28 dezembro 2010 às 06:00
DVD: Sondheim! The Birthday Concert
Foi o presente de Natal, que chegou pela Amazon, que eu dei a mim mesmo. Obrigatório para fãs de musicais e admiradores de Stephen Sondheim, que todo mundo sabe ou deveria saber, completou 80 anos em março de 2010 e por causa disso mereceu um show especial no Avery Fisher do Lincoln Center, em Nova York, produzido por Lonny Price e dirigido e apresentado por David Hyde Pierce (não confundir com outro show que ficou em cartaz na Broadway e que até agora não está disponível em DVD).
Sondheim estava presente e ao final subiu ao palco muito constrangido e tímido. Como nada é perfeito, insisto em confirmar, a direção de TV (aquele que corta e determina quantas câmeras são necessárias) é completamente incompetente. Não soube conseguir iluminação suficiente (quando se vê Stephen na plateia aparece tudo granulado, deviam ter providenciado algo melhor) e não me parece ter sido gravado em HD.
O ponto alto do espetáculo é bem no final, quando convocaram alguns atores profissionais não muito conhecidos para participarem de um coro cantando Sunday, do show Sunday in the Park with George (acabaram se inscrevendo 287 pessoas), que entram e saem em ordem, ocupando não apenas o palco, mas também os corredores. E a gente não vê nenhuma cara, nenhum gesto (inclusive a música começa cedo demais e os últimos mal conseguem tempo de entrar e participar).
Alguém errou e estragou o que podia ter sido um momento inesquecível (é raro se ver isso num show americano onde tudo é super planejado, deve ter sido esse o problema, eles são péssimos para improvisar, quando apareceu gente demais não souberam resolver rapidamente. Um brasileiro acostumado a não ter estrutura teria soltado uma câmera na mão no corredor e capturado o instante. Lição: planejar demais também não resolve se não tiver criação e, mais que isso, liberdade para inventar na hora).
Digo isso por experiência própria, já que gravo e gravei inúmeras vezes fora e se não estiver ensaiado eles ficam completamente perdidos. Bom, voltando ao show, a intenção foi reunir os maiores nomes ligados ao compositor (mas não os que estavam no espetáculo concorrente). Só que no programa e na capinha do DVD, não há o nome do intérprete (para terem surpresa, mas também pode confundir o leigo) apenas a canção e o show.
Nem todas são famosas, nem mesmo para mim que sou atento, e há uma canção que Stephen fez para um filme que é dançada (banalmente) por uma dupla do American Ballet, o tema de Reds. David Pierce canta (mal) Beautiful Girls e um dos charmes foi reunir novamente Mandy Patinkin (que teve problemas de saúde, mas se apresenta muito bem) e Bernadette Peters, a dupla de Sunday. Assim como a dupla de Into the Woods, Joanna Gleason e Chip Zien. O criador de Too Many Mornings, em Follies, John Mc Martin (com 80 anos, naturalmente não tem a mesma potência vocal, mas substitui isso bem pela emoção). E tem uma sacada interessante, trazem dois que interpretaram Sweeney Todd, George Hearn e Michael Cerveris (que se revela um reles imitador de Yul Brynner) e mais Patti Lu Pone (mas não o criador que foi Len Cariou e está vivo, segundo o IMDb). E eles se revezam no personagem.
Sou encantado com a beleza de Laura Benanti (e frustrado porque não encontrei CD solo dela, parece que não gravou ainda). Fiquei imaginando o que Judy Holliday teria feito com a canção do show Hot Spot, enquanto Victoria Clark não chegava a seus pés (esta ganhou Tony por Light in the Piazza, mas não me convence).
Enfim, é um show normal até quase perto do final quando o diretor obrigou todas as suas estrelas a se vestirem de vermelho (até Elaine Stritch, que fez um pijaminha sem perder o boné, sua marca registrada). Uma a uma elas se sentam na frente do palco numas cadeiras e vão tomando a vez, cada uma dando um show maior. Primeiro é LuPone que arrasa com Ladies Who Lunch (claro que fazendo mesuras a Stritch que reage gentil), depois Audra MacDonald, que não admiro especialmente (The Glamorous Life), Marin Mazzie (muito bem em Losing my Mind), novamente Bernadette (desafinando), Donna Murphy (Not a Day Goes By, impressionante). Mas Stritch rouba o show finalmente quase falando, mas com um timing perfeito, o hino I´m Still Here (perfeito para ela). Acaba sendo a única que foi aplaudida de pé!
Portanto, só por essa parte final já mais do que vale o preço. Obrigatório.
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