29 outubro 2010 às 06:00
Vida de atriz…

Imagino quando Lisa Blount foi escolhida para o segundo papel feminino de A Força do Destino (An Officer and a Gentleman, 1982) e achou que tinha conseguido sua grande chance e dali em diante tudo daria certo. Não foi bem assim, Lisa foi encontrada morta na quarta-feira (27), aos 53 anos, numa casa em Little Rock Arkansas. Teria morrido dois dias antes e não havia sinal de possível crime.
Lisa havia recebido indicação ao Globo de Ouro por Força e entre seus outros filmes estão Príncipe das Sombras de John Carpenter, A Fera do Rock e Fúria Cega, foi regular na série Profit e tem pelo menos outros 40 créditos.
O ponto alto de sua carreira foi quando, junto com o marido Ray McKinnon, ela ganhou um Oscar como codiretora do curta The Account, em 2001. Ninguém viu, mas seu último trabalho foi um filme do marido de 2007, que passou em Sundance chamado Randy and the Mob.
I Am Love - (Io Sono L´Amore)

Assisti esta semana, em Blu-ray, este filme italiano que teve ótimas críticas nos Estados Unidos. E tem mesmo chance de premiação (ganhou em Boulder e Dublin). Raramente vê-se um diretor com um olhar tão particular, tão original quanto o do italiano Luca Guadagnino, que tinha feito antes vários documentários, sendo que dois deles com a mesma atriz daqui, a vencedora do Oscar, Tilda Swinton.
Não é à toa que o filme impressionou tanto a crítica americana, porque fazia tempo que não via no cinema italiano alguém com a capacidade de um Visconti, de utilizar a cenografia, os espaços vazios de forma tão dramática.
No fundo é uma mansão que é protagonista e também o retrato de uma família de classe alta burguesa de Milão, que esconde seus segredos (durante a guerra ajudaram os fascistas e exploraram judeus) diante da decisão do patriarca (o antológico Gabriele Ferzetti) de passar o comando para o filho e o neto. Mas essa intriga na verdade é secundária. Como faz supor o título, os temas são dois outros: o amor e a comida.
A inglesa e estranha Tilda (ela faz uma russa que se casou com o italiano e fala as duas línguas que ela aprendeu para o filme) apoia o filho mais velho que resolve abrir um restaurante refinado em uma montanha em San Remo, junto com um amigo dele de origem camponesa que é um talento na cozinha.
A princípio achei que havia uma relação gay entre eles, mas depois é que vem a revelação, o chef fica atraído é pela mulher madura e os dois vivem uma relação alucinada e passional. A fotografia é esplêndida, mas o que impressiona é como o diretor escolhe detalhes, momentos, que deixam a marca no espectador.
Talvez o filme se perca um pouco no desenlace (e lá vem a bendita trilha musical com ópera!), mas nem por isso deixa de ser um dos poucos que vi este ano que é elegante, delicado, passional e fora do comum. Um nome a guardar e um filme para se rever.
Veja mais:
+ Tudo sobre cinema no R7
+ Siga o R7 no Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7











