29 junho 2010 às 06:00
Katharine Hepburn
Hoje, terça-feira, se relembra os sete anos do falecimento desta lenda do cinema. Ela sobreviveu a tudo e a todos. Foi a atriz mais premiada pela Academia, teve quatro Oscars (Manhã de Glória, 33, Adivinhe Quem Vem para Jantar, 67, Leão no Inverno, 68, e Num Lago Dourado, 81).
Foi escolhida como a estrela número 1 da história do cinema pela revista Entertainment Weekly, ganhando de Audrey Hepburn, que ficou em segundo e não era sua parente. Foi uma das figuras mais controvertidas e também amadas do século passado. E no entanto, continuou um mistério.
A morte de Katharine Hepburn em 29 de junho de 2003, fez com que toda a imprensa se derramasse em elogios, mas poucos conseguiram decifrar seu mistério.
Katharine Hepburn não era, nem nunca pretendeu ser, uma atriz versátil. Era basicamente uma grande personalidade. Por vezes, seus defeitos eram óbvios, a voz era estridente e rachada, quase como a do Pato Donald (e ela mesmo reconhecia isso). Sua beleza não era convencional, o rosto era sardento e o corpo magro demais.
No fim da vida, vítima de um mal dos nervos, não conseguia deixar de balançar a cabeça e os olhos se enchiam de lágrimas, segundo ela, por causa de uma infecção que adquiriu quando caiu nas águas sujas de Veneza numa das cenas de Quando o Coração Floresce. No entanto, foi até o fim da vida um exemplo de garra, coragem, individualidade e coerência.
Kate fez uma notável parceria com Spencer Tracy em 12 filmes na tela e na vida real. Nunca se casaram, ele era católico e tinha esposa e um filho doente surdo, que usava como desculpa para não se divorciar.
Depois que ele se foi, Kate acabou se tornando amiga da filha de Tracy. Mas foi o amor da vida dele. Um romance que a imprensa sempre respeitou e nunca revelou. Somente agora, depois da morte, quando não há mais perigo de processos é que tem surgido livros especulando sobre o romance.
Parece que Tracy era um alcoólatra, tinha ataques de violência com frequência, impotente, e a aparência masculinizada de Katharine não escondia suas tendências lésbicas, para as quais Tracy poderia ser uma boa fachada. É provável que sim, afinal todas as grandes divas do cinema, de Garbo a Dietrich, eram cultoras de Safo.
Sua carreira de 51 filmes está repleta de pontos baixos e altos. Não se esqueçam que quando ela terminou seu contrato com a RKO, depois de uma série de filmes fracos, no final dos anos 30 ela foi votada pelos exibidores como veneno de bilheteria.
Desempregada, voltou para a Broadway, onde produziu a peça Philadelphia Story, que depois vendeu para a Metro como Núpcias de Escândalo. Como era dona dos direitos, colocou-se no elenco e desde então, passaria mais de uma década no estúdio.
Fez algumas solteironas memoráveis como a missionária de Uma Aventura na África, com Humphrey Bogart e a outra que foi buscar o amor em Veneza, em Quando o Coração Floresce. A rainha da Aquitânia no premiado O Leão No Inverno, a mãe megera de De Repente no Último Verão, de Tennessee Williams.
Uma vez Kate disse que, se você vive o suficiente, acaba virando um monumento nacional. E isso acabou acontecendo realmente com ela. Quando faleceu , Katharine já tinha o status de ícone, musa, deusa. Das grandes do cinema. E nada abalou essa sua condição.
Filmografia
• O Poder do Natal (One Christmas, 1994) (TV)
• Love Affair – Segredos do Coração (Love Affair, 1994)
• Vestígios de Uma Paixão (This Can't Be Love, 1994) (TV)
• The Man Upstairs (1992) (TV)
• Laura Lansing Slept Here (1988) (TV)
• Mrs. Delafield Wants to Marry (1986) (TV)
• Grace Quigley – Um Jogo de Vida e Morte (Grace Quigley, 1984)
• Num Lago Dourado (On Golden Pond, 1981)
• Milho está Verde (The Corn Is Green, 1979) (TV)
• A Grande Aventura (Olly, Olly, Oxen Free, 1978)
• Justiceiro Implacável (Rooster Cogburn, 1975)
• Amor Entre Ruínas (Love Among the Ruins, 1975) (TV)
• Um Equilíbrio Delicado (A Delicate Balance, 1973)
• Algemas de Cristal (The Glass Menagerie, 1973) (TV)
• As Troianas (The Trojan Women, 1971).
• A Louca de Chaillot (The Madwoman of Chaillot, 1969)
• Leão no Inverno (The Lion in Winter, 1968)
• Adivinhe Quem Vem Para Jantar (Guess Who's Coming to Dinner, 1967)
• Longa Jornada Noite Adentro (Long Day's Journey Into Night, 1962)
• De Repente, no Último (Verão Suddenly, Last Summer, 1959)
• Amor Eletrônico (Desk Set, 1957)
• A Saia de Ferro (The Iron Petticoat, 1956)
• Lágrimas do Céu (The Rainmaker, 1956)
• Quando o Coração Floresce (Summertime, 1955)
• A Mulher Absoluta (Pat and Mike, 1952)
• Uma Aventura na África (The African Queen, 1951)
• A Costela de Adão (Adam's Rib, 1949)
• Sua Esposa e o Mundo (State of the Union, 1948)
• Sonata de Amor (Song of Love, 1947)
• Mar Verde (The Sea of Grass, 1947)
• Correntes Ocultas (Undercurrent, 1946)
• Sem Amor (Without Love, 1945)
• A Estirpe do Dragão (Dragon Seed, 1944)
• Fogo Sagrado (Keeper of the Flame, 1942)
• A Mulher do Dia (Woman of the Year, 1942)
• Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story, 1940)
• Boêmio Encantador (Holiday, 1938)
• Levada da Breca (Bringing Up Baby, 1938)
• No Teatro da Vida (Stage Door, 1937)
• A Rua da Vaidade (Quality Street, 1937)
• Liberta-te Mulher (A Woman Rebels, 1936)
• Maria Stuart (Mary of Scotland, 1936)
• Vivendo em Dúvida (Sylvia Scarlett, 1935).
• A Mulher que Soube Amar (Alice Adams, 1935).
• Corações em Ruína (Break of Hearts, 1935)
• Pequeno Ministro (The Little Minister, 1934)
• A Mística (Spitfire, 1934)
• As Quatro Irmãs (Little Women, 1933)
• O Amanhecer da Glória (Morning Glory, 1933)
• Assim amam as mulheres (Christopher Strong, 1933)
• Vítimas do Divórcio (A Bill of Divorcement, 1932)
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