22 dezembro 2010 às 06:00
Crítica: Oceanos
Oceanos (Oceans, 09) Direção e produção de Jacques Perrin, Jacques Cluzaud. Narração (francês) de Perrin. Participação de Lancelot Perrin (filho do produtor).104 min. Disney.
Fiquei preocupado quando vi a sala vazia que exibia este documentário, o que me faz temer por seu fracasso. Seria uma pena porque é um filme belíssimo e que deveria ser visto.
A Disney comprou os direitos da versão internacional desse excelente filme francês, da mesma equipe que fez o indicado ao Oscar Migração Alada (2001). Na versão americana foram efetuados cortes absurdos não há, por exemplo, a sequência do museu em que pai e filho vem replicas de bichos que foram extintos.
Para não dizer que é perfeito, tem um roteiro um pouco confuso, que de forma bem francesa faz considerações sobre o oceano do passado sem limites e cheio de segredos até chegar às águas degradadas do presente (não chegam a exagerar na mensagem ecológica, bastam algumas imagens como o massacre de golfinhos, que eles fazem o favor de avisar que se trata de uma encenação, e outra marcante, de um carrinho de super mercado no fundo do mar poluído!).
Falta uma amarração mais consistente do que a narrativa atual (nos EUA feita por Pierce Brosnan, Aldo, na Itália, Pedro Armendariz Jr, na América Latina). Não que importe muito porque as imagens são soberbas, impressionantes e muito superiores aos similares que vemos na televisão em programas de natureza. Algumas, confesso, que nunca tinha contemplado antes, não apenas os peixes esquisitos das profundezas (a gente percebe de onde Hollywood tirou sua inspiração para criar aqueles monstros especiais que invadem a Terra como em Tropas Estelares). Mas também o lagarto anfíbio, as incríveis e mutantes Lulas (que até piscam no escuro), as já mais familiares imagens de Orcas, baleias, focas e leões marinhos, imagens deslumbrantes de cardumes, de tempestades marítimas e talvez, a que mais me impressione, aquele exercito de caranguejos submarinos!
Claro que tem uma bela trilha musical de Bruno Collais, que fez Coraline, A Voz do Coração, Migração Alada.
A admiração maior vai para Perrin, de quem eu sou fã desde quando era garoto e fez os filmes de Zurlini (A Moça com a Valise, Dois Destinos), depois quando virou produtor (inclusive de Z, de Costa-Gavras) e quando fez o Totó adulto em Cinema Paradiso. Uma bela carreira que se confirma com este filme notável.
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