27 novembro 2010 às 06:00
Lançamentos de filmes clássicos
O Prisioneiro da Fé *** (The Prisoner)
Áudio: Inglês. Leg: port, esp. Drama. Standard. 91 min. PB. 1955. Inglaterra. Magnus Opus. 12 anos.
Diretor: Peter Glenville. Elenco: Alec Guinness, Jack Hawkins, Wilfrid Lawson, Kenneth Griffith, Ronald Lewis, Jeanette Sterke.
Sinopse: Numa época não determinada, num país não identificado detrás da Cortina de Ferro, um cardeal católico é preso sob a acusação de ser um espião. O interrogador faz tudo para conseguir uma confissão.
Comentários: Esquecido drama inglês, que teve prestígio na época e chegou a sair em VHS. Polêmico na época a ponto de ter sido recusado nos Festivais de Veneza e Cannes (que na época ainda faziam esse tipo de coisa). Mas foi indicado a 5 Baftas (ator, Hawkins e Guinness, filme britânico, roteiro e filme de qualquer origem).
Um roteiro original de Bridget Boland (Guerra e Paz, Ana dos Mil Dias), que procurou fazer uma alegoria a favor da fé, da Igreja Católica e do anti Comunismo. Realizado com competência, mas discrição. Ajudado por um bom elenco (mesmo Guinness, que é um ator composto e frio, desta vez sai-se bem, já que sua postura cabe no personagem).
É raro vermos hoje em dia histórias como esta (parece até um pouco filme da época da Segunda Guerra, para louvar heroísmo). Mas cumpre direito o seu papel. Originalmente da Columbia. Trailer.
Quando só o Coração Vê *** (A Patch of Blue)
Áudio: Inglês, Francês. Leg: port, esp. Drama. Widescreen 2.35. 105 min. Cor. 1965. EUA. Magnus Opus. 16 anos.
Diretor: Guy Green. Elenco: Sidney Poitier, Elizabeth Hartman, Shelley Winters, Wallace Ford, Ivan Dixon, Elisabeth Fraser, John Qualen.
Sinopse: Rose Ann ficou cega quando sua mãe prostituta acidentalmente a machucou quando tinha 5 anos de idade. Passa 13 anos confinada num apartamento e quando sai conhece, num parque, um rapaz que ela não sabe que é negro.
Comentários: Este foi o filme que deu um Segundo Oscar de coadjuvante para Shelley Winters (1920-2006), que com seu exagero e carisma rouba a cena no papel da mãe insuportável da heroína. Mas também deu indicações para direção de arte, fotografia, trilha musical (Jerry Goldsmith) e para a atriz Elizabeth Hartman (não confundir com a homônima atriz brasileira. Esta foi revelada aqui, depois esteve em filmes importantes como O Grupo, O Estranho que Nós Amamos, com Clint Eastwood, Agora Você é um Homem, de Coppola, o Homem de Kiev, de Frankenheimer, mas se matou em 1987, com apenas 43 anos, depois de passar três anos se tratando em hospital psiquiátrico).
Um triste fim que só aumenta o interesse deste filme originalmente da United, dirigido pelo também fotógrafo Guy Green com força e criatividade. Um pouco de romance, mais preconceito racial. Trailer.
Agora sou Tua ** (To Please a Lady)
Áudio: Inglês, Português. Leg: port. Romance. Standard. 95 min. PB. 1950. EUA. Livre.
Diretor: Clarence Brown. Elenco: Clark Gable, Barbara Stanwyck, Adolphe Menjou, Will Geer, Roland Winters.
Sinopse: Ex-herói de guerra se torna piloto de corridas, mas suas táticas grosseiras o tornam detestado pelos fãs. Uma jornalista que despreza seu chauvinismo o critica quando ele provoca a morte de um colega. Ele cai em desgraça mas os dois se sentem atraídos.
