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8 julho 2010 às 06:10

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Estreia – Ponyo, uma amizade que veio do mar

Este é o mais recente filme do diretor mais famoso do Japão atualmente, Hayao Miyazaki. Acho que a melhor maneira de falar dele é relembrar sua carreira: Miyazaki (1941). Diretor, desenhista e roteirista japonês. Um ícone em sua terra natal, campeão absoluto de bilheteria e respeitado em todo o mundo.

Nasceu em Tóquio, num dia 5 de janeiro. Durante sua infância, morou em várias cidades e estudou em diferentes escolas, por causa da Segunda Guerra Mundial. Nesse período, sua mãe sofreu com tuberculose espinhal, ficando internada por nove anos. Além disso, ela passou os primeiros anos da doença em um leito de hospital.

Tonari no Totoro, um dos longas mais conhecidos do diretor, é uma homenagem a essa fase de sua vida, considerado por muitos críticos como autobiográfico. Durante seu último ano de colegial, assistiu ao primeiro longa animado colorido do Japão, Hakuja Den (1958, de Yabushita Taiji), produzido pela Toei Animation, o que lhe despertou o interesse pela área. Até então, sua experiência com desenhos se resumia a diversas artes de aviões e aeronaves.

ponyo Estreia   <i>Ponyo, uma amizade que veio do mar</i>Após se formar na Toyotama High, ingressou na Universidade Gakushuin no curso de economia, em 1959. Lá, participou de um clube de pesquisa de literatura infantil, onde havia fãs de quadrinhos. Formou-se em Ciências Políticas e Economia em 1962, e logo após conseguiu um emprego na Toei Animation. Trabalhou na série de tevê Wolf Boy Ken. Foi secretário-chefe do sindicato trabalhista da Toei (além de continuar com seu trabalho na animação).

Quando a produção do longa animado Prince of the Sun começou, em 1965, se ofereceu para trabalhar como voluntário ao diretor Isao Takahata. Casou-se no mesmo ano com a colega de trabalho Akemi Ota. Prince of the Sun foi finalmente lançado em 1968. Durante os anos 70, dirigiu episódios de várias séries de TV.

Em 1982, escreveu e desenhou o mangá Kaze no tani no Naushika, mais conhecido internacionalmente como Nausicaä of the Valley of the Wind. A obra fez grande sucesso e o levou a preparar a versão animada da história. Com o êxito da animação, aproveitou para criar o Estúdio Ghibli. Em 1996, com o aumento dos investimentos americanos nos gêneros anime e mangá, a Disney percebeu a qualidade e o sucesso dos filmes do diretor no oriente e garantiu os direitos de distribuição de seus trabalhos.

ponyo2 Estreia   <i>Ponyo, uma amizade que veio do mar</i>Por A Viagem de Chihiro, uma parceria da Disney com estúdios japoneses, venceu 35 prêmios ao redor do mundo, incluindo o Oscar de animação, críticos de Nova York e Festival de Berlim. Recebeu outra indicação ao Oscar de animação, pelo longa O Castelo Animado. Por Gake no ue no Ponyo, foi premiado duas vezes em Veneza.

Dir.: 1979 - O Castelo de Cagliostro (Rupan sansei: Kariosutoro no shiro)
1984 - Kaze no tani no Naushika
1986 - Tenkû no shiro Rapyuta
1988 - Tonari no Totoro (Meu Vizinho Totoro)
1989 - Majo no takkyûbin (O Serviço de Entrega de Kiki)
1992 - Porco Rosso – O Último Herói Romântico (Kurenai no buta)
1995 - On Your Mark (CM.)
1997 - Mononoke-hime (A Princesa Mononoke)
2001 - A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no kamikakushi); Kujira tori (CM.)
2002 - Koro no dai-sanpo (CM.); Mei to Koneko basu (CM.)
2004 - O Castelo Animado (Hauru no ugoku shiro)
2006 - Hoshi wo katta hi (CM.); Yadosagashi (CM); Mizugumo monmon (CM.)
2008 - Ponyo, uma Amizade que veio do Mar (Gake no ue no Ponyo).

Este seu novo filme é uma espécie de versão japonesa e pessoal de A Pequena Sereia. Ou seja, é preciso um pouco de tempo e paciência, coisas que crianças geralmente não têm, para mergulhar num universo e filosofia oriental, diferente da nossa.

ponyo3 Estreia   <i>Ponyo, uma amizade que veio do mar</i>A heroína se chama Ponyo, (quem fez a voz na versão americana foi a irmã mais nova de Miley Cirus, Noah) uma filha do mar, meio peixe, meio humana. Ela encontra um garoto de 5 anos, Sosuke, que o destino havia-o separado dela, que corre perigo porque uma grande tempestade está para acontecer no lugar onde ele mora com sua mãe.

Quem já conhece o universo do cineasta terá mais facilidade de se identificar com seus temas, a natureza, sua fragilidade e poder, basicamente tudo o que sucede na Terra. Mas esta sereia, que não veio de Hans Christian Anderson, é bastante clara e fácil de entender. Parece já propositalmente endereçada aos mais pequenos. Ninguém morre, não há grandes desenlaces. Mas tem a magia do traço do mestre japonês (ajudado pelas vozes, em inglês, de gente como Liam Neeson, Cate Blanchett e Matt Damon), capaz de criar um universo tão peculiar e tão sedutor.

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