19 abril 2010 às 09:27
Recomendação

Fiquei triste quando vi a sala do Jardim Sul vazia para assistir a um dos filmes mais interessantes do ano, uma pequena joia chamada Mary e Max - Uma Amizade Diferente (Mary & Max, 09), um filme de animação com massinhas, australiano, feito por Adam Elliott, que ganhou o Oscar de curta de animação por Harvie Krumpet (03) sobre um homem que sofre da Síndrome de Tourette.
Sua originalidade continua neste filme, com as vozes dos excelentes Toni Colette (uma de minhas favoritas atualmente), Philip Seymour Hoffman (que faz um ótimo sotaque judeu de Nova York), Eric Bana e o narrador Barry Humphries.
Continuo a afirmar que não é filme para crianças, mas para adultos! A excelente revista de cinema e técnica chamada Beta, traz reportagem sobre o filme, onde ficamos sabendo mais sobre a técnica chamada claymation e suas dificuldades.
O roteiro levou um ano para ser escrito: é sobre a inesperada amizade entre Mary, uma menina de 9 anos infeliz de Melbourne que por acaso consegue o endereço numa lista telefônica de Nova York de um certo Max, judeu de 40 e poucos anos, solitário e que sofre da Síndrome de Asperger (dificuldade com mudanças, interação social etc).
Durante 25 anos eles ficam com altos e baixos se correspondendo, se influenciando mutuamente. Depois de seis meses escrevendo os story boards (ele evitou as cores brilhantes, optando por uma Nova York cinzenta e uma Austrália marrom). A rodagem durou 57 semanas (média de dois minutos e meio por semana!) com uma equipe de 120 pessoas (Icon, a firma de Mel Gibson se encarregou da distribuição internacional).

O custo foi de 8 milhões de dólares australianos. Embora tenha aberto o Festival de Sundance do ano passado e o filme tenha tido prêmios em Festivais (Annecy, menção em Berlim, Ottawa), não se fez jus ainda a sua criatividade e talento. É uma história de personagens, duas figuras singulares que tentam se comunicar dentro de um oceano de incompreensões, muitas vezes causada pela própria doença de Max.
O texto é engraçado e a história divertida, apesar de serem duas figuras tão pouco tradicionais (vai ver por isso mesmo), não tem como não se envolver com os dois. Um filme que precisa ser descoberto porque não vai durar muito em cartaz.
Falecimentos
Morreu Dede Allen ( 1923-2010) lendária montadora americana, que nos anos 60 mudou a técnica e o estilo de edição com os filmes Desafio à Corrupção, de Robert Rossen, e Bonnie e Clyde, de Artur Penn. Ninguém como ela sabia “construir um filme” dizem os amigos e, por isso, teve crédito e se tornou figura importante com muitos trabalhos, para Sidney Lumet (Serpico, O Mágico Inesquecível, Dia de Cão), Warren Beatty (Reds), Paul Newman (Rachel, Rachel), Kazan (América, América), John Hughes (Clube dos Cinco), Robert Redford (Rebelião em Milagro).
Seus últimos filmes foram Um Segredo entre Nós com Julia Roberts, Violação de Privacidade, Um Ato de Coragem, Garotos Incríveis e A Família Addams. Foi indicada três vezes ao Oscar nunca ganhou. Morreu sábado.
Outras mortes
Continuam a falecer astros de séries de TV, incluindo Peter Haskell (1934-2010), que fez mais de 100 aparições (como Bracken's World, Lassie, Quinta Dimensão, morreu dia 15).
James Aubrey (1947-2010): Conhecido pelo filme O Senhor das Moscas, a primeira versão e trabalhou com frequência na TV inglesa.
Dixie Carter (1939-2010): Como no Brasil não passou a série Designing Women, pouca gente se lembra desta divertida atriz que fazia tipo sulista e hoje é mais lembrada como a esposa do ator Hal Holbrook que apareceu com ele quando este foi indicado ao Oscar de coadjuvante, por Into the Wild /Em Território Selvagem em 2008.
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