21 maio 2010 às 15:03
Race de David Mamet

Sou grande admirador do dramaturgo e roteirista David Mamet, que nem sempre dá muito certo como diretor de cinema. Vejam o exemplo do Cinturão Vermelho que ele fez com os brasileiros Rodrigo Santoro e Alice Braga. Parece já não estar no auge da carreira, mas ainda é capaz de fazer textos fortes e polêmicos, como este novo que esta em cartaz no teatro Ethel Barrymore, na Broadway.
Chama-se Race (Raça), e eu achei que era "corrida", porque a palavra tem duplo sentido. Felizmente estava errado, era Mamet mais uma vez colocando o dedo na ferida, ainda que com menos pala menores do que costume. A coisa que mais me espantou foi o fato de ser tão curto.
Embora tenha três atos e com um intervalo de 12 minutos, não dura mais do que hora e meia. Tem um único cenário: um escritório de advogados, onde aparece um cliente, Richard Thomas, aquele que foi o menino de Os Waltons, que está sendo acusado de ter estuprado uma mulher negra.
Eles são dois sócios, um mais velho, negro, David Alan Grier, que geralmente é humorista e James Spader, ilustre premiado em Cannes por Sexo, Mentiras e Videotape e mais tarde, sucesso na série de TV Boston Legal. A questão é primeiro aceitar o cliente ou não, depois encontrar a estratégia para defendê-lo.
A outra pessoa em cena é uma estagiária afro-americana, Kerry Washington, estrela de O Último Rei da Escócia e outros filmes, que parece uma pessoa ambiciosa (ela mentiu na sua demanda de emprego). Quando a polícia descobre uma situação que ira prejudicá-los, eles acham que a moça os traiu.
Mas será que traiu mesmo? Ou estão na velha tradição, de culpar a empregada doméstica quando some a prataria?
É uma situação que poderia ser polêmica caso a peça não fosse tão rápida, tão superficial e apressada. Chega ao cúmulo de ter os finais de cada ato com cortina rápida, mal dá para saborear ou pensar muito no tema. Ou seja, no fim das contas uma decepção, a gente paga mais de US$ 100 por um ingresso. Tem que valer a pena.
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