27 julho 2010 às 06:00
Por que estrelas?
Foi assistindo Salt, com Angelina Jolie, que percebi como é importante a presença de uma estrela para determinados filmes, aliás quase todos (fora os documentários e os muito engajados). O que seria apenas uma aventura de espionagem, bastante banal, ganha contornos misteriosos por causa da figura de Angelina, a única mulher que foi aceita como protagonista de filmes de ação e uma das poucas que hoje em dia significa alguma coisa em termos de bilheteria.
Por causa disso, que dizem que não há mais estrelas, que se trata de uma coisa ultrapassada e decadente. Em primeiro lugar é bom lembrar, que não foram os produtores ou estúdios que as inventaram, ao contrário tiveram que tolerá-las. Foi o público que as elegeu e as estrelas construídas, pré-fabricadas, duram muito pouco. E desde que sejam fieis e não façam besteira (como é atualmente o caso de Mel Gibson, que está vendo o fim de sua carreira, não só porque falou mal de judeus mas porque agora bateu na mulher e não se curou do alcoolismo).
Vejam por exemplo a Broadway, durante anos ela tem padecido dessa ausência de figuras que fossem carismáticas o suficiente para atrair publico. Por isso dependiam de temporadas passageiras de astros de cinema (Daniel Craig, Julia Roberts, Hugh Jackman e assim por diante). O compositor, a cenografia (no caso, do Phantom) se tornavam as estrelas , a atração (as exceções são poucas como atualmente Nathan Lane e Kristin Chenoweth). Afirmo mais ainda: o teatro musical no Brasil não foi mais adiante, porque nos faltam estrelas (homens e mulheres), pessoas que por sua simples presença garantiriam o sucesso de um projeto (Daniel Boaventura estava nesse caminho mas gravou um disco esquisito e participou de novela desastrosa).
Na verdade, a grande geração de estrelas brasileiras está hoje na faixa dos 60 anos para cima ou perto disso (como Christiane Torloni). É difícil mesmo encontrar gente com menos idade para liderar filmes ou telenovelas (a exceção seria Gloria Pires, que teve uma carreira peculiar sem fazer teatro mas se impôs como a maior de sua geração).
É curioso que o cinema brasileiro tenha sempre brilhado pela presença de estrelas realmente criadas por filmes, como Norma Bengell depois de Os Cafajestes, Anecy Rocha (que era um encanto na tela), Glauce Rocha e principalmente Leila Diniz, todas elas infelizmente desaparecidas cedo demais. Logo depois veio a geração da pornô-chanchada com uma dúzia de mulheres belas (de Helena Ramos a Aldine Muller).
Hoje faltam mulheres e quando surge uma (como Letícia Sabatella ou Juliana Paes, ainda não conseguiram deixar sua marca na tela grande). Porém há uma nova safra de rapazes que revelaram talento (Caio Blat, Daniel de Oliveira, e a turma da Bahia, Brictha, Wagner e Lázaro Ramos, todos eles absorvidos devidamente pela televisão).
Mas aonde estão as grandes estrelas de amanhã? Vendo o filme de Gal (Luis Alberto Pereira) sobre Os Doze Signos, constatei cerca de uma dúzia de mulheres interessantes e charmosas, todas com talento e beleza, que bem tratadas poderiam fazer carreira. A mesma coisa no filme carioca Desenrola (duas delas já foram absorvidas pela Globo) e também nas belezas negras de Cinco Vezes Favela. Ou seja, não nos faltam mulheres que poderiam ser estrelas.
Não temos é cineastas com vocação para serem Roger Vadim ou Khouri, de cultuarem musas ou celebrarem a figura feminina. É bem capaz de termos a nossa Angelina Jolie solta por aí e ainda não termos nos dado conta.
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