30 agosto 2010 às 09:11
Os Emmys: Humor foi a chave da festa
Por um momento, achei mesmo que a festa do Emmy, o Oscar da televisão, tinha encontrado a fórmula do sucesso e da audiência. Embora o apresentador Jimmy Fallon fosse apenas mediano, a proposta foi fazer um show rápido, movimentado, com muitas piadas – na sua maior parte pré-gravadas (assim todos os indicados, roteiristas e diretores respondiam a perguntas do tipo “o que sua família queria que você fosse quando crescesse?”- sempre com boas sacadas).
Em vez de começar com o tradicional monólogo, a abertura foi em parte pré-gravada pelos bastidores do teatro Nokia numa exuberante e divertida homenagem a Glee (que, no final das contas, só serviu para aumentar a decepção quando a série acabou perdendo para Modern Family, como melhor comédia. Na verdade, no pré-show, os apresentadores da NBC deram várias dicas a respeito! Ou seja, a suspeita já corria pelo ar).
Enfim, durante a primeira hora, tudo foi muito legal, não só a paródia de Glee, mas também a de Modern Family até com pontinha de George Clooney e se tentava manter a audiência com avisos como a participação de Clooney ou do elenco de True Blood.
O problema como sempre é que o Emmy é muito conservador no sentido de que é difícil de mudar de ideia. Depois que alguém ou uma série ganha, costuma-se sempre a votar novamente na mesma produção, como é o caso de prêmios consecutivos para Breaking Bad (uma série que eu não consigo gostar, doentia demais para meu gosto. Por que não Hugh Laurie que até hoje nunca ganhou?) ou Mad Men (ótima, porém, já podia dar abertura para outros mais recém-chegados). O próprio show de Jon Stewart reclamou de estar ganhando pela oitava vez consecutiva, ou coisa que o valha. E Eddie Falco, já super premiada três vezes por A Família Soprano, classificou seu prêmio de ridículo, acrescentando “eu não sou comediante”! O que já diz tudo (ela levou por outra série favorita minha, Nurse Jackie, em que o humor é negro). As surpresas foram poucas como Kyra Sedgwick, outra que nunca havia ganhado e há muito merecia.
Preciso confessar que eu torcia abertamente para Glee, que embora possa ter ganhado no computo geral, provocou a mesma sensação que Avatar no Oscar. Ou seja, a Academia de TV negou aos fãs uma satisfação que só a prejudica.
De qualquer forma, o Emmy, que já foi o mais chato de todos os shows de entrega de prêmios, recuperou-se lindamente nos últimos anos graças a esse louvado senso de humor. Mesmo assim Glee levou o prêmio de melhor diretor (Ryan Murphy) e Jane Lynch (assumindo sua homossexualidade, aliás o show foi todo GLS). A apresentação utilizou grandes painéis com fotos dos indicados (que resultaram interessantes), pequenas vinhetas musicais ao vivo para separar as diversas partes (reality, comédia, filmes, drama), uma delicada canção de Jewel para homenagear os falecidos. Uma outra intervenção musical discutível, com Fallon vestido de Elton John cantando Candle in the Wind para os shows que terminaram este ano (inclusive Lost que saiu em branco ao menos dos grandes prêmios).
Não deixa de ser irônico para os americanos o fato de que a NBC, um canal aberto, transmita uma festa que faz basicamente o louvor das TVs por assinatura. Da HBO então nem se fala, porque esta foi elogiada de todas as formas, já que produzia os três filmes vencedores, todos justos, por sinal: a minissérie Pacific e o telefilme Temple Grandin. Não havia dúvida qde ue Claire Danes levaria o prêmio por seu excelente trabalho como uma mulher que sofria de uma forma especial de autismo, o que não a impediu de ser uma pessoa bem sucedida , criando gado! Aliás, ela estava lá presente na festa, para ser várias vezes aplaudida. Também Al Pacino como o Dr. Morte (o médico que foi preso por aplicar e defender a eutanásia) era outra escolha inevitável. Ambos estão no “top of their game”, no auge da forma. Um detalhe: Claire mudou a maquiagem de tal forma que estava quase irreconhecível, ainda que para melhor!
Fiquei feliz também com prêmios como guest-stars ou coadjuvantes para a adorável Betty White, Neil Patrick Harris, John Lithgow (Dexter foi outro injustiçado) e Ann-Margret (outra recauchutada e tímida, mas não podemos esquecer de que já foi grande estrela desde o começo dos anos 60). E até o diretor Mick Jackson por Temple (ele fez O Guarda Costas, do Kevin Costner, e meu cult L.A.Story).
Um destaque especial também para a latina Sofia Vergara, que fotografou espetacularmente num vestido dourado (a brincadeira com o 3D foi em cima). Em matéria de desfile de moda, a NBC demoliu Anna Paquin e January Jones (esta sim não parecia nada à vontade com sua esquisita roupa azul que ela chamou de pavão). E falta reclamar de outra serie favorita minha, The Good Wife, que foi injustamente esquecida, com a brilhante Julianna Margulies!
Ou seja, entre erros e acertos, a festa do Emmy deste ano foi melhor do que as anteriores e boa de assistir. Aproveite a chance e a reveja no próximo domingo, às 20h, no canal Sony (agora em versão já legendada).
OS - Quero registrar o falecimento do nosso amigo, Ary Fernandes, de quem tivemos o prazer de editar a biografia pela Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial, e de fazer uma entrevista aqui no blog quando do lançamento em DVD da série Vigilante Rodoviário. Era um grande sujeito e querido profissional.
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