25 abril 2010 às 06:00
Os dez melhores filmes pós-apocalípticos
Agora que estão em cartaz A Estrada e ainda O Livro de Eli, não há duvida de que estão na moda os filmes pós-apocalípticos. Ou seja, aventuras passadas depois de algum conflito (aparentemente mundial) que destruiu a civilização como a conhecemos e fez o gênero humano regredir. Achei interessante lembrar de alguns e destacar os mais interessantes. Como sempre a lista não é conclusiva, podem dar sugestões.
Alguns critérios: não pusemos animações japonesas (como Akira). Essas, por si só, dariam uma listagem. Nem filmes sobre o fim do mundo (2012, A Hora Final) ou a guerra atômica propriamente dita (tipo Doutor Fantástico). Nem série de TV (Jericho) ou telefilme (The Day After) e nem filme de zumbi, que fica para outra vez.
Embora Blade runner, Matrix, Delicatessen, e até mesmo Robocop pudessem ser classificados, não achei que cabiam na lista (Zardoz eu acho mesmo muito esquisito). Nem O Dorminhoco, de Woody Allen. Nem o horrível Quinteto de Altman. Até pensei em Fuga do Bronx, mas era ruim demais.
Foi um lapso de nostalgia. Espero que se divirtam com a lista e descubram algumas novidades. Ou velharias!
Eis dez destaques:
10 - Hardware - O Destruidor do Futuro (Hardware, 1990)
Outro modesto, mas talentoso filme B e cult. "Nenhuma carne será poupada": o filme começa com esse provérbio da Bíblia. Na terra pós-apocalipse, as pessoas se prendem dentro de seus apartamentos escuros e cheios de máquinas para se proteger da radiação que é rotina na vida de todos. Céu vermelho, sem dia e sem noite.
Americanos não gostam muito deste filme, pois o robo, feito por pedaços perdidos no deserto e que trata a destruição do que resta na Terra devastada, tem a bandeira americana amarrada na cabeça.
Estreia na direção do sul-africano Richard Stanley que depois não deu muito certo. Foi mandado embora da direção de A Ilha do Dr. Moreau. Influenciado, claro, por Terminator, mas tem boas sacadas. Tem Iggy Pop no elenco.
9 - Waterworld, O Segredo das Águas (Waterworld, 95)

Na época, o filme foi muito criticado por ter sido o filme mais caro de todos os tempos (US$ 175 milhões) e porque o astro Kevin Costner tirou da direção seu amigo Kevin Reynolds, depois de longa parceria. Isso provocou a decadência do prestígio do ator, mas o filme era um bom exemplar de ação e hoje com o degelo dos pólos, tudo que mostra é mais que possível, é ate provável. E foi muito bem realizado.
8 - A Fuga do Século 23 (Logan's Run, 76)
Embora o visual tenha ficado velho e brega demais, compromentendo o filme, esta ficção do veterano Michael Anderson (A Volta ao Mundo em 80 Dias) tem ideias interessantes sobre um futuro idílico: a vida acaba aos 30 anos. Para escapar da morte é que eles tentam fugir. Com Michael York e Farrah Fawcett antes de ser Majors e Pantera.
7 - O Menino e seu Cachorro (A Boy and his Dog, 1975)
Um clássico B do gênero, pouco conhecido no Brasil (saiu, porém em Home Vídeo, nos anos 80). Dirigido por um ator de faroestes (L.Q.Jones), o filme fala sobre um garoto que se comunica telepaticamente com seu cachorro, num mundo pós-apocalipse (baseado em livro de Harlan Ellison de Babylon 5). Com o muito jovem Don Johnson (de Miami Vice), Jason Robards. Também conhecido como Crepúsculo do ano 2024.
6 - Wall E (Idem, 09)

Filme de animação da Pixar, que, com muita poesia, consegue humanizar um robozinho que tenta ver sinais de recuperação na Terra destruída pela poluição.
5 - Corrida Silenciosa (Silent Running, 72)
Estreia na direção de Douglas Trumbull, o grande especialista em efeitos especiais da época. Virou cult ao trazer praticamente um único ator (Bruce Dern, pai de Laura) o filme todo. Ele é um astronauta que cuida de uma nave que viaja pelo espaço, levando as últimas espécies da flora terrestre. Ou seja, precursor dos filmes ecológicos e verdes!
4 - O Mundo, a Carne e o Diabo (The World, The Flesh and the Devil, 59)

Bem antes de Eu Sou a Lenda, a visão de uma Nova York vazia, destruída por algum tipo de bomba era muito impressionante. Este era um filme B da MGM, em preto e branco, meio alegórico, sobre três únicos sobreviventes: uma loira (Inger Stevens), um negro (Harry Belafonte) e um branco (Mel Ferrer). Naquela época de guerra fria e medo atômico, o filme marcou muito as pessoas. Havia um outro parecido chamado Os Últimos Cinco (Five, 51), anterior e inferior (mas existe em DVD nos EUA).
3 - O Planeta dos Macacos (Planet of the Apes, 1968)
O primeiro de Franklin Schaffner era impressionante e só deixava a gente perceber qual era o tema na cena final, que já mostrei para vocês antes. Enfim, todos agora sabem que era a Terra é o planeta onde viviam os macacos como seres dominantes e os homens como escravos, o que foi bem explorado nos filmes e séries de TV seguintes. Mas a versão de Tim Burton, em 2001, foi o ponto mais baixo de sua carreira.
2 - Série O Exterminador do Futuro (The Terminator)
O primeiro era pequeno (84), mas talentoso. Dirigido por James Cameron, com um adequado Arnold Schwarzernegger como a máquina que vem do futuro para matar o possível salvador da humanidade na guerra contra as máquinas. O segundo O Julgamento Final foi o melhor (91), com Cameron lidando com melhor orçamento. Pena que depois tenha decaído e retornado sem muita repercussão em 2009. Mas é preciso reconhecer que o tema do apocalipse é bem levado e ainda não foi concluído.
1 - A Série Mad Max
Este sim era original e misterioso. O primeiro, de 79, era uma produção australiana muito pequena, que lançava o jovem Mel Gibson. Só estourou mesmo no segundo, de 81, já distribuído pela Warner mundialmente e explorando melhor o tema de ação, a luta pela gasolina, as gangs lutando no deserto, a vingança pelo herói.
O terceiro não decepcionou (em 85), embora diluído até com Tina Turner. Todos dirigidos por George Miller (Happy Feet, Babe). Fala-se agora que terá finalmente um novo capítulo. O filme gerou uma série enorme de imitadores que dominaram o mercado de Home Vídeo nos anos 80.
PS – Como em todas as listas, alguns filmes ficaram de fora, já que dei preferência até para cults. Foram considerados, mas ficaram fora: Extermínio de Danny Boyle, o clássico A Máquina do Tempo, Filhos da Esperança, Eu sou a Lenda, 12 macacos, o animação 9, Reino de Fogo, Dark City, Resident Evil, O Último Combate de Luc Besson, O Ultimo Guerreiro (The Ultimate Warrior).
Agradeço a colaboração de Marcos e André, os gêmeos.
PS II - Agradeço as mensagens sobre Sigourney Weaver e têm razão os que reclamaram que ela foi apenas a primeira, e não a única, a não ganhar quando duplamente indicada (tenho uma ótima desculpa: uma vez ela se queixou numa entrevista para mim que odiava ser nota de rodapé do Oscar!).
Outra coisa, me informam que Jabberworcky, de Lewis Carroll, não é um livro, mas um poema. Porém, eu ainda imagino que ele tenha saído em algum livro!
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