crise do setor e das locadoras. O recordista anterior era Lua Nova, com 9 mil). Avatar já rendeu mais de 2,7 bilhões de dólares no mundo inteiro, 102 milhões de reais no Brasil, e só saiu de cartaz da maior parte das salas porque elas tinham contrato para exibir outros trabalhos. O filme estará disponível dia 22 de abril, não por acaso no chamado Dia da Terra. Cameron, que não parecia arrogante, mas bem-humorado, disse estar especialmente satisfeito com o projeto das árvores porque veio de uma empresa que pertence ao milionário Rupert Murdoch, que até agora não era nada ambientalista.
Sai unicamente em versão sem extras (mas que, eles garantem, tem o máximo de qualidade de imagem e, para provar isso, comentaram seis cenas do Blu-ray, que confirmam o cuidado da colorização das imagens - a transcrição foi feita pela equipe original do filme). Em novembro deve sair uma edição especial do filme, provavelmente em 4 DVDs e com 35 minutos a mais não utilizados de Avatar (neste momento, estão trabalhando na finalização dessas cenas extras). Só depois é que irão pensar numa possível versão em terceira dimensão, já que a TV 3D já é uma realidade e possivelmente pode ter mercado. O formato definitivo da tela será 1.85 como nos cinemas.
Momentos marcantes da entrevista
O produtor Jon Landau foi quem chamou a atenção para o fato pouco comentado de que o filme começa com o herói abrindo os olhos e termina com ele fechando-os. Como um despertar para uma nova percepção. Seria a hora do mundo inteiro abrir os olhos e ver que chegou o momento de mudar. Sigourney Weaver (muito simpática, alta e elegante), depois de falar que sempre sonhou em visitar o Brasil, fez sinal de agradecimento quando um jornalista perguntou se ela estaria de volta na continuação. Mesmo assim, Cameron não quis comentar a respeito.
Mas Sigourney prosseguiu: “Para mim, que fiz a série Alien, foi diferente ver que, neste filme, os alienígenas não eram os vilões - ao contrário, são mais espirituais que nós. Os humanos é que são os errados". E depois concluiu: “O Brasil tem a chance de liderar essa nova era, não cometer os mesmos erros que os americanos já fizeram. Vamos evitar destruir a natureza, ter respeito pelas outras espécies, não matar os nossos nativos”.
Cameron também manifestou a esperança de que um filme como Avatar possa ajudar a mudar alguma coisa, possa fazer alguma diferença. “Acho que antes de tudo um filme tem que ser entretenimento", afirmou, "tem que atrair as pessoas. Mas também tem que provocar emoções, identificação com os personagens e finalmente querer dizer alguma coisa. Para que o público possa ter um diálogo com o filme. Nem sempre conseguimos as três coisas mas a reação parece dar a impressão de que as pessoas estão preparadas para essa mudança. Vejam como elas reagem emocionalmente à destruição da natureza no filme. Faz a gente refletir, ficar triste. Isso vale mais do que uma dúzia de conferências e palestras.As pessoas pensavam que éramos donos da natureza e agora sabemos que isso não é verdade!”.
Cameron também fez questão de desfazer um equívoco: não há verdade nos boatos de que houve cenas rodadas na Amazônia, do lado da Venezuela. Tudo foi feito em estúdio. Mas não descarta a hipótese de que possa fazer isso para a continuação, agora que já conhece a região.
Critica também a moda de transpor filmes normais para terceira dimensão. Sua idéia é que eles devem ser criativamente concebidos para 3D, não adaptados. Apesar disso, está trabalhando também na possibilidade de passar Titanic para 3D.
Também dá mais detalhes sobre o sistema de captação de imagens que foi desenvolvido para o filme e que não inclui tela verdade ou cromaquis. Tudo que foi captado foi transcrito para dados no computador, ou seja, a câmera captura antes de tudo a performance, a interpretação do ator (que não usa maquiagem, não tem luz em cima, nem qualquer artifício). Eles garantem que é muito fácil, simples e que falta apenas as pessoas aprenderem a usar para constatarem como é prático. E se for preciso, o ator pode se olhar no monitor, onde aparece já o fundo, por exemplo, a floresta. E basta ele rodar uma única vez o chamado plano master que dali ele tiraria tudo que fosse necessário para cobertura ou edição.
Cameron disse, para concluir: “O único limite hoje em dia para um cineasta é sua imaginação e sua habilidade para contar uma boa história”.
Veja mais:
+ Avatar é Pocahontas em 3 D
+ Avatar: uma jornada new age ao universo de Aliens
+ Todos os blogs do R7











