6 maio 2010 às 06:03
Estreia – Documentário – O Inferno de Henri Georges Clouzot
De Serge Bromberg e Ruxandra Medea. Documentário de 2009.
Este documentário francês, que fez sucesso na Mostra Internacional de São Paulo e ganhou prêmios, é indicado apenas para cinéfilos e fãs de Romy Schneider. É basicamente um Making of retrospectivo contando como foi à lendária filmagem de um filme chamado O Inferno, que começou a ser rodado em 1964 pelo famoso diretor Henri Georges Clouzot, que era dos mais prestigiosos da França tendo feito filmes como O Salário do Medo e As Diabólicas (ambos com sua mulher a brasileira Vera Amado Clouzot, naquela altura já falecida de um problema do coração). Ele faleceu em 1977 depois de fazer apenas mais um filme A Prisioneira (68), onde incorporou algumas ideias experimentadas aqui.
O curioso é que Clouzot teve que interromper as filmagens que realizava com, a já então muito famosa, Romy Schneider (1938-82) e Serge Reggiani (1922-2004). Por que isso sucedeu é o que o filme tenta explicar tendo total acesso ao material filmado fornecido pela viúva de Clouzot (curiosamente o filme nasceu quando o diretor deste documentário ficou preso num elevador em Paris, por problemas técnicos, com uma senhora que se revelou como a viúva e lhe pôs à disposição as latas guardadas do filme).
O material estava em excelente estado e reúne tanto cenas em preto e branco quanto outras coloridas, muitos testes que ele fez com maquiagem e figurino para tentar conseguir efeitos inéditos e diferentes. É interessante notar que o mesmo roteiro de Clouzot foi depois utilizado em 1993 por Claude Chabrol em Ciúme, o Inferno do Amor Possessivo (L´Enfer, com Emmanuelle Béart e François Cluzet). Um título bastante ilustrativo do que se trata a história (um ciúme incontrolável do marido que inventa traições da esposa até chegar ao cúmulo de matá-la).
O documentário tenta apresentar o filme que podia ter sido (há cenas muito bonitas e impressionantes, como uma corrida a pé de Reggiani ao lado da represa. Romy está no auge da beleza e esplendorosa) tentando encontrar as causas do débâcle. E tudo indica que foi mesmo o mau humor e caráter de Clouzot, que era um homem fechado e não sabia se comunicar com os atores, que acabou levando Reggiani a exasperação e finalmente a crise (ele largou tudo e não quis mais continuar).
Para os fãs de cinema e de Romy, como já disse, o filme é uma preciosidade.
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