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28 abril 2010 às 06:00

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Outra falha corrigida, sai finalmente Reds em DVD

A Paramount realmente está caprichando e corrigindo as falhas. Lançou no mês passado Um Lugar ao Sol e agora, mais três grandes clássicos, até então inéditos em DVD: Uma Aventura na África, Ensina-me a Viver e este outro vencedor do Oscar, Reds, o mais recente deles. Como nada é perfeito, esta edição é uma redução da edição americana que comemora seus 25 anos (em 2006), com menos extras (cortaram muita coisa, porque eram dois discos. Todos os "featurettes" tinham o subtítulo de Witness/Testemunhos. Aqui, sobraram apenas Os Camaradas e Propagandas, onde depõe Beatty e Jack Nicholoson (mas não Diane Keaton). Perdemos assim The Rising, The March, Revolutions (Part 1 de 2). Já que iam lançar, por que não fizeram o trabalho direito e completo?

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Reds ****

Idem.

Áud: Ing , Port. Leg: Port. Drama.  Widescreen. 195 min. Cor. 1981. EUA. Paramount. 18 anos.

Diretor: Warren Beatty. Elenco: Warren Beatty, Diane Keaton, Maureen Stapleton, Jack Nicholson, Edward Herrmann, Paul Sorvino, Jerzy Kosinki, M.Emmet Walsh, Nicolas Coster, Bessie Love, Gene Hackman, William Daniels.

Roteiro de Beatty, Trevor Griffiths.

Produção de Dede Allen (também montadora), Beatty, Simon Relph,David Leigh McLeod.

Musical de Stephen Sondheim e David Grusin.

Fotografia de Vittorio Storaro.

Desenho de produção de Richard Sylbert.

Figurinos de Shirley Russell.

Sinopse: Baseado em fatos reais. O jornalista e ativista americano John Reed se envolve com outra pessoa engajada, a jornalista Louise Bryant. Além de viver um grande amor, eles se encontram na Rússia, quando testemunham a revolução de 1917.

Curiosidades: Este foi o primeiro filme dirigido sozinho por Warren Beatty (na época, não era mais conhecido como o irmão de Shirley MacLaine, mas como um "Don Juan" que seduzia todas as mulheres de Hollywood e colocava sua musa da ocasião em seus filmes, no caso Diane Keaton - que havia saído há pouco de um relacionamento com Woody Allen, que lhe rendeu um Oscar de atriz por Annie Hall, de Noivo Nervoso, Noiva Neurótica).

Os dois civilizadamente continuaram a ser amigos e voltaram a trabalhar juntos duas vezes. O estranho é que todo o projeto havia sido acompanhado por outra namorada a inglesa Julie Christie, que apenas na última hora recusou o papel afirmando que ele deveria ser interpretado por uma americana.

Beatty não era comunista apenas do Partido Democrata. Ainda assim, é difícil entender porque insistiu tanto em fazer e a Paramount - que na época pertencia a Gulg Stream, ou seja, era o máximo do Big Business do Capitalismo - consentiu em produzir um filme que focava na Revolução Soviética de 1917, sem criticá-la.

Não era anti-comunista, ao contrário, tudo era apresentado de forma simpática ao protagonista: o americano John Reed (1887- 1920), que escreveu aquele famoso livro sobre a subida ao poder dos comunistas em Dez dias que Abalaram o Mundo e é o único americano enterrado (até hoje) no famoso Kremlin.

Nunca se viu antes num filme americano, a execução frequente e eloquente do hino comunista A Internacional (usado até como tema romântico). É incrível como não houve protestos dos norte-americanos, que aceitaram o filme numa boa (chegou a ter 12 indicações ao Oscar).

Tudo é construído como uma história de amor entre Reed (Beatty) e outro personagem real, Louise Bryant (1885-1936), com toques de Doutor Jivago.

