31 maio 2010 às 07:10
Dias de Mediador
Fiquei contente com o convite: hoje à tarde, representarei a FAAP (onde sou professor da Pós-Graduação) para receber o diretor Oliver Stone numa entrevista coletiva, depois de uma conversa com os alunos. Ele veio ao Brasil apresentar seu novo filme, um documentário chamado Ao Sul da Fronteira (eu ainda não o assisti). Depois eu conto tudo o que acontecer.
Quero também registrar minha ida neste fim de semana à Serra da Mantiqueira para participar do III Festival da Mantiqueira, em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos, uma cidadezinha encantadora que parece uma Campos de Jordão de 40 anos atrás, cheia de pousadas encantadoras, criadores de queijo (muita cabra!), afinal é perto da fronteira de Minas.
Infelizmente, mal tive tempo de aproveitar a cidade ou a pousada Muriqui, onde me hospedei. Minha missão era ser mediador de uma palestra sobre biografias, aproveitando a experiência que tenho com a Coleção Aplauso. Foram dois convidados, Guilherme Fiúza (autor da biografia de Bussunda, recém lançada, e do sucesso Meu Nome Não É Johnny) e Paulo César da Araújo, que escreveu uma biografia sobre Roberto Carlos, mas que foi proibida pelo cantor (também tem outro livro ótimo, que já conhecia, Eu Não Sou Cachorro Não, sobre cantores de música brega). Ambos são simpáticos, sabem falar, tem senso de humor e são inteligentes. Então não tive quase nenhum trabalho. Mas fiquei fã do projeto Diálogo com a Literatura.
Quem é Oliver Stone? (1946- )
Reuters
Diretor e roteirista americano, certamente o mais polêmico cineasta de sua geração. Gerou o primeiro problema com o governo com seu Salvador, o Martírio de Um Povo, em que criticava a política externa de Reagan. Nascido em 15 de setembro, em Nova York, formou-se em cinema na Universidade de Nova York e trabalhou como taxista.
Serviu no Vietnã durante 14 meses, em 1967. Retornou ferido e foi condecorado com uma Estrela de Bronze pela coragem em combate. Estreou como roteirista com O Expresso da Meia-Noite, de Alan Parker, que lhe valeu um Oscar. Co-escreveu os roteiros de Conan, O Bárbaro, de John Milius, O Ano do Dragão, de Michael Cimino, Morrer Mil Vezes, de Ashby, e fez o roteiro de Scarface, de Brian De Palma.
Trabalhou também como produtor e diretor de uma firma de publicidade em Nova York. Inesperadamente se tornou a sensação de 1986, com o filme autobiográfico Platoon, vencedor dos Oscars de Filme e Direção e que levou dez anos para conseguir financiamento, considerado o primeiro filme a mostrar a Guerra do Vietnã como ela foi na realidade.
Fez mais dois filmes na trilogia sobre o Vietnã, Nascido em 4 de Julho, que lhe deu outro Oscar de Direção, e o mais fraco Entre o Céu e a Terra. Continuou abordando temas políticos e defendeu a tese de conspiração na morte do presidente John Kennedy, JFK. Também fez uma biografia dos momentos cruciais da vida do presidente Nixon em Nixon. Em 1987, outra polêmica ao prever o crash da Bolsa de Nova York com Wall Street, dedicado ao pai, que foi corretor da Bolsa, num filme que deu o Oscar de ator a Michael Douglas.
Mas caiu numa paranóia exagerada que culminou num filme descontrolado, como Assassinos por Natureza e chegou a ser acusado de incitar jovens a cometer atos de violência. Embora ainda dê sinais de talento, como em The Doors, passou a produzir com maior frequência (O Povo Contra Larry Flint, de Milos Forman, 1996; O Corruptor, de James Foley, 1999). Para a TV fez Confissões de um Assassino, de Tim Metcalfe, 1996; Savior – A Última Guerra, de P. Antonijevic, 1997; The Last Days of Kennedy and King, de Vince DiPersio, 1998; The Day Reagan was Shot, de Cyrus Nowrasteh, 2002.
Depois de se queimar com a polêmica em torno de Alexandre, em que, ousadamente, fez questão de mostrá-lo bissexual, forçando-o depois a fazer várias versões censuradas do filme para Home Vídeo e TV. Sua biografia do presidente George W Bush decepcionou a todos. Mas ele contra atacou com uma continuação de Wall Street.
Dir.: 1970 – Street Sins (Co-d.).
1974 – Seizure (Idem. no Canadá, Jonathan Frid, Martine Beswick)
1981 – A Mão (The Hand. Michael Caine, Andrea Marcovicci)
1985 – Salvador, o Martírio de Um Povo (Salvador. James Woods, Jim Belushi)
1986 – Platoon (Idem. Tom Berenger, Charlie Sheen)
1987 – Wall Street – Poder e Cobiça (Wall Street. Michael Douglas, Daryl Hannah)
1988 – Talk Radio (Idem. Eric Bogosian, Alec Baldwin)
1989 – Nascido em 4 de Julho (Born on the Fourth of July. Tom Cruise, Kyra Sedgwick)
1991 – The Doors (Idem. Val Kilmer, Meg Ryan). JFK – A Pergunta que não quer Calar (JFK. Kevin Costner, Sissy Spacek)
1993 – Entre o Céu e a Terra (Heaven and Earth. Tommy Lee Jones, Joan Chen)
1994 – Assassinos por Natureza (Natural Born Killers. Woody Harrelson, Juliette Lewis)
1995 – Nixon (Idem. Anthony Hopkins, Joan Allen)
1997 – Reviravolta (U-Turn. Sean Penn, Nick Nolte)
1999 – Um Domingo Qualquer (Any Given Sunday. Al Pacino, Cameron Diaz)
2003 – Comandante (Idem. Doc.)
2004 – Alexandre (Alexander. Colin Farrell, Angelina Jolie).
2006 – As Torres Gêmeas (World Trade Center. Nicolas Cage, Maria Bello)
2008 - W. (Idem. Josh Brolin, Elizabeth Banks)
2009 - Ao Sul da Fronteira (South of the Border. Documentário)
2010 - Wall Street Money Never Sleeps ( Michael Douglas, Shia LeBoeuf)
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