19 dezembro 2010 às 06:00
50 Filmes que Você Deveria Ver Antes de Morrer, décima quarta parte
No canal TCM, Turner Classic Movies, da Turner, você poderá assistir à quarta edição do especial 50 Filmes que Você Deveria Ver Antes de Morrer, reunindo exatamente o que o título diz: 50 dos filmes favoritos do público. A apresentação será feita por mim, Rubens Ewald Filho, e publicarei diariamente as chamadas/textos que gravei para o canal. Leiam aqui sobre os filmes e saiba o que vocês verão no TCM.
Domingo, 22h - Os Gritos do Silêncio
(The Killing Fields, 1984). 142 min. Cor. Inglaterra.
Diretor: Roland Joffé
Elenco: Sam Waterston, Haing S. Ngor, John Malkovich, Julian Sands, Craig T. Nelson, Spalding Gray, Bill Paterson, Joanna Merlin.
Sinopse: Um jornalista do New York Times, Sydney Schanberg, estava cobrindo a luta no Cambodja quando aconteceu a invasão do país pelo Kmer Rouge, comunistas. Ele faz o possível para tentar tirar de lá seu amigo e intérprete Dith Pran.
Comentários: Não é sempre que o cinema tem a coragem de denunciar as grandes tragédias de nosso tempo. Essa foi a ousadia maior do nosso filme de hoje, realizado em 1984 pelo diretor Roland Joffé. Até então grande parte do mundo não sabia da existência do massacre feito pela organização comunista Khmer Rouge no Cambodja, onde fez um incrível número de vítimas, dois milhões de civis, que foram enterrados em campos de extermínio.
Mas como contar uma história dessas? A ideia foi narrar a história pelo ponto de vista de um jornalista do New York Times, Sydney Schanberg, Sam Waterston que estava cobrindo a luta no Cambodja quando aconteceu a invasão do país pelo Kmer Rouge. Ele faz o possível para tentar tirar de lá seu amigo e intérprete Dith Pran. Mostrado com realismo, de forma verossímil, o filme é muito tocante, principalmente porque Dith é feito pelo doutor Haing S. Ngor, cuja vida lembra muito seu personagem. Ele era médico no Cambodja, passou quatro anos em um campo de trabalhos forçados, foi torturado até conseguir escapar em 1979. Toda sua família foi assassinada pelos comunistas.
Por seu trabalho mesmo sendo amador, ele ganhou um inesperado Oscar de coadjuvante, mas acabaria tragicamente morto em 1996, na Califórnia. Seu corpo foi encontrado morto na garagem de seu prédio e os parentes acham que foi ainda uma vingança dos bandidos que denunciava. Tinha 55 anos e ninguém foi preso pelo crime.
Gritos do Silêncio foi indicado aos Oscars de melhor roteiro, filme, diretor, ator Sam Waterston e ganhou alem do de coadjuvante, também como montagem e fotografia para Chris Menges. Como era produção inglesa também levou 8 Baftas e diversos prêmios em todo o mundo. Logo depois o diretor Joffé levaria a Palma de Ouro por um filme parcialmente rodado no Brasil, A Missão.
O filme também revela dois atores famosos, John Malkovich e o galã inglês Julian Sands. Outro detalhe importante: o filme fez enorme sucesso na Ucrânia, antiga republica soviética e foi usado como exemplo para mostrar o que acontece quando um país implode. De uma certa maneira foi o filme que salvou aquele país do caos.
De qualquer forma, Os Gritos do Silêncio é um filme que faz diferença e que com certeza é um dos que você tem que ver antes de morrer.
0h35- A Embriaguez do Sucesso
(Sweet Smell of Success, 57). 96 min. PB. Estados Unidos. United
Diretor: Alexander Mackendrick.
Elenco: Burt Lancaster, Tony Curtis, Susan Harrison, Marty Milner, Sam Levene, Barbara Nichols, Jeff Donnell, Emile Meyer.
Sinopse: Famoso e implacável colunista de jornal usa seu poder para impedir o romance de sua irmã com um músico, recorrendo à ajuda de um assessor de imprensa sem escrúpulos que o bajula.
Comentários: Saiu no Brasil em DVD em cópia colorizada por computador o que é um absurdo já que é um clássico noir. É dos últimos filmes que poderiam sofrer o processo porque é essencialmente uma sinfonia em preto e branco.
Sempre desconfio do julgamento contemporâneo, o fracasso de ontem pode muito bem ser a obra prima de amanhã. Foi exatamente o que aconteceu com nosso filme de hoje, que a produtora independente Hecht Hill Lancaster produziu para a United em 1957. Mal compreendido pela crítica, ignorado pelo público, o filme porém foi sendo reabilitado aos poucos e chegou mesmo a ser transformado em musical da Broadway.
Quem escreveu o roteiro original foi um dos maiores escritores do cinema, Ernest Lehman que fez filmes como A Noviça Rebelde,West Side Story e Intriga Internacional. Ele se inspirou em personagens reais e a direção do britânico Alexander MacKendrick, mestre de comédias como Quinteto da Morte fez uma sinfonia em preto e branco, já votado como o filme que melhor mostrou a cidade de Nova York em todos os tempos.
Burt Lancaster deixa de ser herói para interpretar um famoso e implacável colunista de jornal sem escrúpulos que usa seu poder para impedir o romance da irmã com um músico, recorrendo à ajuda de um assessor de imprensa corrupto, um dos melhores papéis da carreira do recém-falecido Tony Curtis.
O roteiro teve ajuda do famoso dramaturgo de esquerda Clifford Odets e em clima de film noir, denúncia o colunista Walter Winchell, que na época ainda tinha enorme poder.
Mesmo sendo fracasso, o filme, porém, foi o começo do fim de sua carreira, agora desmascarado.
Na verdade, sua chamada publicitária já era premonitória dizendo o filme que nunca será perdoado ou esquecido.
Uma história sórdida, onde não há heróis quase todo em locações noturnas nas ruas e bares de Nova York, com uma excepcional fotografia do mestre James Wong Howe.
Um filme fascinante que certamente esta em entre aqueles que você tem que ver antes de morrer.
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