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28 julho 2010 às 11:24

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Inéditos de Woody Allen saem em DVD

Já comentamos como as distribuidoras mais espertas estão lançando em DVD as lacunas de diretores que continuam a ter um público fiel. É o caso da Fox que agora coloca à venda os três últimos filmes que Woody Allen fez para a Orion (ele ficou lá justamente até a produtora e distribuidora, sucessora da United, abrir falência). Eis os três filmes de qualidades diferentes.

Simplesmente Alice **** (Alice)

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Áud: Ing, Port. Leg: Port, Esp, Ing. Comedia/Romance. Widescreen. 106 min. Cor. 1990. EUA Orion Fox.

Diretor: Woody Allen . Elenco: Mia Farrow, Alec Baldwin, William Hurt, Keye Luke, Gwen Verdon, Patrick O´Neal, Bernadette Peters, Joe Mantegna, Cybill Shepherd, Holland Taylor, Rachel Miner, Elle McPherson, Bob Balaban, Lisa Marie.

Sinopse: Uma dona de casa de Manhattan muda de vida quando consulta um curandeiro mágico de Chinatown, o Dr Yang.

Comentários: Chegou a ser indicado ao Oscar de roteiro, Globo de Ouro de atriz, César de filme, Sindicato dos Roteiristas e rendeu o National Board de melhor atriz. Sinal de que a dupla Woody e Mia estava no auge do prestígio, embora fossem fazer só mais dois filmes juntos, antes da relação explodir em brigas. Woody teve romance com a filha adotiva coreana dela, ainda menor de idade. Com raiva, a atriz o acusou de ter relações sexuais com o filho legítimo do casal (o que era raiva de mulher traída, mas provocou grande escândalo na época, prejudicando a carreira do diretor).

Nada disso se percebe nesta encantadora comédia romântica, que tem um clima estranho e mágico, traz o veterano Keye Luke (ator característico japonês que morreu logo depois de concluída as filmagens) como acupunturista e curador chinês, que durante uns poucos dias faz com que a heroína descubra a verdade sobre o marido, seus pais, seu casamento, sua família e ela mesma. Só que essa processo metafísico é também engraçado. Não parece ter maior relação com a Alice do País das Maravilhas, ela é hipnotizada e vai descobrindo que as dores nas costas são resultado do casamento infeliz com um médico (Hurt).

Com as ervas do Dr.Yang, ela consegue ficar invisível (e assim flertar com Mantegna), ter uma conversa imaginária com o marido, se entender com a mãe e até fazer um voo por Manhattan com o fantasma de um ex-namorado (Alec Baldwin, que aparece transparente!). O diálogo é afiado e Woody ainda aproveita para trabalhar com lendas da Broadway como Gwen Verdon e Bernadette Peters. Sem  estar entre as obra-primas, porém, é um filme bem sucedido, divertido, com grandes sacadas e ótimo elenco. Vale ter em sua coleção.

Setembro ** (September)

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Áud: Ing ,  Port. Leg: Port, Esp, Ing. Drama.  Widescreen. 82 min. Cor. 1987. EUA. Orion Fox.

Diretor: Woody Allen . Elenco: Mia Farrow, Dianne Wiest, Denhholm  Elliot, Elaine Stritch, Sam Waterston, Jack Warden, Rosemary Murphy.

Sinopse: Numa casa de verão em Vermont, o vizinho Howard se apaixona por Lane, que tem um caso com Peter (e que por sua vez esta caído por Stephanie, que é casada e tem filhos). Mas Lane tem um segredo no passado.

Comentários: Este é o segundo drama da carreira de Allen e também o seu pior filme. Foi a única vez em que ele rodou o longa inteiro e depois o achou tão ruim, que escondeu o resultado (até hoje) e o refez inteiramente, modificando a maior parte do elenco.

A proposta era fazer um filme radical, rodado num único lugar, com pequeno elenco (seis principais, nove ao todo), no que ele chamou de “chamber piece” (como se fosse música de Câmara). O problema é que ele foi concebido para ser feito na casa de campo de Mia, em Connecticut, em setembro, mas quando o roteiro ficou pronto era tarde demais e tiveram que rodar tudo no estúdio Astoria Kauffman, em Nova York.

Segundo Mia, Woody filmou duas ou três versões de cada cena e, depois na montagem, decidiu que odiava o resultado. Reescreveu tudo, mudou o elenco e, quando terminou, tinha ultrapassado o orçamento e só por isso não fez de novo porque continuava insatisfeito. Parece que a intenção é fazer uma peça capturada em filme, e por isso tem longas tomadas e poucos closes. O problema maior, porém, é ético: um intelectual dito sério como ele não poderia ter feito esta história, que é inspirada num fato real, o assassinato do amante de Lana Turner por sua filha e que muita gente dizia, na verdade, ter sido uma forma de acobertar a verdadeira assassina, a mãe (é mais ou menos como se alguém resolvesse contar os problemas de Woody com Mia num filme, igualmente mau caráter e indigno para um artista sério como ele pretende ser). O cineasta chegou ao cúmulo de substituir a própria sogra Maureen O´Sullivan (mãe de Mia, por Elaine Stritch, estrela da Broadway), Charles Durning e Sam Shepard (Denholm e Sam ficaram no lugar deles).

Além disso, houve a dispensa de Christopher Walken, que logo no começo do filme fazia o papel que depois foi passado para Sams (Woody o achou errado para o personagem e o dispensou). O fato é que Woody estava certo em achar que era melhor nem ter feito este filme.

Neblina e Sombras** (Shadows and Fog)

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Áud: Ing ,  Port. Leg: Port, Esp, Ing. Drama. Widescreen. 85 min. PB. 1991. EUA. Orion Fox.

Diretor: Woody Allen. Elenco: Woody Allen, Mia Farrow, Madonna, Jodie Foster, John Cusack, Donald Pleasence, John Malkovich, Lily Tomlin, Kathy Bates, John C. Reilly, Phillip Bosco, Kate Nelligan, William H. Macy, Michael Kirby.

Sinopse: Quando uma cidadezinha é ataca por um estrangulador serial, o cantador Kleinman sai a procurar do grupo de vigilantes que o está caçando.

Comentários: Este foi o último filme de Allen para a Orion, que já estava praticamente falida. Embora seja dos trabalhos mais ambiciosos artisticamente, dá a impressão de que desta vez ele não teve o tempo ou o dinheiro para polir o filme como costumava (ele sempre deixava no orçamento certo dinheiro que era para refazer cenas de que não gostava e poder mexer no resultado na finalização). Por isso dá a impressão de ser apenas um primeiro esboço de uma ideia curiosa que poderia ter resultado muito melhor. Afinal esta é homenagem que Woody faz ao cinema expressionismo alemão, rodando em preto e branco, e com uma esplendida fotografia (do italiano Carlo de Palma, que costumava trabalhar com Antonioni) e o desenho de produção do fiel Santo Loquasto.

Também o elenco é dos melhores e mais famosos (tem até Madonna e Jodie Foster, mas não sabe aproveitá-los). Inspirado numa peça do próprio Allen, chamada Morte, pretende ser uma paródia da obra de Franz Kafka, em particular O Processo. Rodado inteiramente nos estúdios Astoria Kaufman, em Nova York, no maior set já construído naquela cidade (por isso foi o filme mais caro dele até então, custou U$ 19 milhões e foi um tremendo fracasso).

Mas a referência mais próxima é mesmo M de Fritz Lang, usando muito a música de Kurt Weill, só que nem aspira a ser paródia.  Mas parece mais um esboço do que um filme completo. Muita neblina, muita sombra, nenhuma substância.  

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