31 maio 2010 às 07:39
Dennis Hopper
Foto: Reuters
Só no final do domingo fiquei sabendo da morte de Dennis Hopper. Já havia boatos sobre o câncer na próstata que o tinha atingido, mas não pensei que o desenlace fosse tão rápido. Ele faleceu sábado aos 74 anos, completados duas semanas atrás. Sinto a morte especialmente porque tive a oportunidade de conhecer Dennis em São Paulo, nos anos 80, quando esteve aqui a convite da Mostra Internacional de São Paulo (entre outras palavras do Leon).
Entrevistei-o e ele estava tranquilão, já não consumindo drogas. Relembrou sua amizade com James Dean, com quem fez dois filmes, Assim Caminha a Humanidade e Juventude Transviada, seu passado rebelde e suas dificuldades como realizador. Na verdade, ele veio ao Brasil na esperança de conseguir distribuidor para os filmes que dirigiu na época de sua loucura máxima (nem precisa dizer que não conseguiu). Mas dali em diante, manteve uma relação cordial com Leon sempre que o encontrava em Cannes. Eis a biografia de Hopper como está no meu Dicionário de Cineastas.
Hopper, Dennis (1936- 2010)
Ator americano coadjuvante sem importância, marcado pelo estigma James Dean, de quem foi amigo durante as filmagens de Juventude Transviada e Giant. Conseguiu, com a ajuda de Peter Fonda, produzir e dirigir a mais famosa de todas as road-pictures (subgênero em que os heróis saem viajando em busca de aventuras e soluções) e bike-movies (faroestes em que se usam motos em vez de cavalo).
O estrondoso sucesso de Sem Destino (Easy Rider) começou com um prêmio de estreante, em Cannes, e acabou rendendo uma fortuna, provocou uma série de imitações e uma passageira euforia com o talento jovem. Dois anos depois, ele mesmo fazia profeticamente The Last Movie (O Último Filme), um exercício em godardismo, que teve uma distribuição limitadíssima e foi fracasso total de crítica.
O sucesso e as drogas acabaram por destruir o que existia de talento. Fez uma tentativa de retornar à direção em 1980 com um filme estranho, mostrando os problemas de uma filha de ex-motoqueiro com um viciado em drogas. Trabalhou também como ator no filme O Amigo Americano, de Wim Wenders. Ícone de sua geração, Dennis Hopper trazia as marcas dos anos de excessos de droga. Era disperso nas conversas, desatento, devia ter queimados neurônios demais. Mas ainda conseguia interpretar um louco, tarado ou psicopata como ninguém.
E foi realmente como ator que deu certo em 1986, fazendo filmes sucessivos e virando exemplo de comeback bem-sucedido como o psicopata de Veludo Azul, de David Lynch. Foi o começo de um bem sucedido retorno que o levou novamente a dirigir com outro sucesso, o policial sobre gangs de Los Angeles, As Cores da Violência. Mas, com o tempo, desinteressou-se pela realização. O filme Atraída pelo Perigo foi remontado à sua revelia e apresentado em certas cópias sem o crédito de diretor. Já chegou a marca de 200 trabalhos como ator. Seus últimos créditos são na série de TV Crash, The Last Film Festival e Alpha and Omega, estes dois ainda não lançados.
Filmografia como Diretor :
1969 – Sem Destino (Easy Rider. Dennis Hopper, Peter Fonda)
1971 – The Last Movie (Hopper, Peter Fonda)
1980 – Anos de Rebeldia (Out of the Blue. Dennis Hopper, Linda Manz)
1988 – Cores da Violência (Colors. Sean Penn, Robert Duvall)
1989 – Atraída pelo Perigo (Backtrack ou Catchfire. Dennis Hopper, Jodie Foster)
1990 – Hot Spot – Um Local Muito Quente (Hot Spot. Don Johnson, Jennifer Connely)
1994 – Uma Loira em Apuros (Chasers. Tom Berenger, William McNamara).
2000 – Homeless (CM).
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