16 dezembro 2010 às 06:00
50 Filmes que Você Deveria Ver Antes de Morrer, décimo primeiro dia
No canal TCM, Turner Classic Movies, da Turner, você poderá assistir à quarta edição do especial 50 Filmes que Você Deveria Ver Antes de Morrer, reunindo exatamente o que o título diz: 50 dos filmes favoritos do público. A apresentação será feita por mim, Rubens Ewald Filho, e publicarei diariamente as chamadas/textos que gravei para o canal. Leiam aqui sobre os filmes e saiba o que vocês verão no TCM.
Quinta: 22h - Carrie, a Estranha
(Carrie, 1976). 98 min. Cor.Estados Unidos. United/MGM
Diretor: Brian De Palma
Elenco: Sissy Spacek, John Travolta, Piper Laurie, William Katt, Amy Irving, Nancy Allen, Betty Buckley, Priscilla Pointer.
Sinopse: Carrie é uma jovem tímida e desajustada, que tem uma mãe fanática religiosa. Desprezada pelos colegas, se vinga deles usando seus poderes telecinéticos.
Comentários: Nunca vou me esquecer do impacto que foi assistir pela primeira vez ao filme que vamos apresentar agora. Uma sensação, aliás, que se repetiu das outras vezes em que assisti novamente este filme.
O longa revelou no Brasil em 1976, o grande talento do seu realizador Brian De Palma. E que também era a revelação de outro nome hoje muito famoso, o do escritor que é mestre do livro de terror Stephen King.
O fato é que o filme foi saudado com gritos, sustos e outras manifestações de medo e até histeria. Nunca antes aquela geração tinha visto um filme tão surpreendente, tão envolvente e revelador. E que até hoje não perdeu sua força e impacto.
Desde a primeira sequência em câmera lenta no chuveiro da escola, De Palma não perde o controle da situação. Aos poucos, vai apresentando a heroína chamada Carrie, uma adolescente infeliz que é desprezada pelos colegas e que tem uma mãe fanática religiosa.
Durante o filme ela irá se vingar dos colegas usando seus poderes telekinéticos para provocar um banho de sangue.
Influenciado por Hitchcock, mas encontrando seu próprio olhar, De Palma utiliza muita câmera na mão, uma trilha musical muito intensa e grande quantidade de câmera lenta.
Sua grande habilidade esta também na escolha do elenco que se revelou ideal. Esta foi a revelação da jovem Sissy Spacek, que foi indicada ao Oscar e que levaria o prêmio depois por O Destino mudou sua vida em 1981.
Carrie também foi o primeiro papel importante do futuro astro John Travolta e da jovem Amy Irving, futura mulher de Spielberg. Isso sem esquecer William Katt, de a Juventude de Butch Cassidy e Nancy Allen, que se casaria com o próprio De Palma.
Nada do que eu disser, porém, irá preparar para a emoção e as surpresas de Carrie, a Estranha com certeza um dos filmes que vocês não podem deixar de ver antes de morrer.
23h45 - Último Tango em Paris

(Last Tango in Paris, 1972). 129 min.Cor. United/MGM.
Diretor: Bernardo Bertolucci
Elenco: Marlon Brando, Maria Schneider, Maria Michi, Giovanna Galletti, Massimo Girotti, Jean-Pierre Leaud, Catherine Allégret, Marie-Hélène Breillat, Laura Betti, Luce Marquand, Jean-Marc Bory, Jean-Luc Bideau, Darling Legitimus.
Sinopse: Um homem, americano de 45 anos que mora em Paris, se encontra num apartamento para alugar com uma jovem francesa de 20 anos. Passam a ter encontros no lugar, sem revelarem seus nomes, enquanto ele tenta esconder a angústia causada pelo suicídio de sua mulher.
Comentários: Sinto saudade do tempo em que grandes filmes ainda causavam escândalo e controvérsia. Como nosso filme de hoje, O Último Tango em Paris/The Last Tango in Paris, que o italiano Bernardo Bertolucci rodou em inglês em Paris, em 1972. Quando estreou nos Estados Unidos, a crítica mais importante daquele país Pauline Kael, declarou que aquela data era importante na história do cinema, tanto quanto a estréia de A Sagração da Primavera de Stravinsky, na história da música. Na Itália, acabou sendo recolhido e julgado obsceno, ficando anos proibido.
No Brasil só foi liberado ao final de 1979. Mas hoje se confirma a predição do diretor de que em 20 anos seu filme seria próprio para se exibir até em conventos.
Bertolucci tinha planejado rodar o filme com outra dupla: Jean-Louis Trintignant e Dominique Sanda, que já tinha usado em O Conformista. Mas não pode se queixar. Com ele, Marlon Brando teve uma das melhores interpretações de sua carreira, chegando mesmo a ser novamente indicado ao Oscar.
Brando não usava maquiagem nem decorava os diálogos, lendo os textos escondidos no cenário e mesmo assim esta extraordinário e inesperadamente autobiográfico.
O filme conta em Paris, o encontro entre um americano exilado, Paul com a francesa Jeanne (Maria Schneider), durante um período de três dias, num apartamento sem mobilia ao lado do viaduto de Passy.
Quando estreou finalmente no Brasil, O Último Tango em Paris, era um mito. E muitos esperavam um filme erótico. Muito mais chocante do que as cenas de amor é o desnudamento psicológico dos protagonistas.
É centrado no conflito básico de Eros e Thanatos, na dualidade amor-morte e não deixa de ser profundamente pessimista quando, depois de definir Tango (a dança) como a própria vida, mostra os bailarinos como bonecos de um balé mecânico.
O que importa em Tango, não é o escândalo mas a desconcertante, mórbida e fascinante história de amor. Sem esquecer a requintada direção de arte, a excepcional fotografia de Vittorio Storaro. E naturalmente a realização de Bertolucci. Até Maria Schneider tem uma espantosa naturalidade e meiguice.
O Último Tango é de Bertolucci e de Brando, segundo o diretor “um anjo como homem e um monstro como ator. E anjo e monstro nunca coexistiram melhor do que neste filme notório”
Maria Schneider, que logo se assumiu lésbica, é filha ilegítima do ator Daniel Gelin (ela tinha 19 anos e este foi seu primeiro papel de estrela, mas sua carreira foi muito irregular. Mesmo assim, ele foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por este filme (Bertolucci também concorreu como diretor).
Brando foi também Melhor Ator pelos Críticos de Nova Iorque e pelo National Society of Film Critics.
Na melodramática solução final, reparem como a equipe técnica se reflete no vidro das portas do terraço. Segundo o diretor, isso teria sido deixado de propósito como mais um elemento de inquietação subliminar.
Sem dúvida, um dos filmes que é preciso ver antes de morrer .












