27 maio 2010 às 06:13
Estreia – Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague
Por coincidência estreou semana passada, também em Nova York, este documentário que levou o nome lá de Two in the Wave (Dois na Onda), sendo a "nova onda" (Nouvelle Vague), o movimento de renovação do cinema francês que surgiu em 1959 em diante, a partir de uma geração de críticos da revista Cahiers du Cinéma que passou para a realização.
O filme mostra a vida paralela de dois dos mais importantes críticos/cineastas, o já falecido François Truffaut e Jean-Luc Godard. E que, brincando, polemizando e renovando, mudaram a história do cinema.
Inclusive popularizando a chamada política dos autores. Segundo eles, todo filme tem um autor, que pode ser o diretor, o caso mais comum, mas também o produtor, às vezes o montador, o escrito e que esse é que deve ser valorizado, ao contrário do sistema dos estúdios onde cada um fazia apenas sua parte.
Só que este não chamou os sobreviventes para dar depoimentos. A proposta do diretor Emmanuel Laurent é reunir clipes dos filmes, matérias de jornais, cine jornais, em uma espécie de colagem (timeline).
Em vez das caras falantes, ele coloca a atriz Isild Le Besco lendo artigos ou visitando lugares históricos de Paris. Enquanto o crítico de cinema Antoine de Baecque serve de narrador quando necessário.
A Nouvelle Vague (Nova Onda) surgiu oficialmente no ano de 1959 quando estrearam os dois primeiros longas de Truffaut: Les 400 Coups (Os Incompreendidos) com Jean-Pierre Leaud e Godard e A Bout de Souffle (Acossado) com Jean Seberg e Jean Paul Belmondo.
Eles tinham muito em comum, além de utilizarem o mesmo ator Léaud, que seria o alter ego de Truffaut como Antoine Doinel. A mesma formação, o culto a Hitchcock, Hawks, Welles e alguns outros cineastas.
A renovação da linguagem cinematográfica onde tudo era permitido. Ainda que Truffaut fosse mais um poeta, apaixonado pelas mulheres e a literatura, enquanto Godard optava pelos panfletos políticos, chegando logo ao radicalismo.
Eventualmente se tornariam inimigos quando Godard escreveu contra A Noite Americana em 1972, o que também é a conclusão do filme (Truffaut morreria de câncer no cérebro em 1984, Godard polemizou outra vez recusando mostrar seu novo filme em Cannes, chamado Filme Socialisme).
Um pouco de história de cinema, não toda. Mas ainda assim vale conferir.
Veja mais:
+ Acompanhe a sinopse de Godard, Truffaut e a Nouvelle Vague
+ Cineasta Jean-Luc Godard não vai a Cannes
+ Conheça todos os blogueiros do R7












