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31 agosto 2010 às 06:00

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Oscars honorários : Jean-Luc Godard

A pergunta é: será que Godard, um tipo difícil, recluso, que normalmente recusa viajar (não foi este ano a Cannes apresentar seu último filme, preferindo ficar em sua casa na Suiça) vai estar presente na festa de entrega do prêmio?

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Foto: Reuters

Não deixa de ser curioso que a Academia de Hollywood esteja premiando justamente o diretor de cinema que desconstruiu a linguagem cinematográfica e liberou a câmera. Um revolucionário que nunca fez um filme americano, mas que sempre professou seu amor pelo grande cinema dos autores de lá, que conseguiu burlar as regras da indústria. Mas também nada mais justo.

Jean-Luc Godard

(1930). Diretor francês. Parisiense, filho de francos suíços (o pai era médico, a mãe vinha de família de banqueiros) e durante a Segunda Guerra se naturalizou suíço, estudando em Nyon. Os pais se separaram em 58 e ele se mudou para Paris onde estudou etnologia na Sorbonne. A família o ajudou a produzir os primeiros filmes dos amigos Jacques Rivette e Rohmer (com quem havia fundando La Gazette du Cinéma (1950). Mas logo o deserdou e ele teve que, muitas vezes, roubar para sobreviver.

Em janeiro de 1952 começou a colaborar no Cahiers du Cinéma, Arts e outras revistas especializadas como crítico de cinema. Foi um dos fundadores da Nouvelle Vague e dos formuladores da Politique des Auteurs (onde o diretor é considerado o único autor na produção de uma fita).

Ousado e criativo, Godard revolucionou o cinema, utilizando com brilhantismo a câmera e a iluminação natural de Raoul Coutard, os talentos de suas mulheres Anna Karina e Anne Wiazemsky, as lições que aprendeu em cinematecas, fazendo o cinema francês redescobrir a política: com o anarquismo de Acossado (uma homenagem aos filmes B da Monogran), a crítica à guerra da Argélia em O Pequeno Soldado, o questionamento da posição da mulher na sociedade moderna (Uma Mulher Casada).

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Foto: Reprodução

Suas inovações foram exaustivamente imitadas até maio de 1968, quando rompeu com o chamado cinema comercial, passando a fazer, segundo sua definição, politicamente filmes políticos, substituindo a equipe pela célula, denominada Grupo Dziga Vertov e trabalhando em estreita colaboração com J. P. Gorin.

Um acidente de motocicleta em 1974 o deixou com cicatrizes e temporariamente inválido. Godard apareceu também como ator, em filmes como Cleo de 5 a 7, de Varda, Choses que Je Sais d’Elle. (Marina Vlady, Annie Duperey). O Amor Através dos Séculos (Le Plus Vieux Métier du Monde. Epis. Anticipation. Anna Karina, Jacques Charrier). A Chinesa (La Chinoise. Anne Wiazemsky, Jean-Pierre Léaud). Loi du Viet-nam (em  colaboração com outros diretores). Week-end à Francesa (Week-end. Mireille Darc, Jean Yanne). Amor e Raiva (Amore e Rabbia. Epis. L’Amore. Nino Castelnuovo, Christine Guého).

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Foto: Reprodução

1968 – One Plus One (Idem. The Rolling Stones, Anne Wiazemsky. Também conhecido como Simpathy for the Devil, em versão ligeiramente diferente).

1967-73 –Trabalhos não-comerciais, por vezes co-dirigidos por Jean Pierre Gorin, com o Grupo Dziga Vertov de cinema militante. Entre os filmes não lançados comercialmente: Luttes en Italie (as lutas ideológicas na Itália). Pravda (Godard só, a invasão soviética na Tchecoslováquia). Vent d'Est, Le Gai Savoir/Idem, com Jean Pierre Léaud, Juliet Berto), British Sounds, Vladimir et Rosa.

1973 – Tout Va Bien (Jane Fonda, Yves Montand).

1975 – Numéro Deux.

1976 – Machine - Machine, Ici et Ailleurs.

1979 – Salve-se Quem PuderA Vida (Sauve qui Peut – La Vie. Isabelle Huppert, Jacques Dutronc).

1981 – Lettre à Freddy Buache.

1982 – Passion (Michel Piccoli, Isabelle Huppert).

1983 – Prenome Carmen (Prenom Carmen. Maruschka Detmers, Jacques Bonnafé).

1985 – Eu vos Saúdo, Maria (Je Vous Salue Marie. Myrian Roussell, Juliette Binoche).

1986 – Detetive (Détective). Rock X (Grupo Rita Mitschouko).

1987 – King Lear. Soigne Ta Droite (Godard. J. Villeret). Ària (Aria. Epis. Air d’Armide).

1990 – Nouvelle Vague (Idem. Alain Delon, Domiziana Giordano).

1991 – Allemagne Année 90 Neuf Zéro (Eddie Constantine, Nathalie Kadem).

1993 – Infelizmente Para Mim (Hélas Pour Moi. Gérard Depardieu, Laurence Masliah). Les Enfants Jouent à la Russie (Godard, Laszlo Szabo).

1995 – 50+50 Ans de Cinéma Français (Co-d. Anne-Marie Miéville). JLG-JLG.

1996 – Histoires du Cinéma. Para Sempre Mozart (For Ever Mozart. Madeleine Assas, Frédéric Pierrot).

2001 – Elogio ao Amor (Éloge de l’Amour. Bruno Putzulu, Cécile Camp).

2002 – Ten Minutes Older: The Cello (Epis. Dans le noir du temps ou In the Darkness of Time).

2004 – Moments choisis des histoire(s) du cinéma (Doc.). Nossa Música (Notre musique. Sarah Adler, Nade Dieu).

2006 – Vrai faux passeport (Doc.).

2008 - Une catastrophe (CM).

2010- Film Socialisme (Patti Smith, Catherine Tanvier).

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