27 agosto 2010 às 14:13
Ingrid Bergman – Carisma e talento indestrutíveis
No próximo domingo, dia 29, relembra-se a perda de uma das mulheres mais amadas e queridas do mundo, falecida em 1982, em Londres, vítima de câncer no seio.
Talvez Ingrid Bergman tenha sido a mulher mais bela do cinema. Certamente a mais sem artifícios, mais natural.
Quando surgiu no cinema americano, no fim dos anos 30, Ingrid teve um extraordinário impacto no mundo e na moda.
Pela primeira vez se viu uma mulher na tela com as sobrancelhas não depiladas, com um mínimo de maquiagem, feliz de se apresentar ao mundo com sua saudável beleza.
Ser natural, naquele tempo, era ser revolucionário.
Até por isso que, quando descobriu-se que ela tinha os mesmos defeitos que outros meros mortais, houve tal escândalo. Acostumados a vê-la como freira ou santa, o público não aceitou o fato de Ingrid engravidar de outro homem quando ainda estava casada com o primeiro marido.
Não importava que o casamento fosse apenas fachada, o importante era manter a moral aparente e o caso de Ingrid com o diretor Roberto Rossellini foi o maior escândalo dos anos 40. Tanto que ela foi denunciada como pecadora no próprio Congresso americano e durante anos ficou proibida de voltar a América adotiva.
Você pode comprovar como foi a parceria do casal, Ingrid e Rossellini, assistindo aos DVDs de seu trabalho. Os dois se casaram em 1950 e se divorciariam em 1957, quando ela descobriu que Roberto tinha feito a mesma coisa de novo, engravidou uma mulher indiana.
Tiveram três filhos, Robertinho, que nunca quis fazer cinema e as gêmeas Isola e Isabella Rossellini que depois se casou com Martin Scorsese e também virou uma estrela.
Tudo começou com Stromboli, que foi um fracasso de bilheteria por ser um filme anti-Hollywood.
Ingrid aparece sem maquiagem sim, mas com roupas comuns, demonstrando que era alta demais para sua época, fotografada em ângulos desfavoráveis e totalmente sem glamour.
Todos os seis filmes que fizeram juntos foram grandes fracassos. Mas é difícil imaginar, hoje em dia, como era a mentalidade moralista da época, que condenou Ingrid durante anos ao exílio na Europa.
Nascida na Suécia, em 1915, conseguiu estudar arte dramática graças à herança de um tio. Seu primeiro filme foi em 1934 e em 1937 casou-se com um médico chamado Peter Lindstrom. Fez doze filmes por lá antes de ser descoberta pelo produtor David O. Selznick, o mesmo de E o Vento Levou, que resolveu contratá-la e levá-la para os Estados Unidos.
Foi também ideia deste deixá-la o mais natural possível. Para os americanos foi amor à primeira vista, durante os anos de 1939 até 1948 Ingrid foi uma das maiores estrelas de Hollywood, fazendo filmes memoráveis como Por Quem os Sinos Dobram, com Gary Cooper, os premiados com o Oscar Casablanca, Mulher Exótica/Saratoga Trunk, novamente com Cooper, e ainda rodando três filmes com o mestre Hitchcock de quem era a favorita (Interlúdio /Notorious, Sob o Signo de Capricórnio e Quando fala o Coração/Spellbound, com Gregory Peck). Fazia sucesso principalmente em papéis de boazinha como em Os Sinos de Santa Maria, ao lado de Bing Crosby.
Stromboli mudou tudo isso como a erupção de um vulcão. Durante quase uma década ela viveria e trabalharia na Itália, até Hollywood a chamar novamente para Anastásia, a Princesa Esquecida, lhe dando um Oscar de melhor atriz, o seu segundo prêmio.
Com a Flor de Cacto, em 1969, chegou mesmo a rodar uma fita em Hollywood, sem maiores consequências. Chegou ainda a ganhar um terceiro Oscar, agora de coadjuvante, por Assassinato no Orient Express (1974) e ao realizar o sonho de trabalhar dirigida por Ingmar Bergman (não eram parentes), em Sonata de Outono (teve nova indicação ao Oscar), nesta altura já estava com câncer, mas mesmo assim aceitou fazer um telefilme sobre Golda Meir.
Ela morreu aos 67 anos. Seu carisma, porém, continua indestrutível a cada vez que entra em cena e pede: " Por favor Sam, toque As Time Goes By..."
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