Comentários: Só mesmo por curiosidade nostálgica é que se pode assistir este velho filme da MGM, de pura rotina, ao reunir dois grandes astros, o rei Clark Gable (1901-60) e Barbara Stanwyck (1907-90). Não há maior química entre eles, mas o filme é da época em que os fãs iam ver seus ídolos em qualquer coisa, mesmo numa bobagem de orçamento relativamente baixo como esta.
Mas foi fracasso e chegou a fazer Gable cair das dez maiores atrações de bilheteria. Na época, era comum misturarem cenas reais de corrida com outras feitas em estúdio, de forma embaraçosa, hoje, e que provocam muitos erros de continuidade. O carro que se usam no filme eram chamados de Midget (anão) e era uma modalidade que estava na moda na época.
O final ocorre na pista de Indianápolis, com o carro guiado por Joie Chitwood. Curioso, porque os dois protagonistas são personagens arrogantes e pouco simpáticos. Mas nem todo filho velho é um clássico! Posters, trailers.
Odeio essa Mulher *** (Look Back in Anger)
Áudio: Inglês. Leg: português, inglês. Drama. Widescreen 2.35. 100 min. PB. 1959. Inglaterra. Magnus Opus. 16 anos.
Diretor: Tony Richardson. Elenco: Richard Burton, Mary Ure, Claire Bloom, Edith Evans, Gary Raymond, Alfred Lynch, Nigel Davenport, Donald Pleasence.
Sinopse: Jimmy Porter vem de família pobre e, apesar de ter feito faculdade, vive num pequeno apartamento com a mulher e amigo, e trabalha em uma loja de doces. Ele agride a mulher, chegando a deixá-la ferida com uma queimadura. Ela fica grávida e chega a pensar em aborto.
Comentários: Foi recentemente montado em São Paulo por Ulysses Cruz, como Olhe para Trás com Raiva, com Maria Manoella, Sérgio Abreu, sem grande repercussão, este texto clássico de John Osborne, que deu origem ao movimento dos Angry Young Men, que trouxe à cena a vida dos trabalhadores britânicos (antes o teatro só tratava dos ricos e nobres).
Apesar de terem colocado um ator já famoso e um pouco velho demais (tinha 22 anos) para o papel, no caso, Richard Burton (antes de virar super star com o casamento com Elizabeth Taylor), não estragaram o texto, produzido por Harry Saltzman (dos filmes de James Bond). Mas sua presença é considerada a razão do fracasso do filme, em vez de Kenneth Heigh, que havia feito o personagem na peça.
Foi a estreia na direção do diretor Richardson (que ganharia o Oscar por As Aventuras de Tom Jones) que, para isso, fundou a produtora Woodfall. Ele era casado, então, com Vanessa Redgrave e pai das atrizes Joely e Natasha Richardson.
Com a ajuda do fotógrafo Oswald Morris, ele faz um trabalho interessante, expandindo o texto (Edith Evans como a Nanny do herói, não aparecia no original). Este tipo de filme era chamado de Kitchen sink drama, por mostrar a cozinha e a pia da casa onde tudo mais se desenrola (outro filme semelhante saiu antes e fez mais sucesso, Almas em Leilão / Room at the Top, 57, de Jack Clayton, com Laurence Harvey).
O autor, Osborne, depois se casaria com a atriz Mary Ure (1933-75, que morreu depois de noite de estreia de fracasso, e muita gente diz ter sido suicídio, ou morte acidental por drogas). O casamento acabou em 63 e ela se casaria depois com o ator Robert Shaw (até sua morte).
Foi indicado a 4 Baftas e Globo de Ouro de ator (Burton). Muito teatral, Burton não é a personalidade adequada para o papel (é forte demais, velho demais). O diálogo é inteligente, mas muita coisa política e sobre conflito de classes foi cortado ou reduzido. Embora bem realizado (Claire Bloom, que sempre é sensível, teve durante as filmagens romance com Burton), é um pouco datado e deprimente para consumo geral. Até porque pouca coisa se resolve. Fotos, trailer.
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