28 novembro 2010 às 06:00
Julianne Moore, a estrela da semana
A primeira vez que a vi foi no Festival de Sundance, mas pelas razões erradas. Estava nevando muito e nós dois chegamos juntos no guarda-roupa (onde deixaríamos a roupa de inverno). Sem reconhecê-la, percebi essa ruiva muito clara, muito branca, muito sardenta, de cara lavada e nariz estranho, meio grego.
Depois de um instante percebi que estava olhando para Julianne Moore (naquele ano ela recebeu um prêmio especial por sua carreira lá), sem qualquer glamour ou disfarce. E foi um choque. Houve outros encontros, o mais notável foi aqui mesmo, em São Paulo, durante as filmagens de Ensaio Sobre a Cegueira, onde ela se comportava discretamente e sem estrelismos.
Mas esse é seu jeito, seu estilo e é assim que ela sobrevive num nicho que cavou para si própria. Afinal, o que se pode dizer de uma estrela que ficou famosa quando apareceu pelada, da cintura para baixo, sem firulas e demonstrando que é realmente ruiva natural, no filme Short Cuts, de Robert Altman?
Um momento que já entrou para a história do cinema e começou a construir o mito dessa mulher, que é das maiores figuras do cinema atual, destemida em procurar papéis fora do convencional, que deve lhe render este ano mais uma indicação ao Oscar (por Minhas Mães e Meu Pai, em cartaz nos cinemas). E, talvez, o prêmio que faz tempo estão lhe devendo.
Julianne já foi indicada quatro vezes: como coadjuvante por Boogie Nights, 97, e As Horas, 04, como protagonista por Fim de Caso, 99 e Longe do Paraíso, 02. Este ano, deveria ter sido indicada por O Direito de Amar, como foi no Globo de Ouro.
Nasceu como Julie Anne Smith, em 3 de dezembro de 1960 (completa 50 anos daqui há alguns dias), na Carolina do Norte, em Fayetteville. Filha de um juiz militar e uma escocesa assistente social, formou-se pela Universidade de Boston. Depois se mudou para Nova York, conseguindo emprego numa famosa telenovela As the World Turns, que chegou a lhe dar um Emmy!
Depois de alguns telefilmes, estreou como múmia num filme de terror! Mas teve a sorte de ser aproveitada por alguns dos melhores diretores do cinema: Malle, Altman, Coen, Paul Thomas Anderson, Todd Haynes. Ainda que alternando também com filmes mais comerciais (como Jurassic Park). Desde 2003, é casada com o diretor Bart Freundlich, com quem tem dois filhos e já fez três filmes juntos, ainda que fracos.
Carreira
Julianne estreou na série de TV The Edge of Night (84), depois na telenovela As The World Turns (de 85 a 87 e depois aparição final em 2010) e no telefilme, As the World Turns: 30th Anniversary (86).
Filmografia
2011 - Crazy, Stupid Love (de Glenn Ficarra, John Requa);
2010 – Elektra Luxx, de Sebastian Gutierrez, ponta como Virgem Maria); Minhas Mães e Meu Pai (The Kids are All Right, de Lisa Chokolenko); Shelter, de Mans Marlind, Bjorn Stein;
2009-2010 – 30 Rock (série, como Nancy Donovan,5 epis.);
2009 – O Preço da Traição (Chloe, de Atom Egoyan); Direito de Amar (A Single Man, de Tom Ford); The Ballad of G.I.Joe (CM); A Vida Íntima de Pippa Lee (The Private Lives of Pippa Lee, de Rebecca Miller);
2008 – Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness, de Fernando Meirelles);2007 – Não estou Lá (I’m Not There, de Todd Haynes); Pecados Inocentes (Savage Grace, de Tom Kalin); O Vidente (Next, de Lee Tamahori);
2006 – Os Filhos da Esperança (Children of Men, de Alfonso Cuaron); A Cor de um Crime (Freedomland, de Joe Roth);
2005 – The Prize Winner of Defiance; Ohio, de Jane Anderson; Totalmente Apaixonados (Trust the Man, de Bart Freundlich);
2004 – Os Esquecidos (The Forgotten, de Joseph Ruben); Leis da Atração (Laws of Attraction, de Peter Howlit); Marie e Bruce (Marie and Bruce, de Tom Cairns);
2002 – As Horas (The Hours, de Stephen Daldry); Longe do Paraíso (Far from Heaven, de Todd Haynes);
2001 – Chegadas e Partidas (The Shipping News, de Lasse Hallstrom); Cidadão do Mundo (World Traveler, de Bart Freundlich); Evolução (Evolution, de Ivan Reitman); Hannibal (Idem, de Ridley Scott);
2000 – O Tigrão (The Ladies Man, de Reginald Hudlin); Not I (CM);
1999 – Magnólia (Idem, de Paul Thomas Anderson); Fim de Caso (End of the Affair, de Neil Jordan); O Mapa do Mundo (A Map of the World, de Scott Elliott); O Marido Ideal (An Ideal Husband, de Oliver Parker); A Fortuna de Cookie (Cookie´s Fortune, de Robert Altman);
1998 – Psicose (Psycho, de Gus Van Sant); O Grande Lebowski (The Great Levowski, dos Irmãos Coen);
1997 – Chicago Cab, de Cybulski e Tintori; Boogie Nights – Prazer sem Limites (Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson); O Mito das Digitais (The myth of Fingerprints, de Bart Freundlich); O Mundo Perdido – Jurassic Park (Jurassic Park, de Steven Spielberg);
1996 – Os Amores de Picasso (Surviving Picasso, de James Ivory)
1995 – Assassinos (Assassins, de Richard Donner); Nove Meses (Nine Months, de Chris Columbus); Dupla Sem Par (Roomates, de Peter Yates); A Salvo (Safe, de Todd Haynes)
1994 – Tio Vania em Nova York (Uncle Vanya in New York, de Louis Malle);
1993 – Short Cuts – Cenas da Vida (Short Cuts, de Robert Altman); O Fugitivo (The Fugitive, de Andrew Davis); Benny & Joon – Corações em Conflito (Benny & Joon, de Jeremiah Chechick); Corpo em Evidência (Body of Evidence, de Uli Ledel);
1992 – Um Perigo de Mulher (The Gun in Betty Lou´s Handbag,de Allan Moyle); A Mão que Balança o Berço (The Hand that Cradles the Cradle, de Curtis Hanson);
1991 – Feitiço Mortal (Cast a Deadly Spell, (TV) de Martin Campbell); The Last To Go (TV, de John Erman).
1990 – Contos da Escuridão (Tales from the Darkside: The Movie, de John Harrison. 1989 – Money, Power, Murder (TV, de Lee Phillips)
1987 – Páginas de Ódio (I´ll Take Manhattan, de Douglas Hickcox, Richard Michaels.).
Veja mais:
+ Tudo sobre cinema no R7
+ Siga o R7 o Twitter
+ Veja os destaques do dia
+ Todos os blogs do R7
















