post-icon

30 maio 2010 às 06:00

comentarios-icon2 Comentários »

No deserto, no Marrocos

Não existem muitos países árabes abertos ao Ocidente, nem receptivos a filmagens. Muitas vezes, rodar em certos países é puro risco de vida, provocação a confusões e até atentados, como aconteceu não faz muito tempo na Tunísia, onde foi rodado Star Wars e o italiano Baaria.

Então, só resta uma solução para esse problema: filmar no Marrocos, antiga colônia francesa e espanhola que fica na África do Norte, bem no Mediterrâneo. Ou seja, de fácil acesso, controlado por um governo estável, uma monarquia e felizmente não liderado por muçulmanos fanáticos como já aconteceu com a Argélia. E que lucra muito com o dinheiro que o turismo traz.

Naturalmente, os filmes mais famosos que Hollywood fez sobre o país foram rodados em pleno estúdio e os atores nem passaram por perto de lá. Foram Marrocos/Morocco de Josef Von Sternberg (30), com Gary Cooper e Marlene Dietrich (Uma História de Legião Estrangeira) e, naturalmente, Casablanca (Idem, 42), com Ingrid Bergman e Humphrey Bogart. O que tornou aquela cidade marítima a mais famosa do país, só que o filme não mostra que ela é toda pintada de branco, daí seu nome.

Marrocos ao vivo

Estive duas vezes no Marrocos, ambas a convite. A primeira foi da Columbia quando fui ver as filmagens de Young Winston/As Garras do Leão, de Richard Attenborough, que acontecia nas portas do Sahara, em Quarzazate, onde se mostrava a participação do jovem Winston Churchill na Guerra da Crimeia (nada a ver com os pais mas a paisagem lhe servia bem).

Gostei muito de Marrakesh, com seu mercado, das Montanhas Atlas (sabe que no deserto chove, mas a água desaparece na terra quase imediatamente!). Outra coisa que aprendi: no deserto, à noite faz muito frio e durante o dia muito calor.

As Garras do Leão No deserto, no Marrocos

As Garras do Leão

Mas fiquei desapontado com Casablanca, que não tinha o clima do filme. Nem no chamado Casbah (o bairro árabe, misterioso e perigoso). Não vi traços de Ingrid ou Bogart. Foi quando cheguei a conclusão: ainda era bem jovem na época em que as coisas são sempre mais bonitas na imaginação da gente do que na vida real.

A segunda vez foi mais recente, convidado pelo governo do Marrocos que levou um grupo de jornalistas (era o ano em que explodiu Chernobyl e sempre havia o perigo de nos atingir) a viajar pelo interior, por castelos e desertos diversos. A conclusão: é um país muito bonito, inteiramente aparelhado ao turismo e onde o ocidental não corre risco de vida (como nos outros).

O fã de cinema vai se esbaldar vendo paisagens (nunca esqueci de um campo de papoulas em flor) que já foram mostradas no cinema. As locações por lá são inúmeras e achei oportuno chamar a atenção para algumas.

Sex and the City 2 - Embora as quatro amigas digam que estão nos Emirados Árabes, em Abu Dahbi, na verdade foram impedidas de rodar por lá (a censura não aprovou o roteiro, até mesmo porque falam mal deles). O jeito foi ir para Marrocos, que foi todo maquiado (o hotel, por exemplo, é o mais famoso de Casablanca, La Mamounia). E as dunas são as mesmas que serviram para outro filme clássico: Lawrence da Arábia (que é considerado aquele que melhor fotografou o deserto até hoje).

Sex and the City 2 No deserto, no Marrocos

Sex and the City 2

Alexandre - Oliver Stone estará no Brasil esta semana (fará palestras nesta segunda em São Paulo), mas antes disso esteve muito tempo no Marrocos para rodar esta super aventura sobre o herói da Macedônia, Alexandre, o Grande. Que dominou todo o mundo ainda muito jovem e não tinha problemas em ser bissexual. O filme, porém, teve problemas ao mostrar isso (com Colin Farrell) e acabou saindo em dvd sem esse detalhe fundamental. Passou por Quarzazate, Marrakesh, Essaouira, Ait Benhadhou.

