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13 abril 2010 às 10:06

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Perguntas sobre um crítico de cinema

rubens ewald filho blog Perguntas sobre um crítico de cinema

Estas são algumas das perguntas mais frequentes que me fazem sobre a atividade de crítico e fã de cinema

1- Qual é o seu cinema preferido? Qual a sala que mais frequenta? 

Rubens Ewald Filho – Atualmente, meu favorito é o Espaço Unibanco do Shopping Bourbon, em particular o IMAX. Tenho especial simpatia pelo Reserva Cultural e o Artplex, do Frei Caneca, e sempre gostei muito de ir ao Jardim Sul, onde há ótimas salas que nunca lotam. Torço para que realmente abram as salas que prometeram para um shopping que está em construção na Granja Viana, Cotia, onde moro.

 2- É verdade que você assiste a dois filmes ou mais ao mesmo tempo?

R- Era verdade sim, mas acabaram aumentando para três ou quatro! Isso acontecia no tempo do vídeo, quando precisava editar os guias da Vídeo News e havia muito, muito o que ver. A qualidade da imagem deixava a desejar ainda mais em fitas de serviço. Em um, via a novidade, e no outro, algum filme ou desenho que precisasse rever. Sempre vejo o filme inteiro do começo ao fim, nunca saio no meio. Sob pena de ter que assistir de novo. É ponto de honra. Mas ver mais de uma coisa ao mesmo tempo agora se tornou banal, ainda mais com canais como o Bloomberg e com os jovens no computador e internet; só estava adiante do tempo.

3- Quais são os melhores filmes a que você já assistiu?

R- É quase impossível escolher quais são os melhores filmes dentre os mais de 31.735 a que já assisti. Agora de cabeceira mesmo são 8 ½, de Federico Fellini Fellini, e 2001, Uma Odisséia no Espaço, de Stanley Kubrick. West Side Story já está por ali, mas foi rebaixado diante de falhas comprovadas. Tenho especial predileção pelo cinema italiano dos anos 50 a 70, pela Nouvelle Vague e musicais antigos.

4- É verdade que você já viu mais de 30 mil filmes?

R- Sim. Desde criança, eu anoto tudo que vejo e por isso posso ter o número exato. O primeiro que vi foi Tarzan e as Sereias, com Johnny Weissmuller, no cine Atlântico de Santos (matinê baby, às dez da manhã). O primeiro em que chorei foi Barco das Ilusões, com a Ava Gardner.

5- Quais são seus astros (e estrelas) preferidos?

R- Debbie Reynolds tem lugar especial porque era favorita desde minha pré-adolescência e continua até hoje na ativa e infernal. Mas a lista teria lugar para Romy Schneider, Vanessa Redgrave, Bette Davis, Anna Magnani, Ingrid Bergman. Atores: Bogart, Gary Cooper, Sean Connery, Yves Montand.

6- Você prefere o cinema antigo ao atual?

R- São  dois mundos, dois universos diferentes. Mudou tudo, o sistema de produzir, a maneira de narrar histórias, de interpretar, a velha Hollywood parece uma civilização perdida que eu conhecia já no final e pela qual tenho curiosidade. Tenho, porém, saudade dos anos 70 quando me formei crítico e pude ver a explosão de Spielberg, De Palma, Coppola, Allen, Scorsese, Friedkin, aqueles que ainda estão aqui. Acho a mudança de hoje tecnológica e, por isso, admiro tanto Cameron e Avatar.

7- Muitas vezes você fala mal dos críticos, seus colegas. Por quê?

R- Não deles pessoalmente, mas como instituição. Sozinhos podem ser brilhantes, mas com frequência, quando viram grupo, pensam de maneira errônea. Não sabem ver os falsos valores, insistem em descobrir a roda novamente. Não tem a menor noção de história do cinema e do mundo, desconhecem a técnica do cinema. E estamos todos ficando cada vez mais superficiais e sintéticos. Viramos controlador de consumo. Em geral, acredito mais no gosto do público do que da imprensa.

8- Você chora no cinema? 

R- Claro. Na vida e no cinema. Procuro ser um espectador comum, que ri (alto quando acho engraçado), chora quando está emocionado, assusta-se e reaje quando for o caso. Por isso gosto de cinema que me toca, emociona-me, não me enfada, aborrece-me. Filme chato, francamente...

9- Qual seu gênero preferido?  E do qual menos gosta?

R- Adoro ser surpreendido, mas isso fica cada vez mais difícil já que Hitchcock morreu e De Palma sumiu. Então thriller de suspense seria um dos favoritos. Mas não gosto de filme de terror de tortura, acho um atentado contra o ser humano e aos que sofreram isso na vida real. Mas gosto de me assustar no cinema, sem problemas. Pensando bem, sou do tempo em que não se escolhia filmes por gênero, isso só realmente começou depois do advento do vídeo quando as locadoras resolveram dividi-los dessa forma. Se for bom, não tem problemas. Se for médio, já serve. E eu sempre prefiro um filme ruim a uma peça de teatro ruim. Essa sim não perdôo e saio no meio. Mas não escrevo sobre isso.

10- E o cinema nacional? Vai ganhar o Oscar um dia?

R- Fui criado vendo chanchadas e adorava. Achava Vera Cruz o máximo. A primeira filmagem que vi foi de Mazzaropi. Então como ter preconceito? Era fã de Eliana Macedo e Eliane Lage (aliás, continuo a ser). Torço muito por ele, mas ainda reclamo dos roteiros mal escritos e desenvolvidos, dos cineastas que insistem em imitar Glauber depois de 50 anos. O mundo mudou, e o cineasta brasileiro custa a perceber isso. Sonho com esse Oscar enquanto ainda estiver fazendo as transmissões.

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