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29 abril 2010 às 06:00

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Estreia – Homem de Ferro 2

Homem de Ferro 2 (Iron Man 2) EUA,10. Direção de Jon Favreau. Roteiro de Justin Theroux. Com Robert Downey Jr, Gwyneth Paltrow, Mickey Rourke, Scarlett Johansson, Sam Rockwell, Don Cheadle, Samuel L. Jackson, Garry Shandling, Paul Bettany, Jon Favreau. 124 min. Paramount. 

Com mais história e menos ação, este segundo capítulo das aventuras de Homem de Ferro (que aqui começa a ter considerável ajuda de outros super heróis) é favorecido pela habilidade do diretor Favreau (o mesmo do anterior e que, como é também ator, faz o papel de Happy, o guarda costas e treinador de lutas que cuida do milionário Tony Stark). Curiosamente, ele chamou para escrever o roteiro outro ator, bem conhecido de séries de TV Justin Theroux, que tinha antes roteirizado e criado Trovão Tropical, com Robert Downey (que por sinal foi quem o recomendou).

Agora a primeira cena de ação vai acontecer depois de quase meia hora, mas pelo menos a exposição é interessante, colocando várias situações curiosas. Continuo a achar que o filme e a série só são sustentos pela presença carismática de Downey Jr, que consegue fazer um Tony Stark pedante, pretensioso, arrogante, chato, narcisista e, no entanto, ainda assim simpático ao público.

ironman 2 blog Estreia   <i>Homem de Ferro 2</i>

O que sem dúvida é um grande feito e comprimento a sua habilidade de ator. Já começa com Stark abrindo uma grande feira/parque de suas indústrias e descendo literalmente dos céus para fazer um discurso altamente egocêntrico. Conflito número 1: o governo americano está preocupado, e com razão, devido a uma arma de guerra como o Homem de Ferro estar nas mãos de um civil e deseja controlá-la. Como em todos os filmes recentes, a paranóica anti-governo fica evidente nas manobras corruptas de um deputado (a volta de Garry Shandling, famoso ator de televisão). Por trás dele estão as artimanhas de um concorrente fabricante de armamentos. O que nos leva ao conflito numero 2: o segundo vilão é Justin Hammer, incompetente fabricante de armas que está mancomunado com os políticos e que usará todos os truques e cinismo para derrubar Stark. Quem faz o papel com sua habitual ligeireza é Sam Rockwell. O personagem foi pensado para Al Pacino, que daria outra coisa. Melhor, claro. 3. Mas o vilão é outro, aliás, em cima de quem o filme começa. Parece que Stark, ou o pai dele, teve um parceiro russo que, antes de falecer, passou para o filho criminoso os planos para criar outras armaduras voadoras. Quem faz esse papel de Ivan Vanko - que seria uma mistura de dois vilões dos quadrinhos, Crimson Dynamo e Whiplash - é o sempre esquisito Mickey Rourke, cada vez mais freak. Mas depois de uma marcante aparição num Grand prix de Mônaco, ele fica num segundo plano, e o diretor nunca deixa ele exorbitar ou partir para muitos trejeitos. Mas cabe a pergunta: para que contratar Rourke se não é para deixá-lo louco e a vontade?

ironman1 blog1 Estreia   <i>Homem de Ferro 2</i>

Temos mais conflitos e um deles eu acho particularmente forte. Acontece que para voar e sobreviver, Stark utiliza um componente que está envenenando o seu sangue, ou seja, ele mantém o segredo de que está morrendo aos poucos no transcorrer do filme. Isso poderia explicar porque age de maneira desatinada. Há uma sequência em que ele toma um porre e faz besteiras, quase que destruindo sua própria casa para escândalo de sua amada Pepper Potts, sempre Gwyneth Paltrow, aliás enfeiada e alçada à categoria de CEO das empresas Stark. Ainda tem mais um outro draminha com o amigo militar Rhodey (no filme anterior era Terrence Howard, mas ele brigou com a Marvel e é feito agora por Don Cheadle). Este é incitado pelas Forças Armadas para roubar o modelo do Iron Man, ou seja, traição. Por fim, não quero entrar muito em detalhes, mas surgem novas figuras com a presença de Samuel L. Jackson como Nick Fury (ele assinou com a Marvel para fazer o personagem em nove filmes, não necessariamente desta série), e uma secretária eficiente feita por Scarlett Johansson, a ruiva Viúva Negra. Fala pouco e talvez por isso esteja melhor do que costume.

Não curti especialmente a parte final quando, como de hábito, parece virar vídeo game, com embates furiosos e lutas áreas e exóticas entre os vários Homens de Ferro. Senti um ou outro momento mais lento, mas no todo foi a história que me fez ficar interessado e apreciar o filme, que está longe de ser uma decepção.

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