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22 abril 2010 às 06:07

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Estreia – Alice no País das Maravilhas

Alice no País da Maravilhas (Alice in Wonderland) EUA, 2010.

Direção de Tim Burton. Com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Mia Wasiwovska, Anne Hathaway, Crispin Glover, Stephen Fry, Matt Lucas, Michael Sheen, Alan Rickman, Timothy Spall. Disney. 108 min.

Depois de arrecadar mais de US$ 320 milhões (cerca de R$ 560 mi), o que não é tanto, quando se calcula que ele custou por volta de 250 milhões (cerca de R$ 437,5 mi), este Alice chega ao Brasil em versão IMAX (recomendada) e também 3D. Mas também a certeza de que não é isso tudo que se esperava, dividindo a crítica.

O que há de melhor, como era de se esperar, é sua direção de arte, cenografia, a capacidade de ilustrar situações. Mas a verdade é que Tim Burton não é tão bom dirigindo cenas de ação (por vezes fracas, no máximo banais), nem mesmo é grande coisa ao narrar uma história.

Mas é um autor, um sujeito que tem um universo próprio - uma coisa cada vez mais rara. E já estava na hora de ser reconhecido e levar seu Oscar para casa (embora já tenha um de curta).

 Estreia   <i>Alice no País das Maravilhas</i>

Burton funciona melhor quando também escreve a história. Toda vez que ele se meteu a fazer um filme dito “normal”, não deu certo (veja O Planeta dos Macacos). Mas não se pode dizer que Alice não seja diferente. Esta é uma adaptação não apenas dos dois livros de Lewis Carroll, mas também de outro: Jabberwocky (Os Monty Python fizeram, em 1977, uma versão sobre este monstro, que foi transportado para a história).

Acho bom confessar minha pouca familiaridade com o texto, que nunca li, e as lembranças são da infância, nem tanto do desenho da Disney, que foi o maior fracasso do estúdio e o primeiro a ser liberado para a televisão. Nos anos 70 teve certo prestígio por causa das sequências criativas, como a dos soldados da rainha, que são brilhantes como animação.

Mas eu me lembro melhor do disquinho de João de Barro que reproduzia em português a história com o Coelho sempre correndo, dizendo que está atrasado (isso fica de passagem no filme), a lagarta que fumava (ópio? O filme aqui mantém o fumo, a fumaça, embora sendo para crianças, deixa no ar um pouco o clima de droga). O gato que tinha um sorriso e voava no ar. E a rainha que gritava, “Cortem-lhe a cabeça!”.

 Estreia   <i>Alice no País das Maravilhas</i>

Mas não é exatamente uma refilmagem e sim uma continuação. Burton não quis fazer o filme com uma menina, preferiu uma adolescente de 19 anos. Tudo começa quando a moça, feita por uma atriz com cara de enjoada e sem maior carisma, o primeiro grande erro, a australiana Mia Wasiskowska, está para ficar noiva de um nobre chato. Mas ela age de maneira absurda para a época (a conclusão também é igualmente fantasiosa) e sai correndo atrás do coelho (ela acha que tudo é um sonho e só ao final irá lembrar que quando criança já havia estado no reino subterrâneo).

Repetem-se então os encontros, ela ficando gigante e pequenina, só que dando mais destaque à figura do chapeleiro louco e a Rainha Vermelha (na parte final, entrará também a rival dela, a Rainha Branca, interpretada por Anne Hathaway, com uma maquiagem ingrata que não a favorece).

 Estreia   <i>Alice no País das Maravilhas</i>

Os dois (Helena, que faz a Rainha Vermelha, sendo a atual esposa de Burton) são o ponto alto do filme. Depp se arrisca novamente e consegue fazer mais outra figura bizarra e excêntrica, sua especialidade, mas sem se repetir. Consegue criar um maluco a mais (o filme tem diálogos que afirmam que todo mundo que é bacana tem um pouco de louco, o que felizmente é verdade).

Com o cabelo laranja e uma concepção formidável, ele acaba se envolvendo na luta pelo poder, nas perseguições (tem cachorro amigo, um monstro que ajuda Alice) e até na esperada luta, não muito boa como clímax, com o Jabberworky.

Também deu certo a figura da Rainha, com sua cabeça enorme e corpo pequeno, um efeito muito bem realizado. Embora ela fique o tempo todo mal-humorada e faltam-lhe nuances, é uma figura muito forte. Sua selvageria foi reduzida um pouco, mas ainda tem um rio coberto de cadáveres em volta de seu castelo e ideias que reconhecemos do desenho, como jogar críquete com um pássaro flamingo em vez de bastão.

Não acho que funcione muito a dancinha do Chapeleiro e está fora do contexto da época (a plateia ensaiou alguns aplausos aqui, mas nada convincente). Nem o filme tem grandes momentos que justifiquem o 3D. O problema mesmo é não usar uma criança e assim podar as ilações psiquiátricas para a aventura. São Depp e Helena que justificam o filme. Que realmente não é dos grandes de Burton.

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