29 abril 2010 às 08:00
Estreia – Tudo pode Dar Certo (Whatever Works)
EUA, 09. Direção e roteiro de Woody Allen. Com Larry David, Evan Rachel Wood, Michael McKean, Patrícia Clarkson, Ed Begley Jr, Jessica Hecht.
A melhor tradução para o título seria Qualquer Coisa que Dê Certo. Este é o mais recente filme de Woody Allen (na verdade, ele já tem outro pronto, que se chama You Will Meet a Tall Dark Stranger, com Anthony Hopkins e Naomi Watts). Foi um novo fracasso de bilheteria, que se seguiu ao Vicky Christina Barcelona.
O papel central de Boris foi escrito originalmente para o ator Zero Mostel (Primavera para Hitler), mas quando ele morreu, em 1977, foi engavetado. Quando havia a ameaça de uma greve de roteiristas, Woody escolheu este roteiro velho para ser seu próximo filme, chamando para o papel principal o criador da série Seinfeld e astro de Curb Your Entusiasm, Larry David. O papel poderia ter servido para o próprio Woody e por vezes Larry parece imitar o diretor, inclusive na sua marca registrada de gaguejar.
Infelizmente, o diretor não deve ter revisto o script, que parece ser velho, com piadas antigas que aparentam requentadas e sem polimento, principalmente no começo, elas simplesmente não são muito engraçadas, repisando clichês do autor.

A ideia básica é que, o herói, é um senhor judeu com mania de suicídio (que o deixaram apenas manco e ainda mais pessimista). Posando de intelectual para os amigos de bar, falando diretamente para a câmera (a quem de vez em quando ele próprio comanda), conta sua história, que começa muito mal, quando sem maior lógica ele dá abrigo a uma jovem sulista Melodie (a sempre encantadora Evan Rachael Wood), que passa a viver em sua casa e que, com o tempo, passa a admirá-lo e até propondo casamento.
A diferença de idade não é muito explorada, já que a história pula para um ano depois, deixando Larry em segundo plano. E, na verdade, o filme melhora muito com a entrada em cena da mãe de Melodie, a parceira de vários filmes de Allen, Patrícia Clarkson (ela chega como Marietta, a sogra chata e religiosa, mas aos poucos vai mudando e vira artista passando a morar com dois homens ao mesmo tempo!).
Mais tarde, vai surgir também o pai de Melodie (Ed Begley Jr) e um ator bonitão que a sogra empurra para a filha (o promissor Henry Cavill). Ou seja, o filme, apesar de sem brilho e originalidade, ganha força e acaba sendo mesmo simpático e divertido. Em particular no final.
É engraçado como os fãs de Woody Allen perdoam tudo e mantêm a boa vontade com seus trabalhos. Mesmo os mais fracos (ele continua o mesmo, com letreiros sóbrios, canções antigas, citações de seus favoritos, que aqui incluem: Fred Astaire, A Felicidade Não se Compra, E o Vento Levou, My Fair Lady, uma cena de A Marca de Maldade, de Orson Welles, e desta vez tem a nossa bossa nova Desafinado como música de fundo).
No final das contas, não era para ser tão mal recebido e a falha do protagonista se dilui. O problema é que David faz uma pessoa antipática, coisas que ele parece ser mesmo na vida real. O ideal seria um ator como Walter Matthau, que fazia o rabugento, mas ao mesmo tempo era simpaticão.
Enfim, melhor do que se esperava e se dizia. Ou seja, não confie mesmo nos críticos, em especial, os americanos.
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