29 setembro 2010 às 07:41
Liza Minnelli volta em CD
Pouca gente está sabendo, até mesmo nos EUA. Depois de 15 anos (a não ser por registros de seu show), a estrela Liza Minneli volta num CD já disponível que ela gravou para uma grande gravadora, a Decca, mas a repercussão tem sido pequena. O álbum se chama Confessions e pretende marcar uma nova fase de sua carreira.
A Vida e o Disco
Como se sabe, a vida de Liza não tem sido um mar de rosas. A mãe Judy Garland morreu exausta devido às drogas em 22 de junho de 1969 (justamente no dia em que os homossexuais se revoltaram e deram início ao movimento gay nos EUA, até porque Judy era o grande ídolo deles). Ou seja, Liza, ainda no corpo da mãe, já era vítima de drogas. O pai era o diretor Vincente Minnelli, que escondia ser gay, mas foi um ótimo pai e a orientou e ensinou muito.
Na verdade, ela é uma mistura dos dois (inclusive no aspecto físico) e, muito cedo, já se consagrou como estrela da Broadway (tem quatro Tonys) e depois em Hollywood, levando o Oscar por Cabaret. Mas seu tipo era muito especial e os papéis rarearam.
Ela continou estrela nos shows e no palco, mas sua vida particular sempre foi um desastre, sendo que, dos quatro maridos, dois eram com certeza gays (o mais recente, David Gest, 2002-07, a usou para ficar famoso com resultados humilhantes).
Liza que sempre veio ao Brasil, até para consumir música e possivelmente “otras cositas más”, pessoalmente é uma pessoa extremamente simpática e encantadora, até mesmo insegura (pergunta sempre se você gostou do show, por que e assim por diante). Passou por tudo e isso foi deixando as marcas. Doenças, algumas graves, operação na bacia, no joelho (essa foi a última, e ela conta que teve muitas dores) que tiveram como resultado: 1. já não pode dançar como antes em cena; 2. sua voz retumbante também já não é mais a mesma.
Mesmo assim, é um milagre que esteja viva e trabalhando. Seu fiel escudeiro nesses últimos anos tem sido o pianista Billy Stritch (ex-namorado com quem esteve várias vezes por aqui) e parece ter tido influência neste projeto.
Liza canta tentando se ajustar a seu novo e pequeno alcance (range) de voz. Apenas com piano e trio, como diz, ela tenta reproduzir o tipo de som que se ouvia em sua casa, quando os amigos se reuniam em volta do piano para cantar. Gente como Tony Bennett, o compositor Ira Gershwin e Kay Thompson (os padrinhos dela) e os que frequentavam a casa de Judy. O curioso é que o disco foi gravado na própria casa de Liza, na sala e mesmo no quarto, enquanto ela se recuperava do joelho, com a orientação do produtor Bruce Roberts.
As canções são clássicos como All the Way, originalmente de Sinatra, cantadas soft como se ela estivesse num night club. Liza tenta aprender a cantar naquele tom, sem desafinar (muito). Nem sempre consegue. Não há problema com as cantoras quando envelhecem porque geralmente elas se tornam mais dramáticas, compensam a falta de voz possante, pela vivência, o sentimento.
Estranhamente, nesta nova empreitada, Liza falha ao menos por enquanto, mesmo sendo sempre tão sensível, tão exuberante. Parece que ela pegou o caminho certo, mas ainda, por alguma razão, não torna suas interpretações memoráveis. A gente percebe que andou fazendo aulas de voz, deixou de chiar tanto quanto antigamente (devia ser problema de dentição). Mas ainda fica a dever, quem sabe com o tempo consegue retomar essa nova carreira.
O repertório é irregular, os arranjos fracos. Liza canta At Last, If I Had You, Moments Like This, In Such a Night Like This, He’s a Tramp, I Must Have that Man, All the Way, Close Your Eyes, Remind Me, I Gost Lost in his Arms, This Heart of Mine e três que eu não conhecia: Confession, You Fascinated Me So e I Hadn't Anyone Till You.
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