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28 outubro 2010 às 06:06

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Estreia – Micmacs – Um Sonho Complicado

Micmacs – Um Sonho Complicado (Mic Macs a Tire Larigot) de Jean Pierre Jeunet. Com Danny Boom. André Dussolier, Jean Pierre Marielle, Yolande Moreau, Dominique Pinon. Sony.

Qualquer filme do diretor Frances Jeunet, merece atenção, inclusive porque tem acertado mesmo sozinho (ele fazia parceria com Marc Caro a partir de Delicatessen e Ladrão de Sonhos). Depois de uma experiência americana ruim, com  Alien 4, ele estourou com o Fabuloso Destino de Amélie Poulain e com o bom Eterno Amor.

Esse seu primeiro filme em cinco anos segue o mesmo estilo visual, altamente requintado e, sua marca registrada conta com  a presença do atual campeão de bilheteria na França, Danny Boom de A Riveira não é Aqui.

É engraçado como Jeunet gosta de fazer fábulas e embora às vezes nem faça resumos da história, preferindo apenas comentá-la, neste caso faz exceção. Boon faz Basil, fã de cinema e empregado de uma locadora que teve sua vida arruinada pelas armas de guerra. Seu pai foi morto por uma mina no Marrocos e uma noite, quando estava passeando, uma bala perdida vinda de um tiroteio fica introduzida em seu crânio, o que significa que ele pode morrer de uma hora para outra.

Perde sua casa e seu emprego até quando conhece Slammer, um homem que cumpriu pena de prisão e que o apresenta para um grupo de excêntricos que trabalha com desmonte e lata velha, incluindo Calculator, um expert em matemática e cálculos, Busgter, o Homem Canhão, Pequeno Pete, que trabalha com autômatos, e a contorcionista Garota Elástica.

micmac ok ok ok Estreia   <i>Micmacs – Um Sonho Complicado</i>

Por acaso, descobre que dois fabricantes de armas, produzem essas máquinas de destruição, inventam um plano complexo para a vingança com a ajuda de sua nova família. O dono dessa fábrica é um burguesão (Dussolier), que tem a mania de colecionar restos de gente famosa, como o dente de Marilyn Monroe e o outro é Marconi (Nicolas Marié) que vive em tudo que é ultramoderno.

Indicado para Césars de figurino, som e desenho de produção, o filme pretende ser uma comédia no estilo de Tati, Chaplin, Keaton, procurando fazer gags visuais, que nem sempre funcionam. O visual é aquele de sempre, ainda bizarro, mas o tom é mais completativo, melancólico, mais triste, digamos. E como sempre procurando anacrônico, embora tenha digitais e coisas atuais, dá a impressão que estamos num mundo antes da Segunda Guerra.

Isso é acentuado ainda por uma decisão estética curiosa, ele utiliza uma trilha musical com temas do antigo compositor Max Steiner, que durante anos fazia as trilhas da antiga Warner. E além de tudo, sua mensagem parece ingênua demais, com a ideia de que a solidariedade e improvisação possam triunfar sobre o capitalismo selvagem.

Sua proposta é simpática em um filme charmoso que, porém, não consegue ser tudo aquilo que pretende. Ainda assim merece uma conferida.

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