Alexandre No deserto, no Marrocos

Alexandre

O Homem que Sabia Demais (56) - Mestre Hitchcock sabia das coisas e encenou o assassinato que gerou o filme numa praça de Marrakesh (só que era um francês que fazia a vítima, Daniel Gelin). James Stewart e Doris Day socorriam o homem que morreria em seus braços. Mas também foram a Casablanca e Quarzazate. É neste filme que Doris cantou Que Será Será.

Othello (52) - Foi no Marrocos, no Castelo El Jadida e Essaouira, e em Veneza, que Orson Welles rodou (no decorrer de vários anos) esta sua lendária adaptação da peça de Shakespeare.

Patton, Rebelde ou Herói? (70), de Franklin Schaffner - Drama biográfico de guerra que levou o Oscar de filme e ator (George C.Scott). Estiveram em Rabat, Casablanca e Meknes.

O Homem que Queria ser Rei (The Man That Would Be King, 75), de John Huston. Dois astros, Michael Caine e Sean Connery, num dos melhores filmes do diretor. Faz esplêndido uso dos figurinos (usando roupas locais) e da paisagem das montanhas Atlas e Quarzazate.

A Joia do Nilo (85) - Continuação de Tudo por uma Esmeralda. Agora, Kathleen Turner e Michael Douglas vão parar no deserto em busca dessa falada joia! Os mesmos lugares de sempre mas em tom de comédia de ação.

A Joia do Nilo No deserto, no Marrocos

A Joia do Nilo

007 Marcado para a Morte (The Living Daylights, 89) - Primeiro dos dois filmes que Timothy Dalton fez como James Bond. Além das locações habituais, este foi rodado em Tanger e na vizinha Rocha de Gibraltar.

A Última Tentação de Cristo (The Last Temptation of Christ, 88) - Martin Scorsese provocou escândalo ao tentar mostrar o lado humano de Cristo. Rodou quase inteiramente por lá (porque tinha orçamento baixo). Principalmente em Meknes, na Vila Imperial. Scorsese gostou tanto que retornaria ao país para Kundun, em 97, quando o impediram de rodar no Tibet, esta história sobre o Dalai Lama.

A Última Tentação de Cristo No deserto, no Marrocos

A Última Tentação de Cristo

A Múmia (The Mummy, 97) - A primeira e a melhor das refilmagens do terror clássico, agora em tom de humor. Com Brendan Fraser e Rachel Weisz. De novidade foram a Erfoud, Djeema El fna, o vulcão dormente de Erfoud. A continuação, dois anos depois, também foi por lá.

A Múmia No deserto, no Marrocos

A Múmia

Gladiador (Gladiator, 2000) - Outro filme vencedor do Oscar. O início de outro longo relacionamento no caso com o diretor Ridley Scott, que retornaria ao Marrocos para outros filmes (Cruzada/Kingdom of Heaven, Falcão Negro em Perigo/Black Hawk Down, Rede de Mentiras/Body of Lies, mas não Robin Hood! Fez ainda Jogo de Espiões/Spy Game, do irmão Tony).

Babel (2006) - Importante drama do mexicano Iñarritu. Foi lá que atingiram Kate Blanchett, mas o tiro se ouviu em todo o mundo.

O Ultimato Bourne (2007), de Paul Greengrass - Adivinha onde ocorreu aquela incrível perseguição pelos telhados e janelas das casas?

O Últimato Bourne No deserto, no Marrocos

O Últimato Bourne

Príncipe da Pérsia - Areias do Tempo – Estreando esta semana nos EUA, logo depois por aqui. Um filme com tanta areia só podia ser filmado no Marrocos.

Outros menos importantes: Ishtar, Highlander 3, Hidalgo, Pope Joan, Arn-The Kingdom at Road´s End, O céu que nos protege, de Bertolucci; A Lei do Desejo, de Almodóvar; Hideous Kinky/O Expresso de Marrakesh, com Kate Winslet; Édipo Rei, de Pasolini; Asterix: Missão Cleópatra; Les Temps que Change, de André Téchiné; The Hills Have Eyes I e II e outros.

Veja mais:

+ Dennis Hopper morre aos 74 anos
+ Leia mais sobre cinema no R7
+ Todos os blogs do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A