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20 dezembro 2010 às 06:00

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Livro – Nora Ephron – I Remember Nothing and other Reflections

nora ok rubens Livro   <i>Nora Ephron   I Remember Nothing and other Reflections</i>Editora Alfred Knopf Nova York - 2010, 140 páginas

Depois do sucesso da outra coleção de crônicas, I Feel Bad About my Neck (lançado no Brasil), da roteirista e diretora de cinema Nora Ephron (Julie & Julia, Sintonia de Amor, Harry e Sally, Feitos um para o Outro, os mais conhecidos dentre muitos) parece evidente que a editora se apressou em lançar outro livro mesmo sem ter muito material disponível ou novo.

Por isso esta edição é pequena e inferior. Nora reúne artigos que publicou em diversos lugares, quase sempre autobiográficos. São 24 textos não muito longos, começando pelo que lhe dá título, que não é exatamente sobre Alzheimer, mas sobre o esquecimento que vem naturalmente com a idade (graças a Deus, já pensou se a gente se lembrasse de tudo, inclusive as coisas sofridas e desagradáveis?).

Nora reclama que está chegando perto dos 70 anos, mas é uma mulher bem-humorada e cheia de vida (uma vez, ela conta, “entrei numa loja para comprar um livro sobre a doença, só que esqueci o nome do livro!”).

Esquece nome de filmes (Ryan o´Neal lhe contou que uma vez, numa festa, se esqueceu da feição da filha Tatum e cantou uma moça sem saber que era a própria filha!) e de pessoas (uma mulher sorridente veio abraçar Nora e só depois de uns segundos abraçadas que se deu conta que era a irmã Amy). Achava que o disco dela estava cheio demais, agora acha que o problema é que ele está vazio.

Foi jornalista e cobriu, por exemplo, a chegada dos Beatles a Nova York, um fato histórico e se lembra de toda a reação da plateia e povo. E nada deles!. Já dá para ter uma ideia de como Nora sabe zombar de si mesmo.

Ela recorda seus dois outros casamentos acabados por infidelidade e se surpreende com a estabilidade do atual depois de 20 anos, sua amizade com Lillian Hellman, seu problema quando colocaram no menu de um restaurante um bolo de carne com seu nome e todos lhe cobravam como se ela que o tivesse cozinhado.

Relembra também como era machista a imprensa na época em que começou na revista Newsweek, o trauma causado por seus pais (roteiristas famosos) que se tornaram alcoólatras, em especial a mãe, que dava vexame, uma herança que nunca veio, a falta de respeito nas salas caras de cinema e sem pessoas para cuidarem da projeção e uma lista de 25 coisas que as pessoas tem a chocante capacidade de ficarem sempre surpresas.

Entre elas, de que jornalistas às vezes inventam coisas, às vezes entendem as coisas erradas, belas mulheres com frequência casam com homens feios e ricos, nas empresas sinergia é um mito e uma mentira, a liberdade de imprensa pertence ao dono da empresa, homens traem esposas, muita gente segue a bíblia literalmente, todo mundo mente, as pessoas ficam parecidas com seus cachorros. E assim por diante.

Num artigo chamado "Eu não quero outra garrafa de San Pellegrino", Nora se rebela (e eu apoio) contra a ditadura do chefe de cozinha e a cara feia quando você pede um saleiro (ou um Tabasco), ou o jeito que te olham como se fosse um animal de burro quando não gostou de um prato. É um dos poucos direitos que se tem e vejam só ainda querem roubar-nos.

Termina com uma lista daquilo que não sente falta (pele seca, maus jantares, e-mail, tecnologia, funerais, etc) e do que sente falta (filhos, primavera, waffles,  parque, risos, Paris, jantar com amigos). Pena que o livro é curto, jantar com Nora deve ser um prazer.

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