Foi indicado para 12 Oscars, um fato raro: filme (perdeu para Carruagens de Fogo e Beatty reclamou que, quando levou como melhor diretor achou que ia ganhar também como filme e não agradeceu a todas pessoas que desejava), ator (Beatty perdeu para Henry Fonda por Num Lago Dourado), atriz (Diane Keaton perdeu para Kate Hepburn pelo mesmo Lago Dourado, seu quarto e último Oscar), ator coadjuvante (Jack Nicholson, que faz o papel do dramaturgo Eugene O´Neill, perdeu para John Gielgud por Arthur), roteiro adaptado (perdeu para Carruagens de Fogo), direção de arte (levou Os Caçadores da Arca Perdida), figurinos (Carruagens de Fogo), Som (Caçadores), montagem (Caçadores). Ganhou além de direção, atriz coadjuvante (Maureen Stapleton, que já havia sido indicada antes três vezes), o fotógrafo italiano Vittorio Storaro e, naturalmente, Beatty.

Desde então, nenhum outro filme teve indicações às quatro categorias principais de interpretação. Quem fez o papel de Grigori Zinoiev foi o escritor polonês Jerzy Kosinki , famoso como autor de Muito Além do Jardim (O vidiota). O triste é que este se matou em 1991, por sufocação (ele nasceu em 1933 e sua reputação havia sido manchada quando se descobriu que suas obras mais famosas haviam sido inspiradas ou roubadas de outros escritores menos conhecidos no Ocidente).

Comentários: Levou anos em produção este ambicioso projeto que custou, na época, 35 milhões (e não chegou aos 31 milhões de renda nos EUA). O atraso criou a lenda de que o filme jamais seria completado, principalmente porque Beatty tinha a mania de deixar a câmera rolando, gravando tudo. Além de gostar de repetir muitas vezes as tomadas. Ou seja, filmava demais - o que complicava a hora da montagem, sem falar no prejuízo.

Gene Hackman, que fazia uma participação de amigo, chegou a repetir 100 vezes a cena em que diz a Louise que ela perdeu o emprego! E ficou muito aborrecido com isso. Beatty teve a ideia, que acabou sendo a grande novidade do filme: num recurso ate então inédito, especialmente num romance dessa grandeza, ele pontilhou tudo com depoimentos autênticos de sobreviventes, pessoas que haviam conhecido os fatos e testemunhado o romance do casal.

Usando um fundo neutro, conseguiu assim a participação inédita de muita gente importante (entre eles, o romancista Henry Miller, Rebecca West, Adela Rogers StJohn, Will Durant, George Jessel, num total de 33 pessoas que ele foi coletando desde o começo dos anos 70!). Isso deu solidez e veracidade, amarrando a narrativa que poderia ficar um pouco solta.

Outra grande contribuição é a do fotógrafo italiano Vittorio Storaro, que havia sido o preferido de Bertolucci (e dali em diante, sempre esteve ao lado de Beatty). Este era um mestre de usar a luz, as sombras e o resultado é não menos que espetacular.

Usando também tecnologias novas, há seqüências incríveis, principalmente os momentos épicos, com hinos, bandeiras, trens, caminhadas na neve que ele nunca deixa cair em cartão postal, sempre vai mais além.

O importante também é que Beatty esta mais empenhado, mais vivo e menos passivo do que seus outros filmes (quase chega a ser humano), talvez influência da sempre boa atriz Diane.

O amigo Nicholson faz o papel do alcoólatra O'Neill (mais contido que costume, o poema que lê é de sua própria autoria) e a ótima Stapleton (1925- 2006) faz a anarquista Emma Goldman (ela viajou de navio para Londres, já que morria de medo de lugares fechados. Era também conhecida como alcoólatra). Rodado em Londres, Suécia, Finlândia, Espanha, Nova York e no rancho da Paramount, na Califórnia.

Beatty encomendou uma trilha musical ao maior compositor da Broadway, Stephen Sondheim, mas acabou não gostando do resultado (eles continuaram amigos e ainda fariam juntos, Dick Tracy). Foi outro compositor, David Grusin, quem recolheu as diversas canções que aparecem na trilha e resolveu usar como tema a canção entoada por Diane, I Dont want play in Your Yard (eles discutem isso no Making of dos extras).

Conclusão: o filme é muito melhor do que aparenta, e consegue mexer com assuntos polêmicos sem se queimar, ou desagradar qualquer lado. Mas sua ênfase é como Love Story e tem gente que se comove até as lágrimas.

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