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20 dezembro 2010 às 06:02

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Primeira Crítica: Inverno da Alma

Inverno da Alma/Winter’s Bone. EUA, 10. Direção de Debra Ganik. Com Jennifer Lawrence, John Hawkes, Garrett Dillahunt, Shelley Waggener, Sheryl Lee, Dale Dickey. Será distribuído pela California Filmes

inverno alma blog2 Primeira Crítica: <i>Inverno da Alma</i>

Ouvi falar tanto desse filme desde que foi o grande premiado em Sundance. Não resisti e mandei buscar o Blu-ray americano, ainda a tempo de assisti-lo agora que está sendo indicado para todos os prêmios (Jennifer Lawrence foi indicada como atriz para o SAG e Globo de Ouro e já ganhou National Board), sem falar sobre os prêmios independentes (Gotham, Independent Spirit, British Independent) e ator (o excelente John Hawkes para o SAG e Independent). As indicações me parece muito justas, já que raramente se vê um filme tão bem interpretado por atores pouco conhecidos.

Dirigido por uma mulher novata Debra Granik, a produção foi rodada em locações em Brandon e Forsyth, Missouri, o que é um dos problemas para estrangeiro, pois nunca identificam o lugar (suspeitamos que seja uma região atrasada do sul, montanhosa, mas não se deixa claro nem o lugar, nem o que estão traficando, embora o fato de ficarem fungando cocaína já deixa uma dica). É naquele lugar dos Ozarks, onde existem os caipiras chamados Hillybillies, que, antigamente, faziam uísque de milho (o que era proibido) e que agora parecem ter mudado de atividade.

O mais impressionante, repito, é o elenco que em momento nenhum cai em caricatura, sotaques ou tipos esquisitos. Todos são altamente discretos, sem fazer caras e bocas, deixando a emoção nos olhos e na expressão. E tem cada cara! Talvez a mais forte seja a vilã (Dale Dickey) - se é que se pode chamá-la assim -, que bate na heroína e a faz perder um dente, embora eu tenha reconhecido Sheryl  Lee (a antiga Laura Palmer, envelhecida e humanizada como a ex-amante do pai) e o rapaz que faz o policial (Garrett Dillahunt, que lembra Tyrone Power).

Quem domina o filme, porém, é a jovem Jennifer (20 anos, único filme marcante antes sendo Vidas que se Cruzam, de Arriaga, que tem a chance de sua vida num papel muito difícil). Uma garota de 17, Ree Dolly, que vive numa cabana no mato, caçando esquilos, com dois irmãos pequenos (um casal) e a mãe doente mental. O pai está desaparecido e isso é um problema grave porque ele é traficante, mas ninguém sabe onde ele está e isso não pode ser revelado. Ficamos sabendo que ele está fugindo de um caçador de recompensas (ou seja, se ele não se entregar à polícia em determinada data, estes tomarão conta do lugar e a família será expulsa sem ter para onde ir).

Ree tenta procurar os vizinhos (todo mundo por ali é meio parente), começando pelo tio (Hawkes), mas é recebida com medo e rancor, até mesmo violência.

Lento, sem qualquer preocupação de ser bonito, o filme é cru, direto, pesado e, em outros tempos mais férteis, não teria tanta repercussão. Mas num deserto de filmes independentes, esse é um dos mais bem sucedidos.

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