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27 dezembro 2010 às 06:01

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Em busca do Globo de Ouro: dois filmes de adolescentes

Por coincidência, tentando assistir a todos os filmes do Globo de Ouro, eu esbarrei em dois “teen movies”, muito parecidos e muito diversos. A Mentira (Easy A), que tem sua estreia prevista para fevereiro nos cinemas, recebeu indicação ao Globo de melhor atriz em comédia, para Emma Stone (aliás, muito justa), e me pareceu a melhor  do gênero desde os tempos de Lindsay Lohan e Garotas Malvadas (Emma parece ser a herdeira do lugar que a outra perdeu por causa das drogas e já esta rodando o papel de Gwen Stacy no novo Homem  Aranha!).

O outro filme é da Disney e se chama You Again. Parece que vai sair aqui direto em Home Vídeo e por uma boa razão: é derivativo, tolo, sem graça, tem uma protagonista muito fraca (a lamentável Kristen Bell, que só é bonitinha) e desperdiça um excelente elenco. Vamos começar por ela.

You Again, 10. Direção de Andy Fickman. Com Jamie Lee Curtis, Sigourney Weaver, Betty White, Kristen Bell, Victor Garber, James Wolk, Odette Yustman, Kristin Chenoweth, Sean Wing. Participações de  Cloris Leachman, Dwayne Johnson, Patrick Duffy, Daryl e Oates. Disney.

you again blog Em busca do Globo de Ouro: dois filmes de adolescentes

Dá para perceber que a melhor coisa certamente é o elenco (fora Bell, que ganhou prestígio com Veronica Mars e depois com uma participação em Heroes, mas que não cumpriu a promessa, parece uma Debora Secco sem molho).

Mesmo estando cercado pelo melhor, ainda que muitos deles em participações pequenas (como a adorável Betty White, que faz a avó brejeira que fica com a cena final do filme, sem contar com os letreiros que trazem os veteranos Daryl e Oates), ela e o filme são derrubados por um roteiro cheio de clichês e bobagens, repisando as velhas histórias de high school.

A direção de Andy Fickman, que fez Ela é o Cara, Treinando o Papai e Montanha Enfeitiçada, piora bastante a coisa, deixando todo mundo cair no exagero. Basicamente é sobre uma insuportável nerd, desprezada pelas colegas, e que consegue dar a volta por cima e se tornar uma profissional de sucesso (até vira vice-presidente em Nova York), mas que, ao retornar para casa, descobre que o irmão (bom caráter) está para se casar com sua pior inimiga, que ela tem certeza que está o enganando.

Além disso, a mãe dela (Jamie Lee, que insiste em deixar o cabelo grisalho) reencontra também sua nêmesis da escola, agora tia da mocinha e feita por Sigourney Weaver sem a sutileza dos tempos de Uma Secretária de Futuro (onde tinha papel semelhante). Ou seja, é uma dupla vingança, atrapalhada porque a tia agora ficou multimilionária, e o payback vai suceder no noivado (a organizadora do casamento dá chance para outro overacting da ótima Kristin Chenoweth).

Naturalmente, depois de várias humilhações e confusões, tudo irá acabar no melhor dos mundos, tão distante da vida real. Mas o fato é que o filme, ao tentar atingir o público adulto, não pegou nem os teens nem os velhos. Errou de alvo e não rendeu mais do que U$ 25 milhões (R$ 42,25 milhões) por lá.

A Mentira (Easy A), de Will Gluck. Com Emma Stone, Amanda Bynes, Penn Badgley, Dan Byrd, Thomas Haden Church, Patricia Clarkson, Stanley Tucci, Cam Gigandet, Lisa Kudrow.

amentira blog Em busca do Globo de Ouro: dois filmes de adolescentes

Que diferença faz um bom roteiro! Este aqui foi escrito por Bert.V. Royal, que antes escolhia o elenco para o show de David Chappelle, ou seja não era ninguém!

Mas o cara tem talento, é cheio de ideias e referências (chega ao cúmulo de usar cenas de filmes clássicos de jovens como Namorada de Aluguel ou Curtindo A Vida Adoidado, de John Hughes, e faz uma piada memorável levantando dúvidas sobre o tipo de relação que Huck Finn tinha com aquele negrão escravo com quem fugiu!).

Original e por vezes até ousado, o filme brinca com um dos grandes clichês dos filmes de adolescente, a garota fácil, aquela liberada que perde a virgindade e, de repente, torna-se de alguma forma popular! A sátira começa com a ruiva Olive (Emma Stone que na realidade é loira), uma excelente aluna e que, apesar de ter boa aparência, é desprezada até pela melhor amiga. Sua família é estável e liberal (Tucci e Clarkson), mas isso não ajuda muito, porque ela continua por fora. Até que, pressionada, mente dizendo que transou e não é mais virgem. De uma hora para outra, passa a ser paquerada por todos os rapazes da escola que também querem desfrutar. E Olive vai ficando com pena deles, primeiro com o gay que está cansando de apanhar, depois com o gordinho (embora todos a paguem de alguma forma, o que constituiria um tipo de prostituição, sem sexo. Ou não?).

De repente, sua reputação fica arruinada, e ela vai parar com a conselheira psicológica (com a sempre brilhante Lisa Kudrow em forma). Claro que é para ter um final feliz, com as coisas nos lugares certos, mas antes, o filme bagunça o coreto das banalidades e as certezas chegam a cutucar alguns comportamentos importantes.

Se o longa funciona é porque deve muito à presença de Emma Stone, que, como eu disse, herdou os papéis de Lindsay Lohan (A Mentira é seu Meninas Malvadas) e demonstrou talento para lhe garantir as chances e os prêmios de uma bem sucedida carreira. É bacana a gente ver nascer uma estrela aqui nesse filme!

PS - Está com cerca de U$ 60 milhões – cerca de R$ 101,4 milhões - de bilheteria nos EUA